Aulas de dança do ventre em 3 posts

Pimeira aula: A Professora

Há já algum tempo que eu vos queria falar das minhas aulas de dança do ventre.

A todos aqueles que interpretam o estilo como algo excêntrico e extremamente sensual, peço desculpa, mas terei de desconstruir esse mito porque, efectivamente, não é o caso.
Pelo menos não nas minhas aulas, em que a nossa professora, uma hippie com piercings tatuagens e cabelo vermelho, nos diz coisas tais como:
“Criatividade é muito bom e eu gosto, mas agora vamos todas fazer o movimento como deve ser está bem?” ou “É como se colhessem uma rosa e a trouxessem até ao peito. Meninas, eu disse uma rosa, não um fardo de palha!!!”.

A professora tem nome de Deusa grega e quando tiver filhos quer baptizá-los com nomes que o registro civil jamais aceitará, do estilo “kiwida” “akamadu” ou “papuli”. À hora do nascer do sol, é provável encontrarem-na a dançar em cima de alguma rocha mítica, de braços abertos para o novo dia que se ergue.
O tatuador dela diz que os homens, a partir dos 11 anos, não crescem mais em termos psicológicos e de maturidade, apenas trocam de brinquedos conforme ficam mais velhos.
A avó, chama Balxier ao namorado, que por sua vez se chama Xavier, mas a senhora faz confusão com o ex, que se chamava Baltazar. O pai dela também os confundiu na primeira vez que viu o Xavier, que é alto loiro de olhos azuis, e disse-lhe “Hum.. tu estás diferente! Cresceste um bocado não foi?”, pensando estar a falar com o Baltazar, que é baixo moreno e de cabelo comprido.

Despassrada é um adjectivo que assenta que nem um lenço de moedas (daqueles que se usam à volta das ancas na dança do ventre) na minha professora, mais não seja porque ela esquece-se do incenso aceso, provocando graves queimaduras nas paredes do estúdio.

Mas na sua essência,ela é, enfim, uma sonhadora utópica, que acredita profundamente que nos tempos livres nós estamos a preparar coreografias da nossa autoria para celebrar o equinócio de Primavera, que conseguimos fazer movimentos diferentes com os joelhos, as ancas, o peito, os braços, as mãos e os dedos das mãos, tudo aos mesmo tempo, que vamos participar num espectáculo estilo filme indiano, algumas até com bigodes pintados para fazer de homem, e que além do nosso espectáculo a sério, marcado para Julho, vamos dançar num outro, em Maio “Porque até lá já vão ter a coreografia pronta” –diz ela. E diz uma aluna assim “Posso fazer uma sugestão? Podemos fazer este movimento só com a perna, é que eu não estou a conseguir meter o braço...”.

Comentários

Anónimo disse…
a denise é boa professora

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