Qual é o ponto?

Hoje vou partilhar, vou buscar ao arquivo, vou copiar, vou colar e vou perguntar:



Qual é o ponto?

O ponto cruz perdeu-se nas suas linhas de pensamento e já mais avistou o ponto de chegada. Tudo indica que é um mistério sem ponto-chave.
“Mas porquê” – Perguntou o ponto de interrogação.
Os rumores que correm dizem que ele caiu num ponto negro, mas o ponto de vista, que é sábio e experiente, não vê essa história com bons olhos e é proeminente no seu julgamento: a culpa é do ponto fraco que como sempre se acobardou!
O acusado logo diz que o ponto alto também não esteve à altura, mas este defende-se alegando que não cabe na cabeça de ninguém!
Sobra o ponto forte que não pode ir resgatar o ponto cruz porque está a testemunhar no divórcio do ponto e vírgula.
O ponto da situação não está com boa cara e lança um olhar depreciativo ao ponto de ebulição, o qual se evapora, desvanecendo-se no ar antes de poder dizer fosse o que fosse.
As atenções viram-se então para o ponto de partida que não deveria ter deixado o ponto cruz partir… Para surpresa de todos, o ponto crítico, que não dá ponto sem nó, diz que o ponto de partida nada podia ter feito, pois era inabalável a determinação do ponto cruz em encontrar o ponto G de toda a sua existência!
É neste momento que o ponto de exclamação se exalta, mas o ponto crítico de imediato o põe em sentido, dizendo que é melhor que ele se acalme se não quer ter de levar uns pontos no nariz! (O ambiente entre ambos é inospitamente agreste desde que foram jogar ténis e sucedeu uma certa confusão na contagem dos pontos).
É o ponto de embraiagem que vem evitar que a discussão descambe, desculpando-se pelo ponto de exclamação, que afinal anda tão stressado no novo texto em que está a trabalhar. É que ainda por cima obrigam-no a marcar o ponto todos os dias, o que ele considera extremamente humilhante!
Os intervenientes começam então a aclamar-se para atingir um bom ponto de equilíbrio e tentar salvar o ponto cruz. Embrenham-se nos pontos dos seus próprios pensamentos sem ir muito longe, e, pelo sim pelo não, com atenção aos pontos negros… abate-se sobre eles um silencio profundo, assinalando que a reflexão interior está no ponto.
Eis se não quando, vindo directamente de trás da cortina do palco, o ponto sussurra tristemente, as palavras ansiosamente pendentes na eminência de serem ditas desde o início - O ponto cruz foi encontrado em ponto morto (ponto final)

Comentários

Marina disse…
Sempre gostei desse teu texto. Ainda bem que o partilhaste!! =)
Lolly disse…
E o ponto da questão, para mim, é: o que é que a Alexandra faz com um ponto de interrogação na testa? Novo jantar indiano? ;)*******
Tiago disse…
Muito bom texto adorei. Realmente uma óptima dissertação sobre vários pontos..perfeito.
Beijo
ruitio disse…
oi
acho que era "acalmar-se" em vez do "aclamar-se" que aqui puseste; genial o texto, pena que ainda não tenhas coragem de tb ir introduzindo alguns dos teus outros textos fabulosos, nomeadamente "poetexticos" (sim que poesia, é outra coisa e toda a gente a escreve)

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