Sex and the City



Só para quem já viu o filme.

Esta semana, não houve jornal ou revista que não falasse de Sexo em Nova York. Mas falavam mal. E falavam mal por 2 motivos: primeiro, porque diziam que era uma coisa arrepiantemente fútil, desmedidamente estereotipada e em última instância, um filme sobre sapatos. E por aqui já se percebe que mesmo quem falava bem do filme (ou menos mal), na verdade falava igualmente mal, porque em nenhum dos casos se abordava a verdadeira essência quer do sexo quer da cidade.
Antes de mais, ser crítico de cinema devia ir para além do que ser homem e pintar bolinhas ou estrelinhas numa tabela rectangular. Três bolinhas pretas ou um quadrado branco, fantástico! O "capolavoro" da crítica cinematográfica! Porque essa semiótica de formas geométricas e estrelinhas, aliada a um parágrafo pedante de opiniões aleatórias, contempla, perfeitamente, cada plano/contra-plano ou enquadramento, assim como a importância do fora de campo, a diagése do som ou as técnicas de iluminação.
E nestes senhores (todos eles, certamente, discípulos das leituras de Chien e Benjamin e das obras de Godard e Lynch) o que se diagnostica não é mais que uma reacção alérgica aos sapatos (ainda por cima feios, na minha humilde opinião). Aliás, como toda a gente sabe, na Estrada Perdida ou no Vivre sa vie ninguém usava sapatos...eles e o ET, sempre desclaços.
Claro que o filme é um produto de marketing, um oásis do product placement. E vamos extrapolar, se calhar o livro que a protagonista compra com cartas de amor de grandes nomes da história também é mera publicidade à revista portuguesa que publica essas mesmas cartas!



E então? Vão-me dizer que não choraram a rir com a diarreia mexicana de Charlotte York? Ou que não ficaram altamente surpreendidos pelo facto de Samantha Jones não protagonizar uma única cena de sexo? E o pássaro empalhado que Carrie Bradshaw levava na cabeça para se casar, não era absolutamente horrendo? Aposto que esta semana, por influência de Miranda Jones, ninguém se vai esquecer de marcar a depilação!E não sentiram nada, nem uma lágrima, nem um grito apertado na garganta, quando ele a abandona, quando ele lhe envia o derradeiro email, quando se ouve a frase "o coração dele parava cada vez que ouvia saltos altos pelo corredor, pensando que pdorias ser tu", ou quando ela sai de casa com umas meias até ao joelho e uma combinação de roupa feia como a noite dos trovões?

Quem viu o trailer podia prever de antemão o futuro de cada uma das personagens, não houve muito espaço para surpresas (a não ser, de facto, a ausência da Samantha em cenas de sexo).



O final não me agradou. Acabou por ser tudo como ele queria, e como eu já previa (a frase "I let the wedding get bigger than Big" ,que aparece no trailer , não deixa margens de erro): um casamento no registro civil, com vestido sem marca e um “copo de água” para 10 convidados numa tasca qualquer – a apologia máxima do fútil como qualquer 1 pode verificar! A Inês também não gostou (só o lado emocional dela é que gostou).
Ficou o aprendizado: os quizzes da Internet não são de confiança e eu, definitivamente, não posso ser a Samantha! Primeiro porque não gosto de sushi e depois porque nunca, jamais, em tempo algum, no bom senso dos meus 50 anos, abandonaria Smith Jerred!
Mas gostei do filme! Foi sobre o que tinha de ser: sobre mulheres, sobre homens, sobre as relações entre ambos e, claro, sobre sapatos. Uma temática vazia? Só para quem também considera que a psicologia, a sociologia ou o marketing, não são uma ciência meritória como todas as outras. Chick movie? Vocês também têm o Homem Aranha!



Enfim, foi sobre as vidas de Carrie, Charlotte, Miranda e Samantha, foi sobre as vidas que gostaríamos de ter (aquela PentHouse é algo do outro mundo!) e, pensando bem, foi sobre as vidas que temos.

Não, não foi um filme sobre a guerra no Iraque, a pedofilia, o racismo, as patologias dos criminosos ou a violência contemporânea. E ainda bem que não foi! Imaginem o aumento nas taxas de depressão, internamento e suicídio, se todos os filmes fossem assim, dignos das *****/ooooo dos críticos de cinema!

Comentários

Anónimo disse…
"e depois porque nunca, jamais, em tempo algum, no bom senso dos meus 50 anos, abandonaria Smith Jerred!"
Ora aí está uma grande verdade!

P.S. Não sabia que a crítica em geral não tinha gostado. Sei que o 24 horas não gostou mas isso tb não me incomodou. mas ouvi dizer queo público fez um artigo grande fixolas (alguém algures tem isso guardado para eu ler...)

Bem... acabadas as aventuras...e agora?
Anónimo disse…
ah, é preciso acrescentar: 3 anos de CC depois, e não sabia que o Voltaire tinha escrito cartas de amor! não me digam que o filme é só sobre sapatos, isto é conteúdo educativo! =P
Fátima disse…
sou eu que tenho a reportagem fantástica para a Inês ler, é da Joana Amaral Cardoso, como nao podia deixar de ser =) mas já um senhor crítico que nao é o meu "amigo" jorge mourinha, deu uma bolinha ao filme, o que quer dizer "filme tao mau q nao merece nem uma estrela", porque foi parvo e viu o filme apenas como pontos de camara! baaahhh sublinho por baixo em tudo o que dizes!
fati
Lolly disse…
Eu gosto dos quizzes da net. Vieram comprovar aquilo que eu sempre aleguei: a Carrie é totalmente baseada em mim! O que é uma injustiça visto que não recebi qualquer compensaão monetária por explorarem assim o meu carácter e personalidade!
E tens de admitir: tu e a Samantha... até se entende lolol
***********
Ale disse…
I AM NOT SAMATHA JONES!
and u know why!

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