Roma - Continuação (segundo a mesma pessoa)


Pré - requisitos: Ler o post anterior para compreensão integral da exposição que se segue.

Neste segundo dia, depois de tristemente descobrir que o sumo de laranja do pequeno-almoço não era natural como eu pensava que fosse, e que o pequeno-almoço em si não era mais que 1 pequeno croissant sem nada, numa pequena embalagem de plástico, partimos para o Vaticano.
Ora se há coisa que as pessoas não sabem é que no Vaticano, esse lugar de Santidade paz e tranquilidade, a fila para a Capela de São Pedro é uma verdadeira batalha campal! Uma autentica Revolução pelos direitos de quem forma fila a partir do fim!
Porque contrariamente a estas pessoas, existem turistas armados em espertos que tentam invadir as posições conquistadas por quem batalhou longos minutos de espera. Esses, valentes, não estão dispostos a deixar que tal injustiça se realize e juntam-se, sem saber nomes nem línguas uns dos outros, na formação de “paredes” para impedir a passagem dos invasores. Quando dei por mim estávamos eu e a Neuza no meio de uma dessas paredes com brasileiros e espanhóis, enquanto estes insultavam uns turistas que não “percebiam” onde era o fim da fila.
Já dentro da igreja, a Pietá passa-se por ela e nem se repara. Na verdade tivemos que procurá-la no mapa do meu livro sobre Roma, acabando por encontrá-la sem demais dificuldades, devido ao mar de gente em seu redor.
A Capela Sistina é no fim do mundo! São horas numa fila que quem vê pensa que estão a dar dinheiro (se for uma senhora portuguesa pode pois pensar que é o Toni Carreira que está a dar autógrafos). Como se não bastasse a fila exterior, uma vez dentro do edifício dos Museus do Vaticano, perdem-se de vista as salas e corredores que se têm de atravessar e que vão ficando cada vez mais parecidas umas com as outras e cada vez maiores… Depois de tamanha romaria, lá chegámos à capela. Lá estava o dia do juízo final, a Criação do Homem no centro do tecto, e centenas de pessoas a pisarem-se umas às outras, porque estavam todas a olhar para cima. O melhor da Capela Sistina? Não, não é o efeito tridimensional das pinturas nem a vivacidade das cores! Eu sabia que não sabiam! São as casas de banho à saída, que desenvolvem um processo automático de higienização após cada utilização!
A paragem seguinte foi o Coliseu, onde ninguém imaginaria que eu entrava de graça! Assim é, porque como sugeriu a minha amiga Rita, ser Erasmus em Itália deve querer dizer ser pobre e então os estudantes de Erasmus não pagam entrada no Coliseu. Mas o Coliseu engana! Primeiro, não há nenhuma indicação desta possibilidade, é preciso serem os próprios alunos a anunciarem a sua “erasmidade” reivindicando os direitos que lhe estão associados, porque se não ninguém avisa! Segundo, andam por lá indivíduos a tentar vender visitas guiadas de grupo, argumentando que com estas excursões se ultrapassa a fila de 45 minutos/uma hora. Na verdade, foram no máximo 15 minutos de fila (espero mais eu em Lisboa pelo 51 do que ali à porta do Coliseu)! E por fim, os elevadores estão mal sinalizados, parece que são ali do outro lado ao pé da saída, para onde nós fomos, mas afinal são ali à entrada. De modo que quem vai ali para o outro lado, como nós fomos, tem de voltar o caminho todo para trás para apanhar o elevador (sim, o Coliseu tem elevador!) e quando quiser sair, voltar a percorrer o caminho que percorreu primeiramente, em vão…
Outra coisa que poucos sabem e menos ainda imaginam, é que ao lado do Coliseu há uma geladaria onde nós entrámos sem nada e saímos com 2 Ferrero Rocher, um ovo da Páscoa Baci e uma rosa com corações de chocolate pendurados! (Sem pagar por nenhum dos artigos, claro está): A primeira coisa que um dos indivíduos junto à caixa me diz é que um crepe é 3€ porque é para mim (na verdade era para a Neuza, mas foi 3€ na mesma, quando o preço normal seria 7€). Desci aflita para a casa de banho e qual não é o meu espanto quando ao sair, dou de caras com o dito indivíduo, que me fazia uma espera com um Ferrero Rocher na mão. Perguntou-me se estava tudo bem e apresentou-se, de modo que lhe apertei a mão com as minhas ainda molhadas porque fui raptada para fora da casa de banho sem tempo de secá-las. Meteu conversa, disse-me que tínhamos uma mesa especial lá fora e ofereceu-me o Ferrero Rocher. Qunado subi as escadas fui encontrar a Neuza com os talheres nas mãos, enquanto o seu prato era transportado (raptado) para a “mesa especial”. Nisto ela só teve tempo de me dizer que tínhamos as duas namorado (nós, mais encalhadas que Titanic no deserto) … Foi então que comecei a suspeitar de que algo se passava e as suspeitas confirmaram-se quando ao sair para a esplanada com o meu gelado de 3 bolas (que custou 2€ em vem de 4 e pouco) dei com o indivíduo já mencionado, sentadinho ao lado da Neuza na “mesa especial”. Tentei falar com ela pelo olhar mas ela estava a comer o crepe. Além disso não podia olhar para mim se não íamos começar ambas a rir compulsivamente. Sucedeu que o indivíduo em questão era o proprietário da geladaria e que simpatizou deveras com a minha pessoa, pelo que fez questão de partilhar connosco a sua companhia, e ali permaneceu sentado, entre mim e a Neuza. A Neuza pouco percebia do que ele dizia e na verdade não estava muito interessada. O que realmente lhe interessava era o crepe e depois sair dali rapidamente. Eu, a quem até já perguntam se sou italiana (este indivíduo perguntou) lá fiquei a ouvir sobre as suas viagens e blá blá blá. A verdade é que podia ter sido pior. E conseguimos vir embora facilmente, apenas tivemos que recusar a boleia dele e tirar uma foto de recordação. Eu disse inclusive para a Neuza tirar uma com a máquina dela para depois pormos no blogg, mas ela sabiamente lembrou-se que se o fizéssemos, eles (eles, porque de vez em quando assomava-se também 1 funcionário) iam-nos pedir o e-mail para depois trocarmos as fotos. De modo que nos fomos embora, levando então connosco a rosa com os corações de chocolate, o ovo de Páscoa e mais 2 Ferrero Rocher, ofertas de despedida.
Na primeira curva rebentámos o riso que já vínhamos a conter há alguns minutos e depois, como que por magia, vimos passar um rapaz giro! (Que supomos que não fosse italiano)… O dia acabou então, literalmente, em beleza!

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