Trum, Trum, Trum Tum Tum...


Em tempos remotos o som dos tambores indicava a chegada das tropas inimigas, uma parada do Fhürer ou eu a formar uma banda de rock a solo com o meu tambor cor de rosa e as minhas baguetas amarelas.

Hoje em dia as coisas são diferentes. Estou em Siena. Acordo sobressaltada Domingo às 9 da manhã com o som pesado dos tambores. Tambores? Domingo? 9 da manhã? E tambores? Hã? O quê? Oh nããããõ!!!
Dado que nos tempos que correm já está fora de moda levar tambores para a guerra; que o Hitler se suicidou com a sua amante há já alguns anos; e que eu não trouxe nem o meu tambor cor de rosa nem as minhas baquetas amarelas para Itália (porque havia limites de peso de bagagem se não certamente não me teria esquecido!), estes tambores eram algo de diferente.
Eram os ensaios para a parada que cortou a passagem pela Piazza del Campo esta tarde. Porque hoje estavam a escolher os cavalos para as contradas! Havia freiras, padres, militares, polícias, bandeiras, fatos típicos e tambores! Muitos tambores!
"Have you heard the drums?" perguntava a Alana a cada pessoa que lhe aparecia á frente ou do outro lado da linha do telemóvel. "É porque hoje vão escolher os cavalos para o Palio!" respondia a Vanessa "Well I don't care about the bloody horses or the contradas! Do you know what I mean?!" Era uma Alana que não tinha dormido toda a manhã por causa dos tambores, a falar, porque a nossa Alana is actually very sweet!
Ontem à noite fomos ao Vanilla! Muito mehor que a Essenza, apesar das habituais fugidas dos habituais polvos. Havia salsa! E a Vanessa dançava afro-quizombo-salsa! Depois, já se sabe como acordámos (trum, trum, trum...)
Hoje à tarde houve torneio de futebol: um jogo emocionante que acabou empatado e outro uma comédia onde o actor principal era o "João Manuel" (sim, o Juanma de Juan Manuel e sim o "amigo" da Vanessa). Ora como é que eu vou explicar isto... para já tinha vestida uma t-shirt do Sporting o que mostra logo a má qualidade do seu gosto futebolistico (e escrevo isto em dia de Derby, confiante no Glorioso, à espera que o Gui me dê mais um toque anunciando que o Benfica ganhou). Depois parecia um guarda-redes de hóquei no gelo, só lhe faltava o capacete. E para completar, andava perdido entre os postes da baliza, agitando os braços como que num ritual tribal, tremendo as mãos e fechando ligeiramente os olhos nas vezes em que conseguia de facto apanhar a bola. Houve dez vezes em que não conseguiu. Uma passou-lhe pelo meio das pernas, outra bateu no poste e entrou sem que ele se mexesse, outras passaram-lhe ao lado, as restantes não me lembro. A Vanessa achou muito egoísta da parte dele ser tão mau e mesmo assim querer jogar, porque na verdade a sua equipapodia ter ganho se não fosse por ele. Era como jogar com menos um! Felizmente tinha os amigos que lhe davam apoio cá fora: riam-se às gargalhadas nos décibeis tipicamente espanhóis e diziam que não é que ele jogasse mal, apenas jogava diferente "muy raro" diziam. A Vanessa disse para não nos rirmos que ele ia pensar que nos estávamos a rir dele (porque CLAAAAARO que não estávamos não é?!). Enfim, a equipa dele perdeu, como todas as que usam o equipamento verde e branco (embora eu continue à espera do toque que vai confirmar esta minha teoria..).

Nós por cá, tal como o Hamlet dividido entre o ser e o parecer. Tal como o Jack dividido entre salvar a sua vida ou da Rose. Andamos divididas entre o orgulho de ter a nossa Siena cheia de gente a querer tirar-lhe fotografias (porque nós moramos aqui e vemo-la todos os dias) e as olheiras de quem não dormiu no Domingo de manhã!

Comentários

Lolly disse…
Essa do Jack e da Rose foi inspirada no Joaquim.... lol ;) beijokas c milhoes d saudades!

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