Domingo de manhã

Domingo é dia de descansar, ou seja, dormir até à uma da tarde.
Mas este Domingo eu madruguei e fui para as 3 horas de ensaio de dança, a começar às 10 da manhã.
E eu sei que há pessoas que me admiram por isto!

Para mim, o ensaio não começou exactamente às 10 pois o estacionamento que eu frequento estava ocupado. Se por um lado as ruas estão desertas ao Domingo de manhã, por outro, é óbvio que os estacionamentos estão a albergar exposições de carros antigos! Assim, por causa de um carocha ferrugento e meia dúzia de fords e mercedes coxos, perdi o aquecimento da perna direita.

“Isto hoje está complicado” dizia a rapariga ao meu lado, de olheiras tão profundas como as minhas. Quando a professora disse que nos íamos levantar, acelerámos ambas, para ver se em pé deixávamos de parecer um leite creme derretido que não consegue tocar com as mãos na ponta dos pés. Mas afinal foi falso alarme. “Iris, posso propor um exercício para aliviar a tensão? Gostava de partilhar com todas...” - Mas eu cá não quero que partilhem nada comigo! – “É para não ficarmos nervosas no espectáculo, com medo de não corresponder às expectativas da Iris...” – ao que a Professora Iris responde – “Eu não tenho expectativas”. Houve risos. Mas eu sinceramente não percebo do que é que se estavam a rir. Quer dizer, somos tão “boas” que a nossa professora nem sequer tem expectativas! E que grande incentivo que é dizer-nos isto assim! Eu aliás aposto que é isto que o Scolari diz à nossa selecção antes dos jogos “Num tenho ixpectatxivas ninhumass, ninguém ispera nda dji voceis, façam o qui quiserem qui eu num tou nem aí”.

Voltando ao exercício proposto pela outra colega:
“Fechem os olhos” – Não!Fechar os olhos não é nada boa ideia, são 10 da manhã de Domingo, woman! – “Agora concentrem-se nos pensamentos que associam ao espectáculo” – Sono!Sono!Sono! – “Agora dividam os pensamentos, de um lado os sentimentos do outro as ideias - “De um lado tenho sono e do outro, hum, deixa ver, ainda mais sono! – “Excluam outros pensamento do cérebro e relaxem” – Não durmas! Não durmas! Não durmas! Se dormires não ronques! Se dormires não ronques!.
O exercício de relaxamento acabou sem efeito. Passámos à coreografia. Com música andava tudo muito bem. Sem música, a minha velocidade conseguia apanhar um paço em cada 2. Para nos explicar a suavidade dos movimentos a professora deu o exemplo de como se aborda um macho “Vocês não vou ter com um rapaz como se estivessem a marchar se não ele foge não é?” e daí passámos para os ruídos produzidos no acto de fazer amor quando alguma iluminada disse “Neste movimento podemos fazer – e aqui começou a gemer –“ Oh! Ah!”. E depois começou a falar sobre roupas transparentes e a professora contestou que estávamos perfeitamente à vontade se quiséssemos pedir patrocínio a uma marca de lingerie.

Na distribuição das filas, pedi para não ficar na primeira e depois fiquei chateada porque afinal, desde os tempos do capuchinho vermelho, eu fui sempre a bailarina da frente! Agora à frente, mesmo no centro, está uma esquelética que passa o tempo a olhar-se ao espelho. Aposto que só está lá porque é amiga da professora! Mas como bem se vê eu não me importo nada! Para quem já brilhou no “Capuchinho Vermelho” a celebração do solstício é completamente irrelevante! E enquanto a esquelética tem o papel principal, eu estou na chamada janelinha, atrás de uma francesa assustadoramente gigante (eu chego-lhe ao ombro) que nem sequer sabe bem a coreografia. Mas ainda pode mudar porque segundo a professora “A segunda fila é aleatória, não interessa nada, o importante são as pessoas da primeira”. Deste modo, ainda é possível que eu venha a ser uma pessoa não importante, sem interesse e aleatória mas da 3ª fila em vez da segunda!

Pelo menos na improvisação das velas não há lugares marcados, podemos ir e vir para onde quisermos, até para cima do público! Sim, a senhora professora vai levar avante a ideia da improvisação com velas. Só não vamos sair de trás das cortinas porque entretanto ela lembrou-se que eram altamente inflamáveis e que éramos NÒS (as alunas de quem ela não espera nada) a dançar, de improviso, com as velas acesas...
“Podem fazer o que quiserem na improvisação” exemplificou ela, mexendo-se e remexendo-se, só lhe faltou dar o pino! Peninha que se esqueceu que vamos estar com velas ACESAS nas mãos! Parece-me a mim que este detalhe limita um pouco a nossa liberdade de movimentos, mas isso é só a minha opinião...

Mal posso esperar pelo próximo Domingo de manhã!!!

Comentários

Lolly disse…
e eu mal posso esperar por ver AO VIVO e de câmara de filmar na mão, a fabulástica dança da Ale através da janelinha.
só espero ficar perto do extintor lol***
Anónimo disse…
devias publicar a data da estreia, para eu nao me estar sp a esquecer! e aumentavas as hipoteses de encher a sala!
Anónimo disse…
carissimas, a sala já está lotada para as duas sessões! estou á espera q a prof distribua os bilhetes m serão no máximo 5 por aluna...
i disse…
e qt custa? é q ouvi dizer que o espetáculo vale a pena, mete cortinas a arder e tudo

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