"Assoma-te à janela meu amor!"

Um grande poeta disse um dia “Todas as cartas de amor são ridículas”.
Hoje eu digo, sem igual arte ou mestria mas com a mesma convicção, “Todas as músicas em línguas estrangeiras são pimba!”

Pensem fundo, e expirem aquela música que vocês gostam mesmo. Aquela que não é em português mas que vos mexe pelos sonhos, vos guia pela vida e vos arranca suspiros desafinados enquanto toca cativa e repetidamente no rádio do carro, no computador, no hipod (achei que dizer no discman ia dar falta de credibilidade à presente teoria)…
Já pensaram? Agora traduzam-na para a nossa língua mãe.
Seguem-se alguns exemplos: o comovente “Chora-me um rio, choraaa! Choraaa!”; a vencedora dos Grammys “Eles tentam fazer-me ir para a reabilitação, reabi, reabi!...”; ao prevenida “Eu posso dar-te o meu guarda-chuva, chuva, chuva…”, ou o emergente “Olá aí Dalila, como é isso na cidade de Nova-Iorque? Estás a 1000 km de distância mas miúda, está noite estás mesmo gira!”
Nos clássicos quem não sabe que “ Vivemos todos num submarino amarelo, um submarino amarelo”, quem nunca ouviu “A Lúcia no céu com diamantes “ (esta, além de pimba ainda poderia ser censurada pela Igreja Católica), quem nunca cantou “Cantando na chuva” ou em “Nova-iorque, Nova-iorque” (que bem podia ser “Faro! Faro!” ou “Mafamude!Mafamude!”).
Nas décadas mais recentes temos “Bate-me bebé mais uma vez!”, “O sexy está de volta” ,“Rapariga promíscua”, “Não te deixes enganar pelas minhas jóias, eu continuo a ser a Jenny do gueto!”.
Já na categoria do sempre eterno destacam-se músicas como “O Polly quer uma bolacha” “Minha miúda, minha miúda, não me mintas, diz-me onde é que dormiste na noite passada?”.
Com os bad boys o resultado é o mesmo “Porque eu sou o líder da minha banda” como dizia o white rapper.
E a coisa funciona para mais lados, em francês “A vida em cor-de-rosa” é inesquecível e o “Não me deixes” de Brell é absolutamente intransponível!

O exercício pode prolongar-se por tantas músicas quantas soubermos…mas parece-me ter já reunido uma amostra razoável e concisa para tornar a minha tese válida.
Ora posto que já ninguém pode gozar com o vizinho da frente que vai ao Atlântico ver Toni Carreira, passo então a partilhar, sem qualquer pudor, aquela que neste momento, é a minha música pimba preferida, ainda que na verdade seja uma "Serenata Rap".




E diz assim o refrão:

“…Assoma-te à janela,
Meu amor,
Assoma-te à varanda…”

Comentários

Anónimo disse…
esta não é pimba, de certeza!!

http://www.youtube.com/watch?v=i_KA3AKojrc
carla disse…
amore mio... a te ti piace cosi tanto... italia? :) vou ficar ate julho... fico a tua espera :)
Anónimo disse…
bem se assim fosse, o que sobra?
musica dos PALOP? exceptuando o brasil onde ainda se canta numa lingua parecida com de nós por cá, os restantes cultivam muito os dialectos...

das traduções, algumas estão mal ou descontextualizadas, mas acima disso o que é pimba???

incluis temas que não merecem tal rótulo!! a não ser por serem muito conhecidos, e a pop confunde-se com pimba...

que as carta de amor são ridiculas sem duvida!!...já leste um teu escrito anos depois da cega paixão passar????
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