"É NATAL, É NATAL..."

É inevitável falar do Natal.
Porque as luzes na rua nos encadeiam; porque as músicas nos centros comerciais, em sistema vira o disco e toca o mesmo, nos dão dor de cabeça; porque certas montras desafiam o nosso colesterol; porque o dinheiro voa ainda mais rápido do que o habitual; porque as calças começam a ficar apertadas; porque as mensagens de Natal nos inundam o e-mail e nos deixam sem memória no telemóvel, tornando-nos extremamente sensíveis ao bip bip dos alertas. “Oh não, recebi mais uma mensagem de Natal!” ou “Raios partam as mensagens de Natal!” são expressões muito em voga por estes dias; porque se não comprarmos prendas deixamos transparecer uma imagem de insensibilidade, sovina puro e duro e, em última instância, desajuste social, o qual pode adquirir repercussões negativas no nosso CV, com as respectivas e incontornáveis consequências.
Provada que está a exigência do tema, o que proponho é uma abordagem particular.



O Natal por MIM: habitante da capital; trabalhadora das 9 às 6 em Companhia relacionada com bens de consumo, com especial destaque nos frescos e perecíveis; frequente beneficiária do sistema de transportes públicos; e pensadora incorrigível.

Nesta quadra vesti a bata, os “pezinhos” de saco de plástico azul e a touca de rede para o cabelo (que é o provavelmente o adereço mais anti-afrodisíaco alguma vez concebido) e meti o pé no armazém dos produtos supra-mencionados. Fazia parte do meu plano de integração no novo emprego que recebi este Natal. Partilhei a azáfama de um dos maiores armazéns de distribuição do país, em vésperas das Festas, e garanto que é extremamente perigoso! Os funcionários andam todos com uns carros especiais e mini-gruas, e como há prémios de produtividade (e toda a gente tem de comprar prendas de Natal) é literalmente aquela lei do “passar por cima de quem for preciso” para conseguir transportar mais produtos em menos tempo. E lá vão eles disparados, fazendo as mais assustadoras razias a quem está ali a passeio, como nós. Por nós, entenda-se o meu coordenador e outra estagiária, ambos com os mesmo adereços que eu, espelhando o ridículo da minha própria imagem naquele momento, que, felizmente, não cheguei a ver. Com as centenas de cabritos e porcos mortos pendurados de cabeça para baixo, estilo campo de concentração, já não tive tanta sorte, porque era impossível passarem despercebidos. E posso então garantir, que se tivessem visto o que eu vi, já não tinham tanta vontade de comer cabrito, leitão, ou peru na consoada. (É a magia do Natal!).


O COMABTE MAIS MÁGIO DESTE NATAL!!!

Por falar em magia têm-me acontecido umas coisas que, a bem da verdade poderiam acontecer em qualquer altura do ano, mas aconteceram justamente agora, que é Natal!
O autocarro pára-me a meio do caminho, na Estação de Benfica, e diz que não anda mais, obrigando-me a comprar novo bilhete na troca para outro autocarro, onde já não há lugares sentados. No dia seguinte, atenta ao autocarro que passa dizendo “estação de Benfica”, fico sentada na paragem a ver passar o autocarro que afinal diz “Estação do Oriente – via estação de Benfica” (e que portanto faz todo o percurso). Ou seja, estava na paragem a tempo e horas mas perdi o autocarro porque só quando ele estava a passar é que o letreiro mudou de “estação de Benfica” para “Estação do Oriente” e eu, sentada que estava, sentada fiquei, sem reacção…
Já o metro, é uma caixinha de surpresas! Ele é o senhor que cai em cima de mim nas escadas rolantes à saída do Cais do Sodré, e eu, com muito equilíbrio consigo evitar o temido efeito dominó; e ele é o indivíduo portador de obesidade, que me toca no ombro e me diz “OUH” com um grunhido em registo de ogre, fazendo-me saltar num ápice de susto, para que ele pudesse ocupar ambos, o meu lugar e o do lado. E isto irrita-me profundamente! Irrita-me porque eu sou aquela que nunca se senta nos lugares reservados. Eu sou aquela que perde o lugar porque virou para se sentar nos lugares reservados e quando viu que eram os reservados já não foi a tempo de arranjar outro. E então senta-se uma pessoa que não é idosa, nem grávida, nem obesa, nem deficiente nos lugares reservados, e eu fico de pé. Mas desta vez, tinha conseguido um lugar livre nos não reservados. Ora com todos os lugares reservados para pessoas em circunstâncias especiais, como era o caso, e todos os outros lugares não reservados da carruagem, porque é que o indivíduo tinha de me expulsar a mim? E de maneira tão grosseira e intimidante! PORQUÊ???
Pegando na temática das pessoas com excesso de peso, vou rematar introduzindo a minha teoria sobre as possíveis origens do Natal. Afinal, sempre que pensamos um tema ou assunto, há que ir o mais fundo possível nas suas raízes.
Antes de mais, quero esclarecer que não tenho nada contra as pessoas gordas, cada qual com o seu peso, e eu inclusive engordei 5kg este ano e estou feliz assim. E agora então gostaria de lançar a questão “Quem inventou o Natal?”. Terá sido a Coca-cola ou a Igreja Católica? São duas das maiores empresas do mundo de marketing para as massas e por isso eu não acredito verdadeiramente que tenha sido nem uma nem outra.
Para mim quem inventou o Natal foi alguém em posse de alguma loja e muito gordo. Por um lado, queria promover a imagem de pessoas com a sua estatura e daí a figura do Pai Natal, um case study da Publicidade que não me deixa mentir; e por outro, queria que fossemos todos “fofinhos” como ele e surge então a “tradição” de comer desenfreadamente e sobretudo os clássicos, rabanadas, bolo rei, chocolates, todos altamente calóricos! A história das prendas encaixa perfeitamente para aumentar as vendas da sua loja!

Não obstante, eu como muito, e compro prendas, e envio mensagens e postais de Natal, e gosto das iluminações, e até montei a minha árvore!
E por isso também vos desejo a todos:
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Um Feliz Natal
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Una Feliz Navidad
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Un Natale Felice
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Un Joyeux Noel
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A Merry Christmas
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