O meu primeiro Press Tour


Alguém disse outro dia quer ser jornalista equivalia a fazer voto de pobreza. O que se esqueceram de me dizer foi que mesmo sendo pobre, o jornalista faz vida de rico!!!



Lá fomos nós para Viseu, a Exma jornalista da Evasões (Mi) e a sua digníssima acompanhante (eu). Fim de semana de luxo, com tudo pago em hotel 5 estrelas, passeios a termas, desportos radicais, visita e experimentação nos melhores restaurantes, safaris pelas montanhas, passeios a cavalo, tentativas de golf e tudo regado com champanhe, lanchinhos e regalitos!
O hotel de 5 estrelas era castanho. E no jantar, para cortar o gelo, a Mi pergunta aos outros jornalistas da nossa mesa “Então e o que é que acham do castanho?”. Felizmente, depois desta pergunta e nos dois dias seguintes, todas as conversas foram bem mais interessantes e a comunidade de jornalistas e de acompanhantes fez-se uma só, unida e divertida!
Conhecemos ex-combatentes da Nova que agora são jornalistas e gostam do que fazem, o que nos acalenta sempre uma certa esperança. A mascote do grupo era a “Paulinha Performance”, saltitante e contagiante,lá ia ela.. Slide? Boraa! Rappel? Boraaa! Cavalos? Boraa! Tirolesa? Boraaaa! Podia pelar-se de medo, fechar os olhos, gritar e dizer que não, mas no fim não tinha jeito! Lá estava ela pendendo de alguma corda ou petrificada em cima de algum cavalo!
Na primeira manhã do meu primeiro press tour, os acompanhantes tinham um programa alternativo. Então, parti do 443 em roupão e chinelos, rumo a uma sessão de chocoterapia no spa do hotel. Qual não é o meu espanto quando o elevador aterra no -1 e a porta se abre para um congresso de reumatologia ou algo do género. Toda a gente vestida a rigor e de croquete ou copo na mão, e eu desfilando de chinelos e roupão. Sentido alguns, muitos, olhares de surpresa cravados na minha pessoa, atravessei o congresso com o ar mais natural possível, até chegar, finalmente, ao Spa! “Pois é! Eu sempre digo que as pessoas deviam poder descer directo no spa mas eles não me ligam!” dizia-me a senhora das massagens, enquanto me besuntava de chocolate. A chocoterapia é estranha. Cobrem-nos de chocolate, sentimos um quentinho nas costas seguido de bolhinhas e depois embrulham-nos estilo bombom com um plástico e uma manta térmica. E assim ficamos, a cozer cerca de 20 minutos.
À tarde fizemos slide e fomos às termas do Caramulo. E depois, cheirando a enxonfre e com os cabelos em petição de miséria, fomos directas para um requintado jantar com as personalidades da região. A nossa mesa até era divertida, mas outros companheiros passaram a refeição a ouvir falar sobre investimentos e bolsas de valores… Cá nós, até arranjámos bilhetes especiais para o Benfica e convites para os melhores restaurantes de Lisboa!
Nessa noite, eu e a Mi tentámos organizar uma excursão própria à maior discoteca de Portugal, Day after. Não correu bem. Além de sermos as únicas inscritas, e, contrariamente às informações que o recepcionista nos deu, o recinto encontrava-se fechado. De modo que pagámos um táxi só para ele ir até ao hotel buscar-nos e dizer-nos que a discoteca estava fechada. Ainda por cima, enqunato nos dizia isso e nos recusávamos aceitar a realidade, o contador não parou um segundo e ainda havia uma música irritante de fundo que dizia “Para cima, para baixo, esquerda direita…” e não passava disso. Foi uma noite ainda mais frustrante do que a anterior, quando a Mi não conseguiu encontrar o abridor para o vinho que tinham deixado de oferta no nosso quarto, sendo que também não o conseguiu abrir com as chaves. Então, enfiou-o dentro da mala e disse com convicção “O quê? Mas eles pensam que não o vamos beber só porque não puseram aqui um abridor? Nem pensar! Vai já para casa!”. Levámos também um exemplar “Amor de Perdição” que lá estava para nós e ela queria levar a mesinha de cabeceira e um outro jornalista nosso amigo queria levar um banco e um candeeiro do bar.


Estou chateada, pois claro que estou chateada, ela não quis ir fazer canoagem porque molhava o rabinho!

Na manhã do último dia fomos jogar golf! Fomos tentar acertar com o taco na bola, e fazia tanto frio, que o campo se apresentava com camadas de gelo. Na parte da tarde, após mais um farto almoço, fomos par ao safari de jeep pela bioparque, até a aldeia da Pena. Na aldeia da Pena todas as casas (que são aproximadamente 6 ou7) são de xisto e aí vive um aglomerado de 8 pessoas. Há televisão, há telefone, e até há correio! E a Mariana de 6 anos vai à escola e faz os trabalhos de casa. O irmão dela é a pessoa mais nova da aldeia e a avó a pessoa mais velha. Foi com essa lição de estilos de vida (e alguns kilos a mais) que nos despedimos de Viseu. Ao rapaz da recepção do turno da noite deixámos um bilhete a dizer que no próximo Sábado lá estaríamos na maior discoteca de Portugal, à espera dele!

Porém no próximo Sábado eu estarei bem longe, lá para os lados da bella Itália, mais precisamente em Torino.
Exactamente, Segunda-feira assino o meu primeiro contracto de trabalho e vou de férias!


Aqui há gelo!!!

Comentários

Recess disse…
Só tenho a dizer...há grandes vidas...
bjs
Tiago
Anónimo disse…
Sim, provavelmente por isso e

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