"I love this game!"


Terça-feira de trovoada e a Alana liga-me: “Do you hear the weather?”
Tradução: “Por favor, diz-me que vamos de táxi para o jogo de basket!”.

Como previsto, o meu contacto no interior da equipa de basket (Shawn, o capitão da Mensana) deixou na bilheteira os 4 tickets que eu havia requisitado. Dois, nos melhores lugares, ao pé do banco, onde fiquei eu e a Alana, e 2 um pouco mais acima, onde ficaram o Matt e a Laura.
No fim da tarde, o tempo estava mais tranquilo e acabou por não se necessário recorrer à sucursal dos Irmãos Metralha em Siena (entenda-se o serviço de táxis) para alcançar o “Palazzo della Mensana”.
Muita excitação no ar, Alana e Laura (mórmon) iam a um jogo de basket pela primeira vez! O Matt é rapaz aficcionado do desporto, e eu, tirando todos os jogos em que tive de comparecer para jogar, não faço ideia de quantos outros foram os que vi. E mesmo assim, quando este jogo terminou, pareceu-me que era a primeira vez que tinha visto um jogo de basquetebol, A SÉRIO!
O pavilhão é pelo menos 3 vezes maior do que aqueles a que estou habituada na nossa terrinha, e pelo menos 3 vezes menor do que os da NBA (segundo o mórmon Chris, que como está a estagiar na Misericórdia consegue infiltrar-se de graça dos jogos, apesar de ter de usar aquelas batas cor de laranja muito pouco estéticas).
Devíamos ser umas 7 000 pessoas e 20 (os tiffosi da “Automática de Roma” também lá estavam num cantinho, completamente abafados pelo verde e branco) para assistir ao 3º jogo dos play offs da séria A, com o parcial de 1-1.
O jogo começou às 8.30 e a Mensana foi dominando toda a primeira parte, seguida sempre de perto pela Automática. Porém, pelo meio do 3º período, os romanos tomaram controlo do jogo! Já prevíamos o pior, com uma grande frustração, quando em cima do último minuto, cesto defesa cesto, e o nosso capitão, segurava a bola debaixo do braço, esperando o passar dos últimos segundos, com um sorriso no rosto. Tinham conseguido empatar! O prolongamento chegou e os nossos ritmos cardíacos já andavam lá em Marte! Tremíamos, gritávamos, batíamos palmas, assobiávamos, levantávamo-nos, fechávamos os olhos. Eu espirrava nos lances livres dos adversários. A avó ao nosso lado, que tinha passado o tempo todo de trombas até já nos sorria, e o bebé no colo dela batia palminhas. Dentro do campo, afundanços, turn overs, expulsões, recuperações inimagináveis e triplos, muitos triplos! Mas no fim do prolongamento, ainda não havia vencedor!
No início do segundo prolongamento, eu já estava aflitinha para fazer xi xi, mas não podia sair dali nem por nada. A Alana ao meu lado suava de emoção, escondendo-se atrás de um lencinho branco nas alturas mais críticas e dizia-me “Oh I hate this game, I can’t take this anymore”! Eu garantia-lhe que agora eles iam ganhar, já estavam com 6 ou 7 pontos de avanço. A claque, toda em tronco nú, confirmava a minha teoria com os cânticos tradicionais italianos e não só “Una squadra fantástica! Una squadra belíssima! Forza Siena alèèè..”. Parece-me que já ouvi isto lá para os lados de Alvalade…
O nosso capitão foi expulso! Os melhores jogadores do Siena estavam no banco por 5 faltas. Restava apenas o base Mcintyre#5, que foi quem segurou a equipa até ao terceiro prolongamento. É verdade, ainda não foi no segundo tempo extra que cessou a nossa aflição. Foi então que eu não aguentei mais e tive que ir fazer xi xi! No 3º prolongamento descabelámos os poucos cabelos que ainda mantínhamos ordeiros, perdemos a compostura, demos as mãos, roemos as unhas. A criança a meu lado insistia em atacar a sua avó com um panfleto, mas nestas idades a pontaria ainda não está bem afinada e não poucas vezes, fui atingida. A Al abanava-se na cadeira e resmungava “Take that child away from me!” “I hate this game! This is it for me! I can’t take it!” “Take a picture of number 4 with zoom cuz I wanna see if he is relly handsome!”.
E pronto, 5 minutos depois, já perto da meia-noite, pudemos enfim saltar de alegria e aplaudir de pé com o resto do estádio.
Mensana 114 – 108 Automática.

Até ontem, os jogos mais emocionantes que eu tinha vivido, foram 2 clássicos contra Olhão. Num deles, fui expulsa (injustamente) e estávamos a perder por 3 quando a Rita, no último segundo, marca um triplo! Íamos a prolongamento! Mas se um dos árbitros tinha assinalado triplo, o outro dizia que não! E como em Portugal os árbitros de basket são mal pagos e não ganham horas extra, perdemos o jogo por 1 ponto! Numa outra ocasião de cortar, literalmente, a respiração, estávamos a jogar contra Olhão em Olhão (o que significa jogar também contra os paus de giz que as mães das adversárias nos atiravam) quando eu, no banco por expulsão (outra vez injustamente!), só vejo a Marlene “Poborsky” a apertar o pescoço da Rita!

Bom, a Alana descobriu que o basquetebol é o seu desporto favorito e até já queria ir a Roma ver o jogo de Quinta; a Laura, que é daquelas pessoas que chama golos aos cestos, achou um máximo mesmo sem ter percebido grande coisa do que se passava; o Matt até me pegou ao colo no fim, e eu, só tenho a dizer, que foi o melhor jogo de sempre!

E hoje vi-nos na televisão, no canal 3, onde passam os jogos do Siena! Agora somos famosas em Itália! Muita classe! ;p

(Ah! E a Rita sobreviveu à tentativa de estrangulamento, sem traumas nem mazelas, embora nem sempre possa parecer. Mas quem a conhece sabe que ela já era assim antes…)

Comentários

Anónimo disse…
Hoje cá em Portugal é feriado. è dia de festejarmos o corpo de Deus.
Rita disse…
ainda acordo a estrebuchar a meio da noite, a sonhar com aquela garra pútrida no meu pescoço.

Agora k falo nisso, n sei se ando a sonhar c a Marlene se com um Dementor...

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