Contas à vida

“Cuánto vive el hombre, por fin?
Vive mil años o un ano solo?
Vive una semana o varios siglos?
Por cuánto tiempo muere el hombre?
Qué quiere decir para siempre?”

Pablo Neruda

Pelas minhas contas, e note-se, por favor, que eu sou de letras:

Vivi uma vida quando estive em Itália, e mais mil anos de criança e parvoíce em Portugal.
São séculos de memórias de Faro, misturados com memórias várias.
Morri no primeiro desgosto de amor, nos que já perdi a conta, e no úlitmo.
Para sempre não quer dizer nada.
Mas os pais e os filhos são para sempre, os amigos são para sempre, o Erasmus é para sempre e o primeiro amor também, e os que vêm depois e os outros que vieram antes e ao mesmo tempo.
O resto eu não sei.
Só sei que vou para Barcelona.
Dia 20 de Outubro.
Vou lá trocar a bateria do meu relógio.
Relógio não, que eu não uso.
Vou pôr areia nova, quem sabe de cores, na minha ampulheta!
(Sim, eu tenho uma!
Grande coisa, temos todos.)
Porque aqui os dias começaram a repetir-se mimeticamente, estagnaram a sua passagem, como se também eles estivessem de greve.
Que ideia disparatada!
Toda a gente sabe que o guionista do destino é um radical anti-greve!

Já avisei que em breve vou pedir demissão,
já me certifiquei de que entrei no mestrado da UAB,
já comprei o bilhete de avião.

Não existe
"Se não for"

Já está tudo decidido,
no indefinido de tempo
que tenho ao meu dispor.

Assim dá conta certa.

Ou então não!

Existe um conjunto infinito de soluções para esta equação...

(Eu avisei que era de letras)

O resultado...

Só o "tempo" dirá.

Comentários

Tracey disse…
tão giro. o chico tem razão, a tua escrita tem algo de bob dylan.
Alê disse…
escolhi uma citação em espanhol especialmente a pensar nas senhoras aprendizes! ;)

besitos
Enes disse…
muy bien! me encanta barcelona!

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