Cap. II - A-style


Há imagens que as palavras não conseguem captar. Há emoções que o pensamento não consegue traduzir.
E depois há noites, que nem todos os dias juntos chegavam para explicar…

Riccione é uma espécie de Algarve do Norte de Itália. Espelha também o sul do Nordeste Brasileiro e Marbella ou as Canárias. Tudo depende do ponto de vista!
É assim uma fila de bares e discotecas à beira mar (Adriático) dum lado, hotéis, lojas e piscinas do outro.
O hotel estava por nossa conta e a festa começou cedo, logo no jantar, porque “l’acqua fa male e il vino fa scopare”. Depois a música passou para o corredor do terceiro piso e foi com toda a gente já bastante alegre que nos dirigimos, a pé, para a discoteca. Desta vez, ao contrário da viagem a Veneza (ver arquivo em caso de saudades), não ficámos uma hora trancada no autocarro à espera. E também desta vez, a discoteca era de facto uma discoteca!
Era o meu estilo, era o estilo da Alana e com certeza seria também o da Ana se ela lá estivesse (e é uma pena que não tenha estado porque ia ter adorado – só para te fazer inveja amiga) porque era A-STYLE!
Os primeiros passos foram de samba com bailarinas e tudo! Depois evoluiu para os lados do HipHop e do RnB. A Alana estava no paraíso, a Vanessa estava nos braços do Juanma, a Matilde estava em cima da coluna. E eu lá estava… ;p
Havia uma mesa só para nós com frutas e bebidas e não, não havia rapazes giros, mas também temos que ir com calma! A música era boa, o espaço era agradável, não se pode pedir tudo!
Quando nos vinham os calores íamos passear pela praia e assim estava tudo perfeito! Até que de repente, a Matilde caiu da coluna abaixo! “Oh meu deus, partiu-se toda!” pensei eu. Lá estava ela, estatelada no meio do chão, como uma tartaruga que não se consegue levantar. Corri a ajudá-la e quando a pus de pé e perguntei se estava tudo bem, ela respondeu-me mexendo as ancas para dentro da pista provavelmente ao som da Shakira.
Passados alguns minutos, lá estava eu outra vez a fazer de grua (as vantagens de estar menos bêbedo que os outros só chegam no dia seguinte): a Vanessa estava deitada na praia a dizer que tinha areia no rabo mas que não se conseguia levantar. Foi então que apareceu o Daniele, para ajudar-me a ajudar a Vanessa a levantar-se. Todos de pé, lá veio um Daniele atrás de nós a fazer perguntas e a Vanessa a dar a sua resposta modelo a todas elas “Va fanculo!”. Momentos depois, embrenharam-se os 2 numa conversa bastante intelectual em que a Vanessa lhe dizia para ir para casa ter com a mulher, e ele dizia que não era casado, e a Vanessa dizia-lhe “Va Fanculo”, outra vez. Entretanto chegaram também o Antonio e o Alessandro, que a Alana logo se lembrou de me apresentar. “Alessandro” disse ela com um sorriso nos lábios e um brilhozinho nos olhos… Tão prestável esta minha amiga! A sorte dela é só ter ex-namorados com nomes estranhos! Claro que nenhum italiano se vai chamar Rassi ou Gandalf!
(Mas para que fique registado aquele Alessandro de Alessandro só tinha mesmo o nome...)
Mais adiante a Alana indicou que devíamos “take a moment” e olhar à volta. Lá estava o trio maravilha (Antonio, Daniele e o “falso” Alessandro) cantando em jeito de coreografia, e depois no final, ajoelhados aos nossos pés: “New York! New York!”. Ao que a Alana comentou “… and we are not even from New York!!!”
Na tentativa de os despistarmos, abrandámos o passo, e então apareceu-nos um outro a vir da praia e a puxar a berguilha para cima. Se naquele momento fossemos bonecos de banda desenhada, estaríamos as 3 com os olhos puxados para baixo, a boca em traço recto, e aquela gota que aparece ao lado da testa, em sinal de desalento.
Fomos encontrar os rapazes (amigos nossos), com a Matilde sentada numa cadeira no meio do passeio a queixar-se das pernas. O trio maravilha sempre a seguir-nos. Depois a vigiar-nos a uma certa distância, e por fim a mudar de alvo e a meter conversa com o Dani! Isto os italianos não estão cá com esquisitices…
Veio o “qué frô” e sentou-se ao colo da Matilde, que coitada, se continuava a queixar das pernas. Tentou trocar de sapatos com a Julia, mas ficavam-lhe pelo meio da planta do pé. Então, nos seus tacões, voltou connosco para dentro da discoteca, onde dançámos até não haver mais música! O “I will survive” foi o auge. O Dani e o Manu já não tinham braços para nos proteger dos italianos. A Matilde queria voltar para cima da coluna. Nós subimos, mas não a deixámos ir. E mal eu acabo de dizer que ali é que estávamos bem porque ninguém nos conseguia chatear.. surpresaaaaaaaaa!! Olhámos para trás, e por cima das mesas ao lado das colunas, 3 vultos se erguiam… trio maravilha de volta ao ataque!!! Um deles rastejando numa tentativa de olhar por baixo da minha saia...
E antes de sairmos fizeram-nos adeus.
No caminho para casa tivemos que agarrar a Matilde que se queria jogar à estrada para ir para o outro lado comer. A Julia, sabiamente, dizia que tinham um “platano” no quarto do hotel. E enquanto a Matilde se mostrava muito insatisfeita com a visão de uma banana para comer, a Alana aproveitou para me avisar que se algum dia ela estivesse cheia de fome como a Matilde e eu lhe dissesse que tínhamos “um platano” ela me dizia para pôr o “platano” *####!**!!#!
Ofereceram-nos boleias e fizeram-nos muitos convites, mas a Matilde nem lhes deu hipótese e disse-lhes logo a todos que eram muito feios!!! Sinceridade acima de tudo!( A Vanessa? Na praia com o Juanma para ver o amanhecer, e depois afinal não, porque ficou com frio).
Já no quarto, não conseguíamos dormir porque não conseguíamos parar de rir! Estava também a Cristina, a esforçar-se por esquecer os beijos que tinha dado e principalmente a quem tinha dado, e nós, simpaticamente, a relembrar-lhe. A Vanessa a tentar angariar pessoas para ir com ela ao pequeno almoço. A Alana a dizer que não queria saber mais dos homens para nada porque não precisava de homem nenhum, enquanto mandava uma mensagem ao ex a dizer que tinha saudades dele. E o Manu a bater na nossa persiana e a combinar a hora do pequeno-almoço com a Vanessa através do vidro da varanda...

… Enfim, esta foi sem dúvida, uma dessas noites!

Comentários

mc disse…
hahahahaha
Na minha altura l'acqua faceva male e il vino faceva cantare... mas... Já estava realmente na hora de mudar essa frase tao puritana.. mas pronto.. comunque, aqui vai o grito de guerra:
"Bevilo tutto
Bevilo piano
Bevilo tutto piano piano

E l'ha bevuto tutto,
E non gli ha fatto male.
L'aqcua fa male
E il vino fa cantareeeeeeeeee"

(que saudades, bebe mt por mim!)
neuza disse…
Ahaaaaaaa! De volta às grandes aventuras :D já tinha saudades de histórias de noites loucas.

.......Gandalf?!...Não é o nome daquele velho gigante do Senhor dos Anéis?
lol

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