Faço minhas as palavras do Billy Joel



Quem é que nunca ouviu falar nas Brumas de Avalon? Quem é que nunca imaginou essas névoas místicas envolvendo as sacerdotisas nos seus círculos mágicos da lua e do sol?

Foi uma bruma mais ou menos mística (isso depois depende da perspectiva) que nste Domingo envolveu o micro-ondas da minha cozinha de Lisboa.
Mas antes de desenvolver este acontecimento, é necessário recorrer a uma pequena analepse sobre um outro evento, não menos místico: há alguns anos atrás, eu e a Neuza estávamos na minha cozinha de Faro a fazer croissants para o lanche. Eis se não quando, o signo fumo começa a emergir da torradeira significando o significante fogo ( e por isso é que a minha professora de sistémica sempre enfatizou que a dita cuja “torradeira é mais estúpida que o termóstato!!!). Mas nesta altura eu ainda não sabia o que era a sistémica e desconhecia igualmente os triângulos e quadrados semióticos de Peirce e do Saussure. Aliás, nesta altura, a minha certeza era apenas uma: “Neuza! A torradeira está a arder!!!”. Desliguei-a da tomada e num ápice de inteligência achei por bem deitar-lhe água para cima. Felizmente a Neuza estava lá, impedindo que eu provocasse um curto-circuito. “Dá-me uma faca” dizia ela “Uma faca?” perguntava eu, enquanto a torradeira ardia. “Dá-me uma faca!” insistia ela “Mas para quê???” retorquia eu, atónita, enquanto a torradeira continuava em chamas. “Alexandra, dá-me uma faca!!!” “Toma lá a faca!”. E foi então que a torradeira parou de arder, quando a Neuza, com uma faca, retirou o croissant em chamas do aparelho. Soprámos o alimento em conjunto e assim apagámos o fogo.
Este havia sido, até hoje, o maior incidente culinário da minha vida. E a culpa nem sequer foi nossa: a torradeira não tinha sido limpa e foram as migalhas acumuladas nas barras de calor que despoletaram o incêndio.
Hoje fui ao supermercado com a minha irmã. Comprámos chocolate de cozinha para fazer uma espécie de fondue. Pus o chocolate a aquecer 5 minutos no micro-ondas. De repente, não mais que de repente, olhei para o lado e constatei, com grande espanto, que uma imensa bruma (como aquela que envolve as sacerdotisas de Avalon) estava a envolver o micro-ondas da minha cozinha de Lisboa! Era intensa, e sobrevoava “misticamente” por toda a cozinha. De tal modo que se os vizinhos fossem atenciosos teriam chamado os bombeiros. Aos quais nós não diríamos que deixámos o chocolate queimar no micro-ondas mas sim que a chaminé não funciona, até porque a minha mãe reclama disso muitas vezes…
Mas a situação foi rapidamente controlada e tirando a parte bronzeada tostada queimada esturricada carbonizada, do meio, tínhamos, efectivamente, “uma espécie” de fondue.
Janelas amplamente abertas e voltou a ser possível respirar. Embora o cheiro místico, próprio de tais ocorrências, ainda paire no ar e nas cortinas da cozinha.
Para não ferir susceptibilidades (nomeadamente a entidade paternal) optei por não publicar imagens da tragédia (até porque não houve quaisquer danos físicos ou materiais).

É de realçar que a minha irmã se opôs veementemente à publicação desta estória e quer deixar bem claro para todos (nomeadamente para a entidade paternal) que era eu que estava no comando das operações.
De resto, espero que isto sirva de exemplo para todos vocês que compram chocolate de cozinha: ele demora bem menos do que 5 minutos para derreter no micro-ondas!

Comentários

Lolly disse…
lol porque o fumo é um índice de fogo!! E quem diria que tantas porcaria acumulada em CC poderia salvar uma cozinha? Viva CC, o Mourão que te salvou a vida (que irónico!) e o termostáto que não tens mas que te vou dar pelo Natal com os apontamentos de semiótica embrulhadinhos em papel de lustro lol!!
Tiago disse…
Já que andas p Lx, achas que nos podemos encontrar?
Um beijo
Tiago
ruitio disse…
oi
hamburgueres pre-cozinhados tb são assim: deitam fumo e ficam reduzidos a uma pedra negra.Convém ver o rótulo e não trocar 1 minuto por...5!
bjokas

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