Carnevale a Venezia


O Carnaval de Veneza, uma viagem de regresso aos sécs. XVII e XVIII, onde desfilam os mais sumptuosos vestidos de baile, acompanhados por cavalheiros de chapéu e peruca branca. As máscaras mais famosas do mundo flutuam por entre a multidão, pousando para as fotografias, ao som de uma e outra valsa.
Ma come è bello il Carnevale di Venezia!

A primeira meia hora foi passada de uma maneira muito original, em busca do McDonalds de Veneza, que a propósito não é tão bom como os de Portugal. A máscara, comprei-a mal pus os pés em terra, erro crasso, porque depois encontrei outras idênticas por menos 5 euros.
O resto do dia foi passado num tentativa inglória de deambular por entre as ruas apertadas de Veneza e respectivas pontes. O tráfego humano era de tal maneira intenso, que havia polícia de trânsito para os peões na travessia das pontes. Até conseguirmos chegar à Piazza San Marco, ficámos parados em pelo menos 3 engarrafamentos, e quando digo parados não é hipérbole, quando muito será eufemismo.
Ir de gôndola é 1 privilégio para quem pode gastar pelo menos €80 num passeio, ou seja, não é feito para os estudantes de Erasmus.
Já os barcos em jeito de autocarro aquático são uma verdadeira confusão, mas o passeio vale a pena e só custa €6!
Veneza é lindo quanto baste para querer voltar lá, principalmente porque de certeza que ficará ainda mais bonita num dia em que se possa ir na rua, olhar em frente e realmente ver a cidade, em vez do rabo ou a cabeça de alguém…
Passando à acção propriamente dita, a noite foi verdadeiramente melhor do que a anterior (como já era previsto).
Que o diga a minha amiga Ana, que dominou a pista com uma pujança nunca vista! Pena foi mais tarde, no autocarro, quando a pujança se transformou em dejectos pré-ingeridos, expelidos para o saquinho que eu estava a agarrar, já prevendo tal reacção.
A Ana cantava Ivete Sangalo numa língua que não era nem moldavo nem húngaro, mas era parecido. As canções eram intercaladas com tentativas de frases ordinárias em flamenco que os nossos amigos belgas nos ensinaram. Por fim, quando o autocarro chegou ao hotel, numa viagem que nunca mais acabava, parou tudo à procura dos sapatos dela porque lembrou-se de os tirar mas esqueceu-se onde os tinha posto…
Embora possa parecer impossível, registaram-se estados ainda mais agressivos do que este em que se encontrava a nossa amiga Ana.
O Micas, da Bélgica, não se aguentava em pé nem conseguia manter os olhos abertos, e nem sequer falar, quanto mais cantar Ivete Sangalo em moldavo-húngaro! Mas como para dar uns beijinhos não é preciso nem falar nem ter os olhos abertos, ele e uma outra inglesa entenderam-se muito bem nos bancos lá atrás. Claro que no dia seguinte não se lembravam da cara nem do nome um do outro, mas o amor é feito de detalhes e não tanto dessas coisas importantes como o nome e a cara da pessoa amada!
Estórias como esta há muitas… A discoteca era um complexo desportivo com campos de ténis e tudo, mas a música era muito dançável e com as espanholas há sempre festa! E com os erasmus há sempre muita alegria (e muito amor!). Assim, tendo em conta que a festa era com Erasmus de Siena, Pisa (a minha madrinha estava lá!) e de algumas outras cidades, entendem-se os exageros de felicidade!
No dia seguinte, com duas horas dormidas, a visita a Pádova fez-se num ritmo lento, muito lento. A própria cidade não apresentava grande dinamismo. Era Domingo, as lojas estavam todas fechadas e o frio afastava as pessoas da rua.
No autocarro pairaram profundos silêncios mas também houve profundas discussões sobre gramática e dialectos: ser ou não ser um dialecto espanhol eis a questão.
E estava eu no meu sétimo sono, com as pernas enroladas onde elas não cabiam, quando a Ana me agitou num gesto seco e bruto. E antes que eu pudesse acabar de dizer o meu não menos seco e bruto “mas o que é que foi”, levantei-me num ápice para lhe entregar o primeiro saco plástico que me apareceu à frente. Porque a minha amiga Ana olhava-me com as mãos a segurar os lábios assim com muita força, como se eles fossem cair…
Depois quem queria cair era ela, num buraquinho muito fundo, de preferência um túnel do autocarro até ao balde do lixo mais próximo, para que ninguém a visse sair com o seu saco plástico e respectivo conteúdo nutritivo…
O resto da viagem foi atribulado dada a condução digamos que exaltada do nosso motorista. Eu, claro, mantive-me sempre atenta a cada gesto da minha colega de banco, que nesse dia passou um mau bocado.
O regresso desde o autocarro até casa, foi como a ida, uma turbulência constante!
Um dos nossos vizinhos de cima, que é professor de literatura portuguesa na faculdade onde eu vou estudar, demonstrou ter um grande senso de oportunidade, aparecendo no momento exacto para nos ajudar a carregar as malas pelas escadas!
E quando finalmente chegámos a casa e nos sentámos, sentimos aquele cheiro a memória, com uma certa estranheza por sermos só as 3 outra vez, sem corridas para o chuveiro nem noitadas multiculturais. Na verdade, houve mesmo um derrame desse cheiro, desse aroma, que na minha necessaire, desde a pílula à escova de dentes sabia tudo a perfume…
Ai… saudades de Veneza… com cheirinho a amostras de “eau de parfum” (da Lavin).

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