##%&$##***+!!!

Toda a gente tem um talento especial. O meu, é criar no quotidiano da minha vida situações daquelas que “essas coisas só te acontecem a ti”, a mim, no caso.

Ontem ao almoço eu, que nunca como choco frito, decidi comer choco frito. Com molho “rosé”. O maldito do choco frito parecia pedra pomes frita (não que eu já tenha degustado, mas imagino que seja dura). Foi então um momento de grande embaraço, quando as severas investidas da faca resultaram numa expelir de choco frito com molho “rosé”, diante dos olhos da minha chefe e do meu coordenador. Agrava o facto do meu local de trabalho ser bastante formal, daqueles em que não se pode usar calças de ganga, ténis nem chinelos e do choco frito, armado em Neil Armstrong, ter embatido no meu top de seda antes de aterrar, derrapando o molho rosé num caminho de manchas sem saída.
Bom, sejamos optimistas, era consideravelmente pior se o choco frito tivesse aterrado no prato/colo da minha chefe ou do meu coordenador!
Passei o resto dia de braços cruzados ou com o casaco estrategicamente pendurado, a cobrir a zona manchada (um frio súbito na barriga), feliz por ir directa do trabalho para casa.

Mas a hora da saída revelou-se um drama assustador! O carro não pegava. Como assim não pegava? Roda a chave uma vez, duas e três. Nada, nem um soluço do motor!
Desiste, para, pensa, observa... as luzes estão acesas... as luzes estão acesas desde as 8.30 da manhã! Sim, é isso, até eu consegui deduzir correctamente: o carro estava sem bateria. O diagnóstico foi fácil, difícil era resolver o problema! Ora eu sei lá o que é que se faz quando a bateria acaba, se já tivesse acabado alguma vez eu saberia, agora assim é compreensível que não saiba...
Os meus pais e amigos mais chegados vivem a 300km de distância, estão descartados. A lógica da proximidade prevalece, ligo para o meu coordenador. “Ena, gostas mesmo de nós!” “Não, quer dizer sim, mas não é isso. O meu carro não tem bateria! O que é que eu faço? A quem é que eu ligo?” “Ah... e eu não tenho os cabos no carro” – (não tens o quê?) – “mas espera aí que vou ver se os serviços gerais têm os cabos - (mas quais cabos????) – “se não, tens de ligar para o seguro”.

Lá estava eu, em baixo do aqueduto, fora do carro, à espera de alguém e de alguma coisa que dava pelo nome de “os cabos”, com o meu top de seda manchado de choco frito e molho “rosé”! O que, juntando ao facto de me ter esquecido das luzes acesas, de não saber como se abre a tampa onde está o motor do carro (que também não sei como se chama) e de desconhecer por completo os procedimentos em caso de falta de bateria, me conferia um ar especialmente credível!
Chegou o meu coordenador, um dos rapazes dos serviços gerais e os já famosos cabos! Os cabos são, como o pórpio nome indica, cabos. Nas pontas têm umas pinças gigantes, estilo monstro lagosta. Uma das pinças foi ligada à bateria no porta bagagens (outro inédito para a minha pessoa) do carro do rapaz dos serviços gerais, a outra à minha. Houve ali, literalmente, uma ligação forte e uma esotérica partilha de energias entre os dois veículos.

“Agora não podes ir já para casa. A bateria carrega com o motor a funcionar, vai dar uma volta até Oeiras ou assim...”
“Mas eu não quero ir para Oeiras, eu quero ir para casa...”.
Não fui para casa, fui até à rotunda de Carcavelos e voltei, amaldiçoando todos os ciclistas que acham que a faixa direita da marginal é o local ideal para passear de bicicleta!
Ao preço que anda a gasolina e com a faixa da direita ocupada pelas ditas criaturas pedalantes, garanto-vos que neste passeio forçado, já não houve qualquer réstia de esoterismo romântico!

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