Reconecting to Lisboa!

Já me tinha esquecido de que às 7.30 ainda não é de dia nesta época do ano... e foi passeando com a minha amiga Matilde (a argentina que conheci em Itália, que foi viver para Barcelona e que agora estuda em Salamanca)que me lembrei de como é bonita Lisboa, de como gosto da nossa comida, das nossas ruas,das noites, do Tejo... e ali, no meio da multidão, enquanto ouvia um mix electrónico de Xutos e Pontapés, lembrei-me de como é bom ser daqui, de como é bom viver aqui!



Acompanhem-me então neste city tour pela primeira vez da Matu em Lisboa:

Itinerário – Algés, Belém e pastéis, Baixa, Avenida da Liberdade, Bairro Alto, Polícia, BBC, Cristo Rei, Castelo, Chapitô, Sé, passeio de eléctrico, Festa do ISCTE, fila de um km, Bairro outra vez, Festa do ISCTE de novo (sem fila), Queluz, Palácio da Pena, Cabo da Roca, praia do Guincho, Cascais.

Informações gerais:
O meu amigo João literalmente conduziu-me até ao aeroporto para ir buscar a Matilde. Como o voo de Barcelona estava atrasado sentámo-nos num café. Até que de repente, o meu amigo João, que nunca na vida tinha visto a minha amiga Matilde, me diz: “Olha vem ali a tua amiga!”. Olhei para trás e avistei uns olhos azuis perdidos nas chegadas da Portela…era ela!!! (Afinal voo vinha de Madrid e não de Barcelona).
Na noite de estreia de Mati pela calçada portuguesa, com a qual viria posteriormente a desenvolver uma relação de amor ódio, fomos de saltos para o Bairro Alto, apesar das contra-indicações.


"Ale que bonito eso!"- comentou a Matilde em relação ao passeio- "É a calçada portuguesa" - respondi eu, com orgulho. lembrando-me de alguém que fez um trabalho de semiótica sobre isso..passados alguns momentos, ela diz-me num tom de desespero- "Pero es todo así???"
Ainda a propósito da calçada portuguesa, agarrada a um corrimão descendo a rua do Castelo "Ale muy bonita la calçada portuguesa pero me calgo en la calçada portuguesa!!!" ou, na Serra de Sintra "Entre esto y la calçada portuguesa..."

Com todas as discotecas a que eu a queria levar de portas fechadas, ou com gente pouco cativante na fila de entrada, decidi levá-la ao BBC, um espaço novo que abriram em Belém na minha ausência. Na entrada para o táxi um jovem aborda-nos perguntando se nos importamos de dividir o táxi com ele e o amigo que também vão para o BBC! Como eu disse que não me importava ele entrou no táxi e indicou ao motorista “É para o BBC mas ficamos naquela ponte de peões sabe qual é?” “Aqui quem manda são as senhoras” “Não, agora sou eu que estou no comando” “Faça o favor de sair do táxi” “Quero saber porquê” “porque eu estou a dizer-lhe para sair” “Recuso-me a sair do táxi sem uma razão. Eu não lhe faltei ao respeito!” Já lhe disse, saia do táxi ou levo-o à polícia!” “Então leve! Quero ver que queixa é que vai apresentar contra mim! E o senhor sabe quem é o meu pai!” “Eu quero lá saber quem é o seu pai, eu vou levá-lo p’rá esquadra!” “Pois então leve, leve!” – nesta altura intervém o amigo, desesperado “Eeeeh pute.. não me faças isso! Vamos sair do táxi, não vamos agora para a polícia…” e enquanto a discussão desenvolve para cursos superiores a Matilde pergunta-me se estão a discutir porque o taxista quer fazer um caminho e o rapaz quer fazer outro. Eu digo que depois lhe explico porque se eu lhe dissesse em espanhol que estavam os dois a discutir porque eram ridículos, eles podiam perceber e não achar muita piada. Dali a pouco bem dito bem feito, estávamos na polícia. Toda a gente lá fora a discutir, os polícias chateados e com pouca paciência para aquela estória e a Matilde a dizer que queria tirar uma fotografia. Eu disse que era melhor esquecer a fotografia e prestei o meu depoimento enquanto única testemunha presente, falante de português.
Bom como “as senhoras não foram parar à esquadra de livre e espontânea vontade” o polícia ordenou que não pagássemos nem mais um cêntimo pela viagem. O nosso “amigo” pendurou-se na janela do táxi para reforçar essa ideia “se eles vos cobrar mais não paguem” e lá recomeçou o drama “Senhor polícia faça-me o favor de retirar este indivíduo da janela do meu táxi”.
Pelo menos a Matilde desistiu de tirar fotografias!
Já no BBC, entrámos sem pagar porque o porteiro simpatizou connosco e bebemos sem pagar porque ao migo de um amigo era barman! Encontrámos actores, cantores e modelos, que eu expliquei detalhadamente à Matilde quem eram, e de repente, quando eu lhe estava a indicar quem é a Merche Romero (que a propósito ela achou feia), encontrámos o nosso amigo do táxi!!! Ele veio-me perguntar se eu não achava que ele tinha razão e eu disse que sim claro, tal como tinha dito ao taxista…
No regresso a casa a Matilde teve oportunidade de conhecer o verdadeiro taxista português, aquele que passa vermelhos e limites de velocidade, que nos chacoalhar de um lado para o outro nas curvas e que vai em contra mão.



A estadia da Matilde foi curta mas o texto já vai longo. Vamos só mencionar que salimos de fiesta em grande no Sábado à noite, no bairro e no ISCTE, que a Matu teve um ataque repentino de soluços que assustou o motorista do táxi e que no Domingo acordei, depois de 3 horas de sono, com a cabeça às voltas e a rir sozinha. Afinal, essa é a melhor maneira de acordar! A Matilde acordou menos sorridente, com dor de barriga e foi o caminho todo pela Serra de Sinta agarrada a um saco de plástico! Mas acabou por melhorar e amou o passeio! Diz que se vai casar com um português, que vai voltar a Sintra para ver a Quinta da Regaleira e participar de algum culto nocturno e que quer ir fazer Erasmus para Cascais!
Eu entretanto descobri que, se tudo o resto falhar, tenho um futuro brilhante como guia turística!

A Matu foi embora hoje de manhã bem cedinho trouxe-me saudades de Itália e deixou-as por aqui…


She is gone... but I’m back in town!

"As saudades que eu já tinha
da minha alegre casinha
tão modesta como eu
meu Deus como é bom morar
no rés do primeiro andar
a contar vindo do cééééu!!!"

Comentários

Lolly disse…
E as saudades k a gente k vive pos lados da tua casinha (bastante para os lados) tb já tinha de ti ;)
beijoka tuga*******
Tiago disse…
É muito bom saber que já estás de regresso a Lisboa! Espero ter a oportunidade de nos voltarmos a encontrar. Beijos

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