Estórias de Carnaval

“Je suis la rose coquelicot du Moulin Rouge...et ce soir, si vou puvez paier, je peut danser...“

Já andei pela rua feita saloia, e, muito a contra gosto, desfilei como mulher das cavernas, com uma peruca toda esgadanhada e umas imitações de peles. Depois ou antes, aliás, foi mesmo no meio, fui baiana quase mulata no trio eléctrico da Bahia.

Também já fui formiguinha, boneca de trapos, estrela do mar com uma peruca de palhaço, rainha e algarvia de traje completo com os colotes e tudo (não tenho certeza se é assim que se escreve mas eram uma espécie de calções brancos que se vestem por debaixo da saia com barras de 3 cores do traje típico do Algarve)!

Se já experimentei ser banana? No sentido frutícola da coisa? Oh yeah baby! Been there, done that! E sempre com a colaboração da sócia materna do “projecto Ale”, responsável total pelo design e confecção de fantasias…



Igualmente me fiz passar por Super-Mulher, musa grega como aquelas “gandas malucas” que cantam no início do Hércules (versão da Disney, nada daqueles romances baratos com a Xena).

Um dia ganhei asas e voei nos pozinhos de perlim plim plm plim, porque foi preciso magia para convencer o Peter Pan a vestir-se como tal! Mas no fim a Fada Sininho venceu e o Peter Pan até foi a Calzedonia comprar collants verdes, tendo sempre em atenção as tonalidades de verde do fato, porque ele queria contraste, não queria cá ser um Peter Pan em marca de água!

Em Itália, fui por Veneza de máscara de Veneza na cara um dia inteiro e para o Martedí Grasso (Terça-feira Gorda) transformei-me em coelhinha e tinha um clã de estrelinhas!



Já fui amiga da Pocahontas, do Dartagnan e do Robin dos Bosques (versão feminina e versão masculina). Conheci duas abelhas simpáticas que um ano depois se transformaram em borboletas. Dancei com ciganas e viúvas alegres, fui ao grande bailarico da Grande Pechão com uma hippie, enquanto eu dava uma de cow girl, rústica, para combinar com os ares campestres dos arredores de Olhão…

Quando fui a Cadice Michelle, essa grande diva do wrestling da WWE, conheci umas sem abrigo que coitadinhas, andavam com umas placas a vender “pezevativos a 1 êró”.

Outra vez vi uma passadeira andante, que afinal era um código de barras, que afinal eram sinais de igual e estavam, portanto, mascaradas de igual.

Branca de neve preto, sim, pretO ( e de nome real Eduino), aliens com naves espaciais que brilham no escuro da discoteca, carros, esfregonas, super-heróis, forças do mal, personagens históricos, gente saída de máquinas do tempo, animais, monstros, profissões liberais com fatos ainda mais liberais, eu já vi de tudo neste mundo!

Ainda ontem à noite, eu, bailarina profissional de cancan dessa conceituada instituição que é o Moulin Rouge, estive na companhia de uma Alice à procura do país das Maravilhas e uma “Lauret Ohara” com um chapéu daqueles que ninguém desde a primeira década do século passado!



E depois há aquelas pessoas anti-sistema que não gostam do Carnaval. Oh meus amigos! Os meus Carnavais também nem sempre foram um mar de rosas!!! Pelo contrário! Já apanhei com ovos ( e de ganso!) na cabeça e balões de água também.
Quando fui formiga, partiu-se-me a antena direita e tive que continuar o desfile até ao fim da 5 de Outubro (de Faro) assim mesmo, desantenada! Quando fui mulher das cavernas estava hedionda!
Quando fui algarvia de gema, eu e a Pocahontas fomos escorraçadas da parte de trás de um carro do desfile de Moncarapacho, onde nos encontrávamos sentadas. Uma velha pouco carnavalesca deu-nos uma grande descompostura e fez-nos passar uma ainda maior vergonha!
Quando fui musa grega as minhas sandálias pareciam patins na pista de dança. A super-mulher originou conflitos físicos (socos e murros mesmo à filme de ficção) em pleno recinto dançante e quando fui Fada Sininho passei a noite entalada entre as pessoas e as portas, por causa das minhas asas, além de toda a gente me confundir com uma mera e reles borboleta!
A diva do wrestling, coitada, foi parar a uma discoteca vazia e não conseguiu apanhar um táxi para outra discoteca até às 4 ou 5 da manhã, altura em que já era hora de regressar a casa.
Em Itália, a máscara de Veneza estava sempre a cair porque não apertava bem e bom, quando fui mascarada de banana vestia um saco preto do lixo e só o facto de ir de banana é suficientemente mau para arruinar um Carnaval!

Ontem também não correu particularmente bem. Rasgou-se o forro da saia e descambaram os caracóis. Festas pouco animadas, botas assassinas e pés acusados de transmitirem más energias. Parada em operação Stop com polícia a pedir documentos que eu não tinha em minha posse. Fui obrigada a despertar a entidade paternal às 4.30 da manhã para no fim o polícia se desdobrar em mil desculpas, erro dele, o meu carro só tem que ir à inspecção daqui a dois anos. (E por isso é que eu não tenho nem os papéis, nem o selo da inspecção)!

Ainda assim, não consigo deixar de gostar do Carnaval, quando as fantasias se tornam realidade (embora algumas custem caro e fiquem logo rasgadas no forro)!

E então, pelo menos uma vez por ano, é mesmo verdade que podemos ser o que quisermos!

Comentários

Lolly disse…
a minha preferida é, sem dúvida, a de banana!! lol é que te assenta mesmo bem!! e quanto a isso de eu ser a Laurete Ohara... bom, tinha ficado acordado que era a madame do Ambrosio! E tu eras quem? Cm era mesmo que te chamávamos? Aiai que amnésia louca..LOLOL vou-te poupar amiga coquelicot e nao vou revelar ao mundo a tua verdadeira e temível identidade! Se fosse perfeito n tinha piada. Assim, é inesquecível lolol beiju****
Anónimo disse…
Inesquecível might be taking it a bi too far, madame das botas assasinas!

Et moi? je suis la rose coquelicot du Moulin! Et rien d'autre!

E bem, nunca jamais em tempo alguma, orbigues a tua filha a ir mascarada de banana! Isso causará nela mazelas para toda a vida!
Revez disse…
se há coisa maior que o espírito natalício é o espírito carnavalesco

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