O princípio do fim...


Contam-se os dias, contam-se as estórias e as fotografias. Mas por muito que se conte, há sempre algo que fica por contar. Porque há coisas, que não se prestam a contagens.

Vivem-se tempos difíceis em terras de Palio.
Com a chuva que anda a cair há já uma semana, os cabelos ficam horríveis, os sapatos ficam molhados e as roupas de Verão não podem sair à rua. (Sem contar que hoje é Domingo e depois de me deitar às 5, acordei ás 9 da manhã com os belos dos tambores).
Para piorar a situação, cada olhar meu tende a perder-se agora em recordações passadas, incorporando os últimos suspiros do sopro final destes dias de Para Sempre. Choro.
Choro porque o conto de fadas está a chegar ao fim. Poucas semanas restam para abandonar o castelo. Mas se choro por isso, então choro porque foram dias felizes. Porque lo passe de puta madre, porque I had the time of my life here, porque ho veramente vissuto la dolce vita!
Cada milésimo de segundo valeu a pena. E pelas minhas contas, se me restam 27 dias, sendo que cada dia tem 24 horas, cada hora tem 60 minutos, e cada minutos tem 60 segundos, então, ainda tenho 2 332 800 segundos, 38 880 minutos e 648 horas, para viver ao máximo. Quatro semanas para extrapolar a intensidade de cada momento!
Sim, as memórias são lindas, mas é em fazê-las que está a maior beleza!
Assim, decidi que não vou chorar mais a pensar em quantas pessoas posso não voltar a ver! Sei de antemão que não vou conseguir, a lagrimazinha há de estar sempre à espreita na calada das íris. Mas também sei que esta terça vou ver um jogo dos play offs da “Mensana”; que tenho uma campanha de marketing e um plano de comunicação para fazer, mais um exame oral sobre a Administração Pública italiana; que tenho de ler 3 livros e um ensaio, e ver mais 13 filmes a preto e branco para um outro exame oral, de cinema; que esta quarta vamos ter uma festa porque os amigos do Tom se vão embora; que vamos fazer um jantar mistério com um jogo que a Laura comprou de propósito em Londres; que vamos finalmente jogar basket; que a minha casa vai ter novamente visitas e quem sabe até o pai do Menchaca; que vou mudar de casa a meio do mês; que vamos em mais uma viagem do grupo erasmus, a derradeira “gita”, a Pompeia, Nápoles e Capri; que temos uma festa de despedida dia 22 para a qual vamos vestidos de gala e tudo; e que ainda vou receber uma amiga na minha nova casa (Mi espero por ti)!
E isto são só as coisas que estão planeadas! Porque nesta vita “erásmica” as ocorrências são quase sempre imprevistas, vivemos à base de surpresas, e é isso que faz com que seja tudo tão mágico!

Sei então, pela quantidade de tarefas e eventos que se avizinham, que ainda tenho tempo de sobra para escrever muitos episódios nesta fábula, e muitos posts neste blog.
E ao mesmo tempo sei, que tal como me parece que foi ontem que cheguei, amanhã já acabou tudo.
Mas felizmente também sei que, como diz o poeta “… não tem que ser eterno, basta que seja infinito enquanto dure…”

Legenda: la contrada mia,la via mia, la casa mia: onde eu vivo tudo o que tenho vivido

Comentários

Enes disse…
Alexandra, meu amor:
Posts desse género deviam ter um aviso: cuidado, material perigoso para ex-erasmus!
Não me fales de goodbyes, de trancar a porta pla ultima vez, de abraços cheios de lágrimas com promessas de visitas futuras. Não me fales disso ou eu choro também.

Tenho que corrigir: não sou ex-erasmus. é só que, por estes tempos, guardei o espírito mais lá para o fundo do baú da consciência...enfim...
Um beijinho cheio de saudades
Carla disse…
alexandra kirida... vou paí po ano... gostei de ter ido a italia agora e a minha vez de ir pai estudar. Vou para o politectico de torino :) e este verao TAVIRA :)

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