"Siena!Siena!Siena!!!"


Há sentidos que entram em nós e nos levam a viajar por aí… E escrevendo aqui e agora, ao som dos tambores das contradas, sei que é um desses sentidos que nos penetram, que ficam, e que um dia me vai trazer de volta a Siena….

Relativamente a termos mais concretos, o Siena fica! Kaká, Ibrahimovic, Totti, e outros que tal, vão todos regressar ao Artemi di Franchi na próxima época! A Robur garantiu hoje a permanência na Série A e a Piazza do Campo vai estar em festa (e nós vamos)! E eu, vou ver se os meus contactos no interior do plantel, com um jogador brasileiro claro está, me ajudam a conseguir uma camisa do Chiesa, e algumas fotos. A camisa é para mim, as fotos é a Alana que está toda entusiasmada. Afinal, já conhecemos os jogadores da “Mensana” (equipa de basket de Siena que está agora nos play offs do campeonato italiano) faltam-nos os de futebol! E depois seremos conhecidas mundialmente como “The 2 Als – players hunters”!
Mas enquanto não somos conhecidas e não temos lugares nas bancadas vip dos eventos, vamos ficando de pé e à chuva, como hoje, no estádio da “nostra Siena”.
Os bilhetes foram vendidos a 1€ porque a situação era de crise e a equipa precisava de todo o apoio possível (mesmo assim, apesar de composto, havia mais lugares vazios do que seria de esperar) . Uma derrota significaria a descida para a série B e um empate deixaria os “BiancoNeri” dependentes dos resultados de outras equipas. O jogo contra a Lazio, a 3ª classificada do campeonato, não se afiguraria fácil em circunstâncias normais. Porém, já que a Lazio tinha o 3º lugar garantido independentemente do resultado desta tarde, não se pode dizer que tenha dificultado muito a vida ao Siena.
O primeiro golo foi para a casa, Massimo Maccarone (o nome não deixa dúvidas quanto à nacionalidade) na concretização de um penalty. O resto da primeira parte foi contra todas as expectativas de quem tenha visto um Siena – Inter ao rubro! A chuva fez encolher as vozes e poucos cânticos se faziam ouvir. Chegou a ser vergonhoso que a meia dúzia de gatos pingados, lá do outro lado, na bancada da Lazio, faziam mais barulho que a metade da cidade que ali estava. A coisa animou quando o Enrico “old school” Chiesa entrou em campo na segunda parte, e lhe foi feita a devida referencia, porque “Dio perdona ma Chiesa no!”
Já o árbitro, só conseguiu ser insultado quando marcou um penalty contra o Siena. Quanto ao penalty, deu-me a impressão que o jogador da Lazio tentou falhar, mas a bola acabou por entrar depois de bater no poste. Um a um no placar e a chuva intensificou-se juntamente com as emoções! O Siena falhava oportunidade atrás de oportunidade, bolas por cima, bolas ao lado, bolas à barra, bolas ao poste. A cada minuto que passava, o desespero aumentava e cresciam os gritos de angústia. Foram pelo menos 5 jogadas de ataque consecutivas, inacreditavelmente desperdiçadas. Aos jogadores da Lazio só faltou chutarem para a própria baliza para ver se a coisa ia, mas isso era capaz de dar um pouco nas vistas. Quase em cima dos 40 lá houve uma jogada que resultou no tão esperado Goooloooo!!! (Altura em que acho que vi o Delio Rossi, treinador da Lazio fazer um sorriso). Por muito estranho que pareça, o guarda-redes não demonstrou ter ficado particularmente abalado com um golo a 5 minutos do final. E curiosamente, mesmo estando a perder por 1 à beira do último apito, não se viu nos jogadores aquele empenho de dar tudo por tudo para recuperar! Assim, como resultado final, estabeleceu-se a vitória da Robur por 2 a 1. O hino do clube ecoou pelo estádio repetidamente, os jogadores vieram celebrar para o perto do público, jogaram-se à relva, despiram-se, e foi nesse momento que a minha máquina decidiu ficar sem bateria, apesar das pilhas serem novas. Um senso de oportunidade mais que perfeito!
Entretanto, esqueci-me da dar dois detalhes importantíssimos que passo a relatar: a claque da Lazio tinha todos os cartazes de cabeça para baixo. Primeiro pensei “que estúpidos que são estes” e depois pensei que pudesse ser uma mensagem indirecta sobre o Siena descer de divisão (e então a estúpida estava a ser eu)…Também foi estranho que apesar de todos os guarda-chuva saltitantes, ninguém abandonou o estádio com um olho a menos (a emoção não foi o forte deste jogo!). No intervalo fui comprar um “panino de porcheta” porque constava que eram muito bons. A “porcheta” ainda se comia, agora o panino, era mais duro e mais seco que aqueles que nos davam no S.Luis depois dos jogos e que o treinador usava para limpar os vidros embaciados da carrinha (“Absorvem bem a humidade” dizia ele). Mas é sempre bom relembrar os tempos áureos das nossas derrotas basquetebolisticas!
Sentidos que nos fazem viajar…

Enfim, em espírito de últimos dias, não poderíamos perder o último jogo da época para o Siena. Nós fomos! (E os mórmon também, mas ninguém notou que eles eram mórmon. E desta vez foi um outro americano, não mórmon, que levantou dúvidas sobre o tempo suplementar. Parece que é uma cosia que os deixa mesmo confusos! Mas fazem-me sentir bem estes nossos amigos dos “states” quando perguntam estas coisas a que eu sei responder. Assim, até parece que percebo de futebol!)

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