As piquenas

Para aquele olho menos atento que ainda não reparou, ali do lado direito na direcção do Pólo Sul, está escrito quem eu sou. E está escrito quem eu sou, porque está escrito onde estou, pensando nos potencialmente interessados em encontrar a minha pessoa (eu incluída, que ao anotar a direcção, certifico-me de que não me perderei de mim. E depois, dá sempre jeito saber onde estamos…).
Em resumo para quem não leu, eu sou aquela que está nos lugares que não se vêm mas pelos quais nos apaixonamos. E em resumo para quem não percebeu, este blog não é um jornal, não qualifica como documentário certificado pela national geographic, nem tem quaisquer pretensões de crónica histórica. Motivos pelos quais, dispensa fielmente a fidelidade aos factos, e conta-os com a voz da imaginação. Não são verdades de mentira, nem mentiras verdadeiras. São palavras que valem aquilo que todas as palavras valem, que é a interpretação que lhes damos, e nem uma vírgula a mais!
São textos abertos, como todos os outros textos, e tal com esses, vão sempre a meio, encadeados uns nos outros e sem encerrar nada nem ninguém.



Sexta-feira bati todos os recordes! Levei 3 horas para chegar a casa e tive que mudar de “ônibus fretado” 3 vezes, sendo que em uma delas fui praticamente expulsa do recinto “autocarrial” por uma passageira que, ao telefone com a responsável por aquela carreira, me indicou que descesse numa esquina escura, no meio de nenhures, rodeada de “baianada”, como diria a minha prima. A passageira alegou que o”cliente” me ia buscar ali. Abandonei o veículo pensando em como raio é que eu, que sou o cliente, me poderia ir buscar a mim mesma a um sitio que até agora não sei onde era. E por estas e por outras é que é sempre bom, como se encontra supra mencionado, sabermos onde estamos…
No fim, veio um autocarro vazio só para me buscar. Era todo branco excepto a parte de trás, que era toda azul. Como nas coordenadas da esquina em que eu me encontrava só conseguia vislumbrar a parte de trás (toda azul), foi com dificuldade que alcancei o autocarro todo branco, ao qual se referia a senhora responsável por aquela carreira, enquanto falava comigo no telemóvel.
A estória do fds por sua vez é bem mais curta. Foram só dois dias! Num deles conheci a minha avó (parte espanhola da minha multiculturalidade) e no outro, foi dia dos pais no Brasil! O dia dos pais trouxe almoço de família, com bacalhau assado e muitos doces! Tudo temperado com aquele jeito especial das crianças. No caso, as minhas duas primas pequenas, armadas de postais para pai e avô, com letras em estilo terramoto e traços de abstraccionismo lírico, que põem a um canto, qualquer Picasso ou Van Gogh. E se nem Kandinsky ou Monet podem ser comparação, também os irmãos Lumiére, e os Monty Phyton porque não, se sentiriam ultrapassados pela qualidade das curtas-metragens que elas filmaram, com a câmara fotográfica desligada, montada num tripé, que só por si, era quase maior que as duas juntas. E qual Audrey Hapburn qual Marlyn Monroe! Bia e Ma, encenando, dirigindo, e actuando, nesses futuros êxitos de bilheteira (na sequência da câmara fotografia desligada).
No final resta-me admitir, que nem o próprio Pessoa deria dito melhor ou mais bonito:

“Vôvô! Vou fazê uma foto dji você! Txira uzóculos, olha prá mim e fingi qui tá inxergando!”

Segunda-feira veio como uma surpresa, das menos boas. Mal sabia eu, que a semana passada, quando escutei o Gu a falar sobre a depilação completa que tinha marcado (e os receios e angustias a ela inerentes), sobre as meias de rede pretas e os sapatos cor-de-rosa de lacinho que ele queria arranjar para a sua performance na festa da peruca, seria a última vez que o ia ouvir. Pelo menos enquanto meu co-worker, absolutamente, totalmente, assumidamente e orgulhosamente… gay!
Lá gay ele há de continuar, que vocações descobertas aos 7 anos a jogar salada mista (o bate pé brasileiro) têm, a meu ver, índole duradoura e consistente. Porém, co-worker deixou de ser. Deu-lhe aquele famoso chilique do “tou farto desta piiiiiiiii toda” à qual ele provavelmente terá chamado, em pensamento, "mérdi" ou algo do género.
Foi um alvoroço o dia todo, foi o que foi… e foi-se o Gustavo e ficou um vazio na cadeira da frente…
Para compensar, a sala encheu-se de vida, em razão de uma planta que lá instalaram, verde e esguia, de ramificações hirtas e revoltadas, que me atacam de surpresa cada vez que eu cruzo a porta da entrada.

Aproveitando que hoje comecei recorrendo à fisionomia do meu blog, gostaria pois de concluir dizendo que o Menchaca não é um traficante, que a Vanessa não é uma pessoa agressiva, que a minha prima de 6 anos não faz ideia do que seja maconha, e que assim se desmistifiquem estas e todas as outras lendas que os meus posts possam ter alimentado…
As letras não são para serem levadas ao pé, são para deixar voar, como papagaios de papel.
E aqui, não poderia concluir se não ali, no cabeçalho: "são sempre as mesmas experiências e são sempre outras, novas e diferentes, nas palavras que as contam..."

Comentários

Ana disse…
Feliz dia dos Pais no Brasil!!
E um feliz dia pa ti tb**
Lolly disse…
lol a senhora de teoria do texto (hj textualidades) de cujo nome não me consigo recordar (seria Babo?) ia ficar tão orgulhosa da minha Xanete!! :D Os textos são sempre abertos...aposto que esta nem todos sabiam :P Lol aos poucos lá vamos descobrindo um uso para toda a informação preciosa acumulada nas cadeirinhas da FCSH ;)
*********************biju xuxuuuuuuuuuuu
Ness disse…
LOOOL Ainda bem q já posso sair de casa agora q final/ desmistificaste essa minha faceta agressiva (q na verdade até existe, mas só quando se trata de lidar com italianos bem italianos dp de beber um bocadinho d vodka do consorzio agrario, portanto não creio q possa voltar a viver tal experiência, o que por um lado até me entristece, é uma daquelas coisas q ficou em Siena e não volta mais...)
Quanto ao Menchaca, não é efectiva/ traficante, m eu se fosse a ele começava a considerar essa carreira, pq, pelo q ouvi, com o q não anda a estudar por estar sp fumado e borracho, talvez nunca consiga acabar o curso e não tenha outra opção. Ai saudades!...

Btw, 6a passei o pior dia da minha vida em lx a procurar casa e acho que vou ficar a odiar a tua cidade antes mesmo de ir p lá...

=)***

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