He is an english man in Lisbon

Este post é para todos aqueles que não conhecem Portugal, que nunca ouviram falar e que pensam que a língua oficil do país é inglês;
Para todos aqueles que conhecem Portugal porque é uma província de Espanha, ou porque o Figo, o Mourinho e o Cristiano Ronaldo são portugueses;
E ainda, para todos aqueles que acham que Portugal é onde frequentemente crianças loiras de olhos azuis são raptadas.



"Mr. Baunilha from London". Dizia assim a placa que eu empunhava nas arrivals do aeroporto de Lisboa (que por enquanto ainda é na Portela). Havia um grupo de franceses que resolveu abancar de malas e bagagens no corredor de passagem dos “arrivantes” e que sem se aperceber quase foi corrido à batatada pelo grupo de portugueses, muito superior em número, que esperava os “arrivantes”.
Assim se passou o tempo até o meu amigo conseguir reunir toda a sua bagagem e sair porta fora! O meu amigo canta no duche (e no hall,e no carro, e na rua, qual rouxinol com laringite!) e tem um nome que rima, Patrick Kendrick, mas ele não gosta. Então vamos tratá-lo por Mr. Baunilha, porque Baunilha é a palavra preferida dele em português. Há no entanto a ter em conta que o vocabulário do dito cujo na língua de Camões, deriva de um daqueles cds milagrosos para aprender idiomas, resumindo-se portanto a coisas como “O menino João” “Eu não sou médico sou engenheiro” ou “Francês, francesa; italiano, italiana; espanhol, espanhola…”.
Mas agora ele já aprendeu a dizer bacalhau com natas, Torre de Belém, Castelo, Mosteiro dos Jerónimos, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Sintra, Palácio da Pena, Cabo da Roca, Cascais, douradinhos e quase que até consegue também dizer joalheiro! Mas este último ainda requer algum treino…

Vamos então falar dos encantos que o cotovelo da Europa apresenta para um indivíduo inglês que canta compulsivamente e que tem um nome que rima (o qual porém não é do seu agrado):
- O sol e os 20 graus que se fazem sentir em Fevereiro, o que nos coloca a questão “será que somos um país tropical e não sabemos?”
- A rica pastelaria, que o faz pensar que se pode viver à base de pastéis de Belém queijadas e travesseiros;
- A fascinante grandeza do Mosteiro dos Jerónimos, onde se encontra o túmulo do Vasco da Gama, o ídolo de qualquer rapaz inglês de 21 anos!
- O castelo de São Jorge onde pode perseguir pavões juntamente com crianças de5/6 anos que correm entusiasmadas atrás deles (e atrás das crianças e atrás do senhor Baunilha corria eu com a máquina fotográfica e talvez um pouco menos de entusiasmo)
- O Bacalhau com natas que ele comeu sem saber o que era mas que deixou vontade de repetir
- As escuteiras ocasionais que estão à disposição dos turistas para tirarem fotografias com eles a puxarem-lhes o lacinho à volta do pescoço. Aliás, porque outra razão andariam elas em frente aos Jerónimos se não para pousar com os turistas!



- O palácio de Sintra que parece um castelo mágico de brincar, e por onde passam italianos menos mágicos, que mesmo de braço dado com a mulher lançam piropos. Os indivíduos ingleses que sabem falar italiano, como é o caso, tendem a achar engraçado este tipo de situações, eu confesso, não achei piada, e palpita-me que a mulher do italiano também não rejubilou de contentamento quando ele pediu ao meu amigo para tirar fotos do meu rabo e depois mostrar-lhe, despedindo-se dizendo “complimenti inglese!”
- A facilidade em apanhar boleia na descida da Pena, e a consequente de emoção de ir num carro com desconhecidos e ainda por cima sem perceber patévia do que eles estão a dizer.
- O espectáculo de dança do ventre e dança moderna da minha professora Íris que nos diz para relaxarmos os músculos do nariz
- O Cabo da Roca, onde a imensidão do mar nos dá aquela conhecida sensação de Titanic esbracejante “I’M THE KING OF THE WORLD!!!”
- O paté de sardinha que se encontra em qualquer mercearia ou boteco de esquina e que , injustamente menosprezado pela nação, é afinal uma iguaria para os anglo-saxões!




E por fim, os desencantos do 3ºmundo da Europa, ainda que, quase a ultrapassar a fronteira para primeiro mundo, tal como nos indicam, por exemplo, os rumores de fortes interesses de investimento terrorista no país.
- Os dejectos de cão que pululam pela típica calçada portuguesa, já como ornamento integrante do património pedestre nacional
- Uma guia que pergunta os caminhos ao seu hóspede estrangeiro, que se perde no meio de Lisboa a tentar passar para o outro lado da linha do comboio na 24 de Julho, que deixa o carro ir abaixo no princípio de Ranholas, direcção Sintra, com uma multidão de viaturas impacientes atrás de si, e que se esquece de ligar as luzes do carro à noite. “Fico feliz que optámos por subir até ao Palácio (da Pena) de táxi e não contigo a conduzir” – e acho que esta citação pretty much encerra o ponto em análise.
- A baba de camelo, que ele escolheu depois de eu lhe traduzir o nome mas que é doce de mais para o que ele está habituado. Feijoada com tostas e ovos ao pequeno almoço, venha ela! Baba de Camelo de sobremesa é que já too much...

E no saldo final parece que ganham os pontos encantadores da Lisboa menina e moça e temos mais um turista satisfeito que há de espalhar o bom nome da capital, ainda que provavelmente isso não seja suficiente para apagar a má imagem inerente à última campanha internacional de promoção de Portugal no estrangeiro. (Aquela que tinha cartazes em Lisboa quando o público alvo eram pessoas que não conheciam Lisboa e cujas fotos, com “figurantes” como lhes chamou um jornal americano (referindo-se a personalidades como a Marisa ou a Vanessa Fernandes) pareciam propaganda a um fotógrafo inglês que cobrou os olhos da cara por um trabalho que o senhor da casa das fotos de Algés podia ter feito melhor. Campanha também conhecida pelo erro crasso de, no lugar da profissão do Mourinho, não dizer desempregado ).

Desastres publicitários à parte, este post é na verdade para todos os alfacinhas ou residentes na Grande Lisboa e arredores, porque, meus queridos conterrâneos, nós somos “so lucky to live here!!!” e não sou só eu que digo…

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