Festa de Inauguração do Verão (ou então não)


É fácil explicar as coisas inexplicáveis dizendo que não têm explicação. Mas como quem me conhece bem sabe, eu sou complicada ao cubo e não gosto de coisas fáceis. E uma vez que renego essa explicação básica, eis a hipótese que coloco: seremos masoquistas?

A Alana partiu para Londres por 10 dias, mas permaneceram as questões que ela levantou: “Why? Why do we keep doing this to ourselves???”

Sexta-feira à noite: grande festa de abertura do Verão na Essenza com inauguração da piscina!!! Relembre-se, porque eu parece que me havia esquecido, que da última vez que fomos à Essenza ficámos no recinto cerca de 6 minutos e meio e tivemos que pagar quase 30€ para um táxi nos trazer de volta.
Enfim, é festa de Verão, vamos todos, e pode ser que a música mude também seja melhor (bom, pelo menos pior sabemos que é impossível).
Além do mais, a Ana chegou directamente da queima de Coimbra a tempo de ir connosco para a festa (a interpretação do termo “festa” é subjectiva). E acontecimento dos acontecimentos, a Vanessa vestiu um vestido!!! E acontecimento, dos acontecimentos de todos os acontecimentos, a Vanessa vestiu um vestido, calçou saltos e levou mala (acessórios patrocinados pela minha pessoa). Claro que protestou e reclamou o caminho todo, mas valeu a pena. Passou e encantou! E ambas de amarelo, posso garantir que éramos as araras mais bonitas de toda a espécie!
Voltemos à acção!
A viagem de autocarro parecia o”300”, esse grande filme com homens em tronco nú a gritar “Auuu!Auuu!” e a bater uns nos outros. Mal o autocarro se avistou ao longe, lá foi a tropa toda a correr para a conquista de lugares sentados. “Temos que estar ali à frente, nas linhas de guerra, se não morremos!”dizia a Matilde! Ninguém morreu, mas houve uns que não conseguiram entrar.
Pior que o metro ás 6 da tarde para o Cais do Sodré, lá fomos que nem refugiados recolhidos pela cruz vermelha, com os devidos mantimentos (“magic bottles”). Nos rostos daqueles que lá fora nos viam partir, espelhava-se uma tristeza imensa, o desespero de não poder estar esmagado entre nós… o desalento fatal na boca aberta do Menchaca, a quem eu tentei fazer adeus (em sinal de esperança claro!) mas não consegui porque me era impossível movimentar os membros superiores. A julgar pela maneira como o motorista conduzia, o caminho devia estar cheio de minas, sem falar num tanque de guerra a perseguir-nos e em atiradores da CIA a carregar sobre nós, não fosse o Bin Laden ir escondido ali no meio! Ora curva e contra curva lá balançávamos e contrabalançávamos uns para cima dos outros, enquanto nos espetávamos os cotovelos mutuamente. E mesmo assim os espanhóis cantavam!!!
Mas foi só na Essenza que a música fico mesmo má! O “puf pa punf pa punf pa punf pa punf” reinava nas duas pistas. Agora abriram uma pista no exterior, óptimo, assim não derretemos enquanto morremos de tédio.
A Laura dizia que a música era melhor na pista de dentro, eu dizia que era exactamente a mesma música que cá fora. E nem sequer havia piscina! Rapazes giros? Eu cheguei a um ponto em que me recuso a responder a essa pergunta!
Foi tudo um falsete! Uma trapaça! E ainda esperámos uns 20 minutos na fila para entrar nessa festa de Inauguração de Verão, que não passou de uma campanha de publicidade enganosa com posters às cores!
Regressámos no primeiro autocarro.

Esta semana, encontrei uma rapariga italiana que tinha feito Erasmus na minha faculdade. Conheci-a no meu primeiro ano, quando eu ainda tinha namorado e esperança de que pudesse vir a gostar do meu curso. Ajudei-a 3 anos atrás, à porta da aula de semiótica, e agora ela pergunta-me se sou maluquinha e se vim para Siena para me suicidar. Não percebe como pude trocar o Lux e o Budha, o Art e o Loft, as docas e bairro, pelo Barone, a Essenza e a Piazza. Confesso que até a mim, às vezes, me faz alguma confusão. Pelo menos os exames são fáceis e os professores dão boas notas, dizia ela. Que, coitada, foi para Erasmus na Nova pensando em subir a média… Oh doce ilusão! Também ficou muito desiludida e a sua auto-estima sofreu fortes abalos, porque os rapazes portugueses não são “normais” como os italianos, ou seja, não nos chateiam nem nos perseguem pela rua.
Se as diferenças culturais não são a cor do mundo!

Hoje sou solteira, estou a acabar o curso e já sei que não fica melhor, pelo contrário. Mas mantenho esta mania da esperança, e é provavelmente isso que me move até à Essenza.
(É isso ou eu ser masoquista e não saber)…

Comentários

Alana disse…
OH MY GOD VANESSA LOOKS SOOOOOO NICE!! Good work ale :) the pic of her and juanma is sooooo sweet!

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