Cap. I - Urbino (onde está a casa Natal do Rafaello)


Diz-se que nos menores frascos estão os melhores perfumes. Eu nunca simpatizei muito com essa metáfora. Mas devo dizer que de facto, por vezes, a beleza está mais nos detalhes e não tanto na grandeza. Mas devo acrescentar que, outras vezes, não…

Urbino é uma cidade pequenina. Á primeira vista parece quase igual a Siena: ruas apertadinhas a subir, casas com janelas verdes e paredes castanhas. Mas se olharmos com mais atenção, logo vemos que o castanho das casas de Urbaino tem um tom totalmente diferente do castanho das casas de Siena!
Em Urbino há a casa natal do Rafaello! Em Urbino há restaurantes onde o preço do menú sobe especialmente para os turistas. Em Urbino há uma geladaria onde os crepes são muito bons. E já mencionei que em Urbino há a casa natal do Rafaello?
O nosso passeio por Urbino foi feito em poucas horas, pelo chuva tocada a vento que nos penteava os cabelos, enquanto procurávamos um sitio para comer. Esse foi o objectivo que guiou toda a nossa passeata pela cidade! Ora só havia Pizza (e a Alana não gosta de Pizza) ora não havia Pizza (e a Vanessa só queria comer Pizza). Ora era rasca de mais (e a Alana parada à porta e olhando para dentro dizia, no seu estilo inconfundível, “I don’t want to eat in this hole”), ora era “posh” de mais…Ainda veio o Professor Oliva dizer-nos onde é que se comia bem e barato, acrescentando para dizermos à senhora do restaurante que vínhamos da sua parte. Em vão. Até podia ser bom, quem sabe, mas barato ficámos a saber que não era (e não tinha Pizzas). Uma hora e meia e um museu não sei do quê depois, acabámos por comer um hambúrguer no primeiro restaurante que tínhamos visto (e que eu tinha sugerido logo nessa altura). A senhora tentou cobrar-nos 50 cêntimos a mais cada hambúrguer, mas alertámo-la para o “engano” e ela respondeu que o engano era nosso, que tínhamos visto o menu do restaurante do lado. Porque com certeza que ela paga aos seus empregados para andarem a distribuir nas suas mesas o menu do restaurante do lado. Mas depois, como não encontrava nenhum menu do seu restaurante para confirmar a sua teoria, disse-nos, assim como se nos estivesse a fazer uma grande gentileza, que nos ia cobrar o preço que nós estávamos a dizer. A Alana já tinha os cabelos em pé, da humidade e da senhora dos hambúrgueres, mas como no fim ela acabou por nos cobrar menos 10 cêntimos do que o preço que estava realmente no menu, e como eu lhe implorei com os olhos, que não dissesse nada, desta vez ela conteve esse seu estilo retórico tão particular. Pelo menos dentro do restaurante, porque depois cá fora falou mal da senhora, dos italianos em geral e até do pobre do hambúrguer, que por acaso não merecia porque estava bastante bom. Depois do almoço ficámos a ver a chuva lavar a tarde, no quentinho de uma geladaria, cenário ideal para sessões fotográficas com palhinhas e coisas que tal.
Deixámos Urbino sem grandes intenções de lá voltar. E como por questões logísticas o Grupo Eramus nos trocou o programa, em vez de Rimini, fomos para Riccione.

E de repente… vimos o mar!!! A vida ganhou sentido outra vez e tudo valeu a pena! Voltar para o hotel com um terço da praia nas botas e ficar com o quarto cheio de areia, valeu a pena! Andar à saltitar à beira-mar com os cabelos ao vento, que ficaram embaraçados para o resto da semana, valeu a pena! Ficar sem tempo para nos arranjarmos a tempo do jantar e ver toda a gente a olhar para nós quando chegámos à mesa meia hora depois, até isso valeu a pena!

Et voilá! A pequena coisa que é ver o mar, imensidão da Terra, fez a diferença no nosso fim de semana!

Comentários

Ana disse…
Gostei muito mas quero saber o resto! A Vanessa disse que tinha sido o melhor fdx de sempre!! So por aqui nao me pareceu tao especial... Provem-me que estou enganada! Volto 6a WOO HOO***

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