Eu (nunca mais ) vou!!!



Por onde começar… Vamos falar da entrada. A Marina tinha o passe de imprensa, eu tinha o bilhete normal, não havia nenhuma sinalização em como não pudéssemos seguir juntas até à porta principal, com as restantes 70.000 pessoas que para lá se encaminhavam. E então se calhar já não vamos chegar antes do anoitecer.



A propósito, o Alexandre mora aqui neste prédio, que sorte. Nunca mais o viste nem falaste com ele? Não, há mais de um ano e meio que não o vejo. E nisto damo-nos conta de que afinal, havia um “corredor” para a imprensa mas os acompanhantes não podiam passar. A Marina voltou então a juntar-se à manada. Porém, no primeiro controlo, foi barrada porque era da imprensa “Mas o outro senhor disse que eu podia vir por aqui” “Mas não pode”. E ela, cheia de paciência, lá voltou para trás em contra mão. Encontrámo-nos mais adiante, por sorte. Os telemóveis não funcionavam – as ligações estavam impossíveis e as mensagens chegavam com horas de atraso. Era impossível encontrar fosse quem fosse. Na derradeira fila, a mais estreita de todas, voltaram a recambiar a Marina “Mas agora não consigo voltar para trás” “Mas por aqui não pode entrar” “Mas então é por onde?” “É p’ra lá” “Mas não está nada sinalizado” “Pois…”



Quando finalmente conseguimos entrar, já a Ivete dava o ar de sua graça naquele que foi, para mim, o melhor concerto da noite!



Por entre pulos disfarçados de passos de dança, girei-me para trás para fazer algum comentário que acabou por se transformar numa grande “AAAAAAAAAAAAAAH!” com olhares pouco discretos para a Marina. Com mais de 130.000 pessoas no recinto, quem é que eu vejo a passar a meio metro, com uma bóia azul à cintura (sim, uma bóia azul à cintura)? Mr. Alexandre himself! O que é que se diz quando, assim sem pré-aviso, se encontra um ex-namorado de mão dada com a actual companheira? Nada… A não ser depois dele já ter passado, aí sim, assolapou-me um dicionário inteiro de coisas para lhe dizer. Logo digo mais tarde, quando o vir outra vez… daqui a outro ano e meio!



A confusão generalizada, as ilimitadas filas para beber, comer e fazer xixi, e os preços exorbitantes, não são surpresa, ao contrário das crateras no chão, onde eu insistia em cair. Mas claro, apesar de no fim eu ainda ter escorregado numa encosta e quase caído de rabo, o trambolhão da noite foi o da Mrs. Amy Winehouse!



Com atraso de meia hora, para prolongar ainda mais a expectativa do vem ou não vem, a senhora apresentou-se sem voz, sem equilíbrio, e passou a noite numa discussão acesa com o microfone. Primeiro escorregou, depois caiu mesmo, no meio do palco, provocando o riso geral. “Lenny Kravitz will fall as well!oh he probably won’t... but if he did he would be embarassed, and I’m not”! Mandei mensagem à Alana a contar o deslize, ao que ela me respondeu “Well, I’m susprised she didn’t pass out!”. Tive pena. Os comentários em redor eram insultuosos e havia muitos que lhe previam o fim de carreira em menos de um ano e até mesmo a morte! Coitada da Amy! O marido dela está preso! “Me and Blake, we haven’t been together for 1 year now, I can’t see him, but he is coming home in 2 weeks! I SAID MY HUSBAND BLAKE IS COMING HOME, MAKE SOME NOISE!!!” Foi das poucas coisas que ela disse e que realemnte se perceberam, à parte de uns “Fuck”, “Sorry I was late, oh I’m so late” e “I should’ve canceled the show – ai de ti! – My voice is terrible and I can’t even hold the microphone” – isso já nós vimos...



Mas no fundo, há alguma coisa inexplicavelmente carismática na cantora despenteada à anos 60, sem voz, que ainda por cima se esquece da letra, tropeça e cai em palco entre um copo de vinho e outro, depois de já se ter entupido em substâncias ilegais, e dança com um jeitinho “pipi”, de menina cândida e inocente, porém, com o corpo coberto de tatuagens.



“Olha lá, tu viste que ela teve o tempo todo a dançar como se tivesse aflita para ir à casa de banho?” perguntou-me a Laura, já no regresso a casa (tomei a liberdade de pular Lenny Kravitz, cujas músicas de 10 minutos cada não me excitaram particularmente). Pois esteve. Íamos apanhar o metro para o Areeiro, onde a Laura tinha o carro. Teoricamente seria simples. Na prática, a fila do metro aglutinava-se pelas ruas da Bela Vista, confundindo-se com a dos autocarros. Os metros só paravam nas estações terminais da linha vermelha e verde o que não engloba o Areeiro. Saímos na Alameda, um bom samaritano (pensávamos nós) indicou-nos a direcção do Areeiro no sentido de Arroios. Descemos 10 minutos até nos apercebermos que estávamos a ir ao contrário. A Laura bem tinha dito, mas nós tínhamos motivos históricos para não confiar nela. Aliás, quanto mais ela diz que lhe parece que é para um lado, maior é a probabilidade de ser para o outro. Desta vez tinha razão.
Quando chegámos ao carro ouvia-se a cidade do rock e viam-se as luzes… afinal estávamos tão perto a pé!

Dear Amy, what a great night for both of us... (Tirando que tu deste lucro de mais de 4 milhões de euros e eu tive um prejuízo de 54,00€.)

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