Menina vestida de dança do ventre não paga!

Chegou finalmente o dia mais ansiado pelas alunas da Professora Íris e mais temido pelos familiares e amigos das mesmas. O dia do espectáculo de Dança Oriental!



Na verdade, foi o dia DOS espectáculos, pelo menos para as bailarinas (e espero que só mesmo para elas, para bem da sanidade dos espectadores, ou do que restou dela) que fizeram bis da performance. Duas horas e meia mais duas horas e meia outra vez com veste, despe, troca, destroca, come, entra, sai, retoca e faz xixi (ou então não, porque a casa de banho não primava pelo asseio).

O bis tem as suas vantagens: depois de na primeira sessão bater consecutivamente com o dedinho grande do pé num pau qualquer mal posicionado na entrada do palco, à segunda já não caí nessa; as pernas já não tremeram enquanto dançava; e também já sabíamos que a plateia olha para nós como se estivesse a ver as televendas às 5 da manhã e que temos de fazer uma improvisação no final.

Por outro lado, tivemos mesmo de ver outra vez os 10 minutos de “giros”. Eu também não sabia o que são os giros. São uma coisa má, eu diria satânica até! Entram várias bailarinas com roupas esvoaçantes e começama a andar à volta de si mesmas, e passados 5 minutos continuam a andar à volta de si mesmas, aliás, não fazem outra coisa, senão andar à volta de si mesmas. Uma pessoa fica tonta só de olhar, sem falar no quão excitante é ficar 10 minutos a ver saias a rodar. É que nem sequer trocam de sentido! Nem ninguém cai ou se engana, porque também não há muito por onde falhar... A colocação estratégica dos giros no fim da primeira parte também me parece arriscada: depois desse carrossel oriental quem é que tem vontade de “andar outra vez” quando o intervalo acabar?



De facto, em ambas as sessões houve quem não voltasse. Mas vamos acreditar que era porque tinham coisas muito urgentes e importantes para fazer...quase tão importantes como as dos que saíram no próprio decorrer do espectáculo!
No entanto, não acho que tenha sido um fracasso. O teatro encheu, houve críticas muito positivas e até houve quem ficasse até ao fim sem ser por obrigação conjugal ou paternal!

Duas horas e meia é que é muito tempo e as cadeiras são desconfortáveis... mas houve de verdade danças lindas e, com a mesma verdade, houve coisas horrendas... Porque há pessoas que gostam de ser a estrela da companhia, o que já de si não é simpático. Se a isto juntarmos uma cinquentona convicta de que ainda tem 20 anos e com os peitos ao léu numa coreografia expressivamente exagerada, o resultado é uma plateia inteira a rir (por dentro e por fora), incrédula, atónita e com meeedo, muuuuuito meeeedo! “O que foi aquela intervenção?” ou “Eu não precisava de ver aquilo, como é que vou conseguir dormir esta noite?” foram apenas alguns dos transtornados comentários que se ouviam no burburinho do after show... Eu não tenho pena, nem remorsos do que ri. Se eu decidisse obrigar uma plateia inteira a ouvir-me cantar também teria que estar preparada para reacções adversas. Ela sabe disso e não se importa! Afinal, fez um solo inesquecível!



Quando, exausta, regressei à minha viatura para tornar a casa, aguardavam-me 3 sorridentes polícias. Ele há pessoas com “sorte” pensei eu...
Duas contra ordenações com direito a reboque e multa e blá blá blá... No meu íntimo, eu sabia que estava em contramão e que havia ali uma placa de estacionamento proibido, mas na altura o arrumador disse que não havia problema nenhum. Eu, depois de já ter recusado estacionar em cima do passeio e à frente de uma garagem, rendi-me ao lugar do outro lado da faixa, aparentemente normal. Só reparei no sinal com a proibição quando saí. Mas o arrumador reforçou que não havia problema, que era Domingo. Pareceu-me um argumento convincente: rua pouco movimentada, Domingo de sol, que polícia é que vai para Xabregas passar multas? A única coisa que me escapou foi que o lugar era em frente às instalações do exército!
Felizmente, os polícias estavam mais interessados em observar as moedinhas da minha vestimenta (bendita hora em que decidi não trocar de roupa) e em saber como tinha corrido o espectáculo/onde era, do que em passar multas ou chamar reboques.

Voltei para casa isenta de qualquer tipo de encargo ou sanção e a pensar seriamente em passar a guardar a roupa de dança do ventre no carro, para as curvas!

Comentários

carla disse…
realemente... mta sorte!! arranja la umas dessas pas tuas amigas :)
Margarida disse…
Sim, eu estava à espera de uma espécie de espectáculo da escola (desculpa...) e, afinal, a coisa foi bastante profissional!

Ah e estou muito zangada porque a senhora nua não ficou nua na segunda sessão e eu também me queria ter rido! Sim, quando as coisas correm um bocadinho pior o público sente um certo constrangimento que se assemelha à adrenalina e que é, por isso, divertido.

Mas quando não há constrangimento é melhor para os artistas! Gostei mesmo muito =)
Ale disse…
"os artistas" ah ah ah
bem eu sou uma artista e pêras e melancias e cerejas e toda uma salada de frutas!
ainda bem q gostaste, houve momentos em q pensei que ia ter de te reembolsar a ti e à tua mãe!
Ale disse…
calitax eu ag tnh um stock de roupas de dança do ventre... n vos tou é nada a ver vestidas c elas.. imagina a camões de cinto de moedinhas a dar à anca! ah ah ah

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