Buenos Lindos Aires

Aterrei no aeroporto de Ezeiza, fui aos táxis do Manuel tenda León, e depois… apaixonei-me assim, sem me dar conta…

Quando cheguei à Recoleta devia ter ficado a dormir, mas não! Fui com o Leo, o primo da Matilde, ao supermercado, fazer comprinhas básicas para a festa de Sábado à noite. Claro, onde eu chego há festa! Por acaso a dita festa era para comemorar o aniversário do Leo e portanto haveria comigo ou sem-migo, mas isso não interessa nada. O supermercado é bem mais civilizado que nas Europas, têm uma série de ocinhos e bolinhos expostos sem qualquer redoma e ninguém rouba nenhum! Não é como em Siena onde a muitos amigos meus só faltou roubarem as prateleiras do Conad (mas como o Conad é do Berlusconi não faz mal, porque ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão!). Alem disso, neste super-mercado dão desconto a quem paga com cartão de crédito e ainda levam as comprinhas todas a casa sem cobrar nem um peso a mais por isso!!! De modo que eu, ainda só tinha conhecido o supermercado e já estava encantada!
A Macarena, irmã do Leo, chegou muito depois porque ficou presa na faculdade. Vinha revoltada que um dos empregados tinha trancado as salas e ido embora sem se aperceber de que ainda lá havia gente, e mais revoltada ainda por não a terem deixado sair pela janela!
Enquanto ela foi descarregar toda a sua revolta num bolo de chocolate (que posteriormente se revelou divino) o Leo levou-me a passear pelas redondezas, na Plaza Francia. Jardins, feirinha, música nos jardins, o São Martinho montado num cavalo, e uma exposição cultural transcendente a tudo, à base de experiências audiovisuais alternativas. Sabem aqueles sonhos onde vamos andando por corredores e salas e nada faz sentido? Pois era mesmo isso! Coisas penduradas no tecto, televisores que mexem, e uma sala com uma banda p’ra lá de Punk e o público sentadinho e quietinho, como se estivesse a ouvir a orquestra da Gulbenkian.

A noite valeu por todas as noites que eu não tive em São Paulo! Bebi farnel e tivemos a jogar à mímica (em espanhol da argentina) até às 3 da manhã. Isto parece fácil que mímica não tem língua né? Pois então experimentem adivinhar a província de Tucomano ou cabanas de barro que já nem me lembro como se chamam… Mas no geral correu bem, muito bem, e as minhas performances como lantejoulas e verruga ficaram para a história da noite!


Argentinian Girl Power!

Para a discoteca sai-se à hora que em Siena se ia para casa. Três da manhã lá estávamos, na “La Diosa” onde os chicos vêm com tudo já dando a mão ou agarrando pela cintura, ou até puxando o cabelo (o que felizmente não me sucedeu). A música é bem espanhola dança-se muito, bebe-se muito, ri-se muito! (E os pés e as pernas também doem muito!).
Quando saímos já era dia. O sol brilhava no céu azul de Buenos Aires, o relógio marcava 7.30 da manhã (hora a que eu estaria, num dia de semana, a chegar à empresa), as pessoas decentes estavam a ir para o trabalho e atrás de nós a música continuava a tocar…

Acordámos relativamente cedo (11/12) para alguém que se foi deitar às 8 da manhã…
Seguimos para Palermo Hollywood. “Pero Palermo no es Hollywood” insistia a Macarena, num sentimento patriótico! Um dia lindo, os bares transformados em loja para o dia, as ruas transbordando de feirinhas, de música e de bailarinos, e as lojas cheias de coisas bonitas e tão baratas, que até dava pena não comprar! Pois é, quando 1 euro vale 4.60 pesos, a Argentina é o melhor lugar do mundo para se estar!
De Palermo fomos para San Telmo, onde havia uma feira de antiguidades e mais gente a dançar pelas ruas. Fomos a um “puterío” de marionetas, fizemos várias comprinhas, coisas básicas e quando desaguámos no rio de La Plata, eu já estava conquistada! Rendida aos ares, às cores, às pessoas, às ruas…
“Señorita, el rio de La Plata” informou-me a melhor guia que me podia ter calhado. E toca de ir comer “Pandiolita” à beira rio, onde, como não podia deixar de ser, havia mais música e mais gente a dançar! Eis Buenos Aires, a cidade que nunca para de dançar! E qual barraquinhas da 24 de Julho, qual Pão com Chouriço de Faro, qual pastel da feirinha da paulista, as “pandiolitas” é que é!!! È uma sandes, mas é muito mais que uma sandes! Porque é tão boa que nos sujamos todos a comer, fazemos cara de Shrek em cada dentada, ficamos com migalhas e pedaços de carne no meio dos dentes e mesmo assim, queremos comer outra!
Mais tarde, o Leo veio ter connosco ao restaurante na Escoa de Belas Artes, onde eu comi o meu primeiro assado, que é o prato típico da Argentina! Tirado o fígado frito e uma ou outra parte menos ortodoxa dos animais, é bastante bom!

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer! (O bolo de chocolate anteriormente referido também contribui bastante para o crescimento lateral). Mas no meu segundo dia de Buenos Aires, um temporal havia-se instalado durante a noite. E foi com muita chuva que conheci a avenida famosa que lá têm em minha homenagem, a AV. 9 de Julho.
Passámos pela Praça da República, pela Avenida Maio, pela Catedral e pelo Café Tortoni, pela “Casa Rosada” e pelo Obelisco, pelo Congresso e pelo Ministério da Economia que tem uma parede cheia de balázios. Vou então contra a estória dos balázios na parede: a situação andava preta na argentina e o povo, revoltado, sacou das caçadeiras e foi protestar a Ministério da Economia, mas nada disso como quando os funcionares públicos fazem greve e tudo o que fazem é atrapalhar o trânsito! Aqui as pessoas têm raça e começaram foi a disparar contra o edifício, obrigando o ministro a escapar de helicóptero, caso contrário os balázios não teriam feito marcas só na parede…
Apesar da chuva que me virava o guarda-chuva ao contrário e do céu carregado que fazia as fotografias saírem todas escuras, Buenos Aires não perde o charme! Ficava ainda mais romântico, mais misterioso, com as suas avenidas largas rodeadas por árvores e cafés, fazendo lembrar os boulevards parisienses. E eu e a Macarena duas “flaneurs” passeando à chuva e fechando o “para-aguas” a cada raio de trovoada, por las dudas…

Foi neste dia invernoso que tirei uma fotografia com os "pumas" a selecção de rugby da argentina que está a dar que falar, e que provei o meu primeiro Mate, preparado com muito carinho pela Macarena, e servido no recipiente típico, com a palhinha de prata e tudo! Ela veio toda entusiamsada explicar-me como se faz, comos e sabe que está bom e eu, delicadamente, disse que tinha um sabor “diferente”. O diferente transformou-se em “estranho” e o estranho virou “chá de espinafres” o que causou uma certa revolta na minha anfitriã. Que até hoje não se conforma que eu não tenha gostado do Mate e ainda tenha dito que parecia “té de espinaca”. O que eu sei é que desisti de imediato da ideia de levar os kits com a tacinha e o chá Mate, para oferecer de lembrança. Ninguém merece uma prenda dessas!
Foi também no dia do temporal que descobri que se tudo o resto falhar, posso, de acordo com os senhores da casa de cambio, ir para Buenos Aires dar aulas de português, que vou ter muitos clientes!


Foi já com uma certa nostalgia que acordei no meu último dia na cidade que eu descobri ser a minha preferida, à parte de Siena, pela carga Erásmica. Seguimos para Costa Nera, para me despedir do rio e comer a minha última Pandiolita. Daí fomos para o Bairro La Boca, onde ficam a Bombonera e o Caminito. A Bombonera é o Estádio desse grande clube que é o Boca Juniors, embora a “cancha” em si, não seja tão grande como isso. Na verdade, fica como que no meio de uma favela e é minúscula, como uma caixinha de bombons, daí o nome.
Já o Caminito, as ruas mais adoráveis que eu já vi! Todas pequeninas e coloridas, com muitos quadros, muitos cafés, e muitas lojinhas. Estavam lá o Maradona e a Evita, e o Carlos Gardel que na realidade não é argentino, mas é como se fosse. Passeámos por todas as ruazinhas, encontrámos uma excursão de franceses que rejubilou por ter li mais alguém do velho continente, entrámos nos conventillos (que de sagrado não têm nada) e tirámos muitas fotos! Fotos com nós, fotos com nós e os cenários de cartão que lá estão (mas não é de graça não!) fotos com nós e com os bailarinos de Tango que também lá estão (e que também não são de graça).



Foi então numa onda de tango, que disse adeus à Argentina. Mentira! Não disse adeus, disse hasta luego….


Este é o espírito!!!


Cheguei a São Paulo há uma da manhã. O voo da TAM atrasou uma hora e mais outra hora e tanto porque o tráfego intenso aéreo o fez desviar para o aeroporto de Campinas, até o Internacional de São Paulo lhe dar autorização para aterrar (o que levou o seu tempo). Havia um senhor inglês em pânico porque lhe tinham dito que São Paulo era uma cidade muito perigosa e porque não percebia nada do que se estava a passar. Bom, nos dias que correm eu já me dou por satisfeita de chegar ao destino, seja a que horas for.

E eu cheguei. Cansada, com sono, com a aquela tristeza do “acabou-se” e já com saudades do Leo e da Maqui, e do bolo de chocolate e da casa na Recoleta e daquilo que não sei explicar mas pelo qual me enamorei completamente!



There is something about Buenos Aires...

Comentários

Enolough disse…
Um Nobel dos blogs para este post! :)
Bandoneón disse…
Bueno, Piba...és decir, a lo mejor, catapum!!!
Eloi Roveri Filho disse…
Alê,que bom que em B. Aires vc se distraiu e tirou a ´´Zica´´ de tudo que não foi tão bom por aqui´´, alias não sabia que estava tão ruin assim ..., esperamos que vc, tenha ao menos aproveitado um pouco a nossa companhia,a Flá, Eu e todos nossos amigos adoramos vc e tbé adoramos o seu ´´jantar giro ´´ Portugues com os ´´Passsstéissss d´Belém´´, hahahahaha !!! - eloi_som@hotmail.com.br e flavia_barreiros25@hotmail.com.br
joao disse…
there is something about u...(joao)
Enes disse…
QUERO IIIIRRRRRRR!!!!!!
Anónimo disse…
Aprendi muito

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