Queima de Coimbra on fire!



Uma vez disseram-me que Siena era a Coimbra de Itália.
Este fim-de-semana fui a Coimbra, ver se também é a Siena de Portugal...

Se eu soubesse que sexta-feira, tendo-me levantado às 7 da manhã, só voltaria a dormir, 1 autocarro, um dia de trabalho, 2 metros, 1 comboio lisboa-coimbra, uma noite de queima e 25 horas e meia depois, se calhar na quinta tinha-me ido deitar antes da meia noite...
Apanhei o comboio com a Vanessa. A Ana e a Matilde foram buscar-nos à estação. Até aqui, 100% Erasmus em Siena. Depois, casa cheia com colchões e sacos-cama pela sala, ocupados pelos amigos dos amigos, engarrafamentos para a casa de banho, bar aberto na cozinha, cruzamento de línguas pelo ar, cruzamento de estudantes em cada recanto, pessoas novas em cada minuto.
Tudo isto confere com Siena! Porém, Coimbra tem uma identidade própria, uma cultura académica única que não existe em Siena, nem em nenhum outro lugar do mundo! É possível encontrarmos cópias pelas diferentes regiões do país mas o original sabe sempre melhor!
Só ali, os trajes parecem verdadeiramente imponentes e não uma mera fantochada, só ali as cartolas não são pirosas e as bengalas não são para velhos.
Só ali, os chapéus de palha e os óculos de sol são indumentária a rigor para sair de noite, só ali o “Dartacão”(“correndo graaaaandes perigos”) se mistura com o comercial,o pop, o electro, o house, o pimba, o samba e o funk.
E só ali, em vez de decadente, é considerado típico, como se fossem docinhos regionais, os inergumes desgrenhados que, cobertos pela sua capa preta, vão pela rua tropeçando nos pés, cantando e gritando sem saber o quê, empunhando ainda uma garrafa de cerveja, até se deixarem cair , adormecidos e estatelados, na relva de um qualquer jardim público.
É todo um indescritível espírito contagiante, mesmo para quem não é estudante, mesmo para quem não é português! A Matilde, argentina radicada em Espanha, só dizia “Ai me encanta, me encanta!” e a Ana já não tinha voz, passou dois dias a falar aos segredinhos, completamente afónica. As 3 juntas fizemos uma dobradinha de noites que só acabaram quando o sol já ia alto!



A Vanessa juntou-se a nós na segunda noite mas, em compensação, quando eu já arrastava as botas, enlameadas e de sola desfeita, e a boca da Matilde já deixava transparecer sinais de sono e cansaço, ela ria, dançava e ria, não fosse o sorriso a sua imagem de marca!
Cá eu, arranjei uma nova táctica para despachar as pessoas desinteressantes que, não poucas vezes, se interpelaram pelo meu caminho “Scusa ma io non parlo proprio nulla di portoghese” e rapidamente as investidas se desvaneciam, porém, não sem antes largarem algumas pérolas em português/portunhol, colocando as minhas entranhas no êxtase do riso enquanto eu fingia não entender uma única palavra.
Depois reencontravam-me e diziam “Viva a Itália, viva a Itália” e eu levava algum tempo a perceber que estavam a falar comigo, mas lá acabava por me lembrar que eram “os de abocado”, e lá sorria e levantava o braço, dizendo “Si, si viva l’Itália!!!”.

Agora estou rouca, ranhosa e tenho sono, muito sono. Mesmo assim, sorrio e levanto os dedos para teclar “Viva aos amigos de Erasmus e Viva a Queima de Coimbra!!!”.

P.s - o meu sincero agradecimento às donas da casa e à nossa motorista de serviço Miss Muffy!

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