Roma segundo quem já visitou a DRAA do Patacão*


Segunda-feira de manhã lá fomos, para uma aventura em Roma!
Pelo meio-dia já estávamos a chegar. Fomos entrando pela estrada que leva aos subúrbios, onde há prostitutas no passeio de 5 em 5 minutos, em plena luz do dia. Passados os prédios com graffitis feios ou arte de rua de interpretação subjectiva, cegámos à estação Tributina. Esta por sua vez é objectivamente feia, suja e mal frequentada, tal como o metro. Já na estação Termini (uma gémea da Tributini) fomos em busca do nosso Ostello, sob um sol quase de Verão, com as nossas malas e todas estas belas primeiras impressões da capital italiana.
O nosso Ostello era o único que não tinha um letreiro a indicar o nome, de modo que deambulámos um pouco mais do que o previsto até chegar ao “Two Ducks”.
Um quarto com 4 camas para mim e para a Neuza (que já toda a gente sabe quem é), mais os Pombos(Iuri e Nocas), e um outro com 6 camas no mesmo apartamento, para a família feliz. Eram americanos que vivem na Alemanha com 4 filhos (porque os outros dois filhos já são independentes).A filha mais velha dos 4 filhos presentes tinha 16 anos, era parecida com a Britney e queria ser cantora!
Apenas uma casa de banho para esta gente toda foi problemático, mas o pior foi mesmo a água do duche que nunca chegava a ficar quente… Apesar disso, a senhora da romena da recepção, cujo namorado era de S.Paulo, ainda lá foi uma noite pedir para tomar banho porque tinha ficado sem água quente. Nós e a família feliz dissemos que não havia problema mas tivemos que nos rir quando ela mencionou “água quente”.
No próprio dia e nos dois que se seguiram, aproveitámos ao máximo a nossa estadia e andámos por todo o lado até, literalmente, não podermos mais. Porém não vou contar com grande pormenor os nossos roteiros, porque isso é o que toda a gente já sabe: Coliseu, Capela Sistina, Vaticano, blá, blá, blá…
O que o post de hoje pretende, é desvelar aquilo que ninguém imagina sobre a nossa viagem e até mesmo aquilo que não se sabe sobre Roma ela própria!
- Ora para começar, Roma ela própria só tem duas linhas de metro porque cada vez que tentam fazer mais encontram ruínas. E todo o romantismo da bota mediterrânea se perde no cheiro a gente que emana das carruagens.
- A escala dos mapas está mal feita, e por isso quase descemos a esse tão agradável metro para ir até à Praça da Republica, que se revelou apenas a 2 minutos a pé.
- Não influi directamente com Roma mas remete para algo que certamente ninguém imagina e seria pois impensável não mencionar o motivo pelo qual tive dificuldade em adormecer na noite anterior. Não, não foi excitação com a viagem. Foi mesmo porque na conversa de pré-adormecimento o Iuri (que mede mais de 1 metro e noventa) nos contou que não pode ir para a Força Aérea porque não cabia na cabine do piloto. Também não pode ir para o exército porque, citando o senhor que transmitiu por via telefónica a informação à mãe do jovem Iuri, “Não podemos aceitar o seu filho porque ele é um alvo fácil de abater”. Depois desta história passei a noite a imaginar a cabeça do Iuri a sair do arbusto de camuflagem e os pés fora da trincheira. Assim é difícil conseguir dormir!
- Voltando a Roma propriamente dita, depois da “Piazza di Spagna” instransitável, dirigimo-nos para a Fontana di Trevi perto da qual a Neuza exclamou “Estamos a chegar! Já ouço a água da fonte!”, acrescentando depois “Ah não, espera… é o barulho do ventilador daquela loja”.
- Estávamos nós tranquilamente sentadas à beira da dita fonte, quando um indiano nos quis tirar uma fotografia para depois nos vender. Dissemos que não e que não, mas como ele disse que só pagávamos se gostássemos, deixámo-lo tirar. Não gostámos, a cara da Neuza estava bastante distorcida da realidade, e a minha também já tinha visto melhores flashes. Dissemos que não queríamos a foto. O vendedor insistiu, primeiro gentilmente até que depois começou a exigir agressivamente os seus 5 euros. Eu contestava relembrando-o do que ele havia dito e ela dizia que não e falava-me em quanto tempo já trabalhava ali. Eu estendia-lhe a mão com a fotografia e ele abanava a cabeça até que começou a gritar “Tu dame soldi!!!” ( e entretanto já tinha baixo o preço para 4€). Lembrou-se de dizer que ia chamar a polícia e eu disse que podia chamar à vontade. Mas em vez disso baixou o preço para 2€ e eu, cansada de discutir e achando que depois daquilo tudo a foto havia ganho um valor mítico, paguei os 2€. Assim viemos da Fontana di Trevi com duas recordações inesquecíveis: esse momento mágico em que eu discuti em italiano com um monhé ao som da água da maior fonte de Roma, e a foto em que a Neuza tem uma batata no lugar do nariz e parece careca com apenas uma franja e dois penduricalhos de cabelos nos lados.
- A Neuza partiu acidentalmente os fones do Time Elevator, um cinema com efeitos 3D e cadeiras que mexem, onde nos é contada em resumo a história de Roma. Caindo depois água directamente na nossa cara quando o filme chega à parte da construção da Fontana di Trevi (definitivamente o monumento das "boas recordações"!).
- Fomos jantar a um restaurante indicado pela nossa amiga da recepção, que de facto era barato e bom, e o empregado de mesa extremamente simpático dado que se “esqueceu” de pôr a minha sobremesa na conta. Infelizmente, ao recolher a loiça da mesa do lado, lembrou-se de deixar cair alguma coisa gordurosa de um dos pratos, no capucho da blusa da Neuza e então não deixámos gorjeta.
- E logo neste primeiro dia, reparámos, contra todas as expectativas e informações adquiridas de fontes seguras, que os romanos ainda eram piores que os sienenses! Como se isso fosse possível! Dos polícias aos senhores fardados da estação, passando pelos jovens que andam nas ruas, até aos homens em geral, são ainda mais abusados, mais mal educados, e eu diria até mais feios! Formalizei portanto uma reclamação telefónica a uma das minhas fontes que me disse que não devíamos ter andando nas zonas certas. Deste modo, fomos dormir acalentadas por uma réstia de esperança (que mantas também só havia uma e desconfiamos que não estava lavada)…

* Quem: Eu, Neuza e restantes colegas do 11º ano de escolaridade
DRAA: Direcção Regional de Agricultura do Algarve
Patacão: Pequena localidade do distrito de Faro conhecida por não ser conhecida

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