Benvenuti


Em todas as línguas existem palavras dúbias, geralmente por serem homónimas. Em inglês por exemplo, tenho sempre que explicar muito bem o que quero dizer quando refiro que tenho “many boy friends”.
Porém, as palavras verdadeiramente sinuosas são mais discretas. São aquelas que usamos com frequência, aparentemente sem problemas de significado. E no entanto, são as palavras com as quais expressamos algo, que nem para nós próprios temos definido com exactidão o que é. Então, como entende-las inequivocamente e sem redundâncias?
Tomemos um exemplo concreto: o que significa conhecer? O que é conhecer alguém? È saber que essa pessoa existe? Ou é saber-lhe também o nome e outros dados biográficos? É saber o que ela pensa sobre a guerra no Iraque? É adivinhar sempre qual será o seu próximo passo, o que é que ela quer receber nos anos, onde quer ir passar as férias de Verão? Ou será apenas saber o que faz na vida e onde e com quem vive? Também pode ser saber que a pessoa é famosa, que viveu um drama, que tem uma doença… E se não soubermos o seu prato preferido ou a cor de que mais gosta, será que não a conhecemos?

Este Sábado foi a festa das festas! “Benvenuti Erasmus” dizia o bolo gigante, feito especialmente para nós. Tal como o champanhe, os vários aperitivos, as pastas, as músicas, tudo naquela noite era especialmente para nós! (Até as stripers, como o Beckham – alcunha do Casanova inglês que era do meu curso de italiano – teve o prazer de comprovar)…
Estavam lá todos, dos recém-chegados à velha guarda de Setembro. Fui apresentar-me a um grupo de raparigas novas, todas da Hungria; estive a dançar e a conversar com as minhas ex-colegas do curso de italiano; a bailar com os espanhóis, inventando coreografias com o Dani e o Manu; a aprender uns moves com o Sean e o Sandy; e no fim da noite não pude deixar de ir felicitar o DJ por ele ter passado música brasileira!!!
Rulámos o dancefloor até o sol raiar! (Bom mais ou menos, porque o último autocarro era às 4 e não o podíamos perder).
Ainda tive tempo para dar uma estalada a um italiano abusado, e falar um pouco com um rapaz americano que se chama Bren, ou algo parecido. Suponhamos que seja Bren. O Bren veio-me pedir desculpa por ter dito coisas estranhas às chicas, quando elas estiveram cá. Depois convidou-me para ir à Califórnia (ele também é da Terra dos Ricos!) e prometeu que se eu fosse me levava a ver um jogo dos Lakers! E pronto, eu que nem simpatizava muito com ele, agora já tenho uma opinião mais favorável!
A Vanessa esteve em alta, mas como ela própria menciona, não estava bêbeda (só um bocadinho, num bocadinho de um bocadinho de tempo!).
A festa continuou já fora da discoteca, com o Sean e o Bren a caírem dentro de uma poça de lama e depois a correrem a atrás de mim para me dar um caloroso e lamacento abraço (iaaaaaca)! O Chris resolveu vir falar mal da selecção portuguesa e eu tive que relembrá-lo dos últimos jogos entre Portugal e Inglaterra. O Sandy levou-me num passeio às cavalitas pelo estacionamento da Essenza e o Sean veio na retaguarda, para se por acaso o vento soprasse a minha saia indiscretamente. E estavam o Sean e o Chris numa conversa de 2 a ingleses a gozarem com o sotaque irish, a pedido do Martinho (este é Portuga), quando o autoarro chegou, meia hora atrasado, como aliás já é costume. A multidão aglomerou-se às portas com ferocidade, com a ajuda do Martinho consegui ser das primeiras a entrar e a Matilde que se tinha antecipado, disse-me que fosse sentada no colo dela. Foi do colo da Matilde, que vi uma discussão entre um espanhol mal educado e uma outra rapariga que reclamava com ele por ele a estar a empurrar. O rapaz dizia que também estava a ser empurrado, mas de facto havia formas mais elegantes de dize-lo… Entretanto, uma francesa très chic que ia esmagada contra o o banco da Matilde, não parava de manifestar a sua desilusão com os rapazes italianos, tão rudes e sem charme, e diz que quando voltar a França vai contar a toda a gente como são questi ragazzi!!!
São sempre momentos críticos, estes do autocarro. Como o Sean (quase com o nariz esbugalhado contra o vidro da janela) bem referiu, parecemos as populações africanas que desesperadas, vão a correr atrás dos visitantes estrangeiros gritando “Take me with you, take me with you!!!”.

No Domingo à noite fomos para o Tea Room jogar ao Lobo, como costumava fazer nas cafezadas das Avencas. Bons tempos! Mas estes são ainda melhores! São os tempos do conhecer! Conhecer gente nova todos os dias, e todos os dias conhecer um bocadinho mais de quem já conheço. Conhecer as regras do Rugby conhecendo o Stuart e aprofundando o conhecimento sobre o Matt (o famoso vizinho giro). Conhecer melhor o meu compagno de casa, enquanto conheço um novo bar e vivo a experiência de assistir a um Inter – Milan em Itália, o que tem outra magia!

Eis então o que eu mais faço aqui em Itália: conhecer!
(O que quer que seja que isso quer dizer…)

Comentários

Carla disse…
"conhecer não é demonstrarnem explicar é aceder à visão" Sant Exupéry

Ag no meu curso dá-se de tudo um pouco.. nem parece aquela miuda que só diz asneiras.. sou mesmo eu a carla, a tua amiga carla
Anónimo disse…
eu gostava de conhecer DEUS
Neuza disse…
Criei tão bem a imagem de um ingles, com o nariz esborrachado contra o vidro de um autocarro cheio de erásmicos e a falar de africanos, que me desatei a rir! E isto mesmo sem o conhecer!

:D
Saudaaaaaaaaades xuxu
*********************
Rita disse…
Seja o que for "conhecer", conhece que pelos vistos é coisa boa minina! =) eh pá, acho que ainda volto aí! :p biju
Lolly disse…
Só festas... estudar que é bom?lol

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