Piquenicanices...

"Sábado de Sol
aluguei um caminhão
p'ra levar a galera
p'ra comer feijão
chegando lá, mas que vergonha
só tinha maconha..."

Não, não havia droga! Mas com uma ou outra adaptção, esta bem que podia ser a nossa canção...



Fazer um piquenique é giro. É diferente! Eu fui adepta da ideia desde o seu rascunho. Mas depois, confesso que o termómetro na casa dos 30, o carro sem ar condicionado e o projecto concreto “Vamos para o meio do mato”, desmoronaram o meu entusiasmo inicial. Mas se a Rita tinha decidido que esta era a maneira ideal de comemorar o seu 23º aniversário, nós não podíamos faltar! Digo nós porque houve quem tivesse pulado a fase do entusiasmo inicial directamente para o abismo do esmorecimento… e não obstante, estávamos lá todas!



Quando éramos pequenas, os meus pais costumavam levar-me a mim à minha irmã e aos nossos chapéus de palha, a Alte. Adorávamos andar na ribeira ou fonte ou “água com cocós”, como diz a Carla. É mentira, a água não tem cocós! Os pés adquirem uma tonalidade laranja-preocupante mas, à parte disso, não manifestam outros sintomas.
Mas os meus pais não nos levavam a Alte no pico do Verão! Porque a malta pensa que os piqueniques estão fora de moda e que vamos ter o meio do mato todo só para nós, mas a verdade é que se chega a Alte no primeiro fim-de-semana de Agosto e os lugares para estacionar já escasseiam e o grelhador já está lotado!

O ambiente era quente e as pessoas assim do tipo gordo farto, pindérico pop, palavroso vintage, agudos altos, enfim, o “povão” na sua mais grandiosa expressão! E depois havia os turistas, a passear naqueles jeeps disfarçados de zebra, porque aliás, como toda a gente sabe, as zebras são um importante coqueluche do ecossistema da serra algarvia…
A verdade é que, como a Bi evidenciou, se não fosse o “povão” nós nem teríamos saciado a nossa fome pantagruélica, porque possuíamos as febras e as sardinhas mas faltava-nos a grelha (“Tão, era preciso?”), o jeitinho e a experiência. Felizmente, o “rei do grelhador”, como ficará conhecido para posteridade, simpatizou com a nossa causa e grelhou-nos a comida toda enquanto nós nos banhávamos nas águas sem cocós!



As meninas do Algarve fizeram um escândalo a cada entrada na água, “está fria” diziam elas, “Hão de experimentar a Caparica um dia destes” respondia eu, enquanto observava os seus meticulosos rituais de contorcimento corporal e as caras medonhas. Pior que isso, só quando vinham as abelhas! Aí era uma gritaria desenfreada, um levantar escandaloso, o pânico nas mesas de piquenique, tal qual autentico filme de terror! Aliás, nós praticamente estávamos a ser atacadas pelo Godzila!!!
De facto, havia, sim, abelhas a mais! No entanto intriga-me como pareciam andar só à nossa volta, a julgar pela quantidade de histerismos que não se verificaram em mais nenhum grupo de piquenique.



O Party&Company teve de ser interropido por motivos de força maior (bzzzzzzzz, bzzzzzzz) mas a minha equipa “babes for ever yuhuuuu” sagrou-se vencedora absoluta e indiscutível com dois disquinhos!

O resto do dia fez-se na companhia dos senhores popularuchos que montaram uma plateia para assistir às nossas aulas de dança do ventre aquáticas, com os respectivos comentários desses mesmos senhores popularuchos (de uma subtileza indescritível), com as respectivas mulheres dos senhores popularuchos a insultarem-nos entre dentes e a alvejarem-nos com as bolas de brincar dos filhos, e com mortais, pés nas cabeças aleatórias, gargalhadas atrozes e outras acrobacias que tal, na bóia/pneu gigante, de onde expulsámos as criancinhas mais próximas. Mas elas já estavam a ocupá-la há muito tempo!

O adeus foi feito em grande, com um sururú masculino que se ergueu na esplanada à nossa passagem: uma onda humana envolta em gritos hormonais de quem parecia estar a ver uma mulher (sem bigode) pela primeira vez!

E nós éramos 12 (todas coma depilação feita) imaginem a loucura!

Comentários

Rita Teixeira disse…
Eu vi uma zebra lá no meio, isso te garanto!

E a melhor parte, é que ninguém gostou mas toda a gente adorou. Porque eu tenho amigas de jeito! Assim como se eu fosse um Sol, com vários planetas (com a depilação feita) a circular à minha volta, todos contentes e fiéis ao astro-rei...

Gracias chica! Pela presença e especialmente, pela aula de dança do ventre.

Beijuuu
Rui Coelho disse…
humm portanto eu acho piada ao teu texto sobre o sonho americano, vou descendo, leio mais alguns e venho parar a uma foto onde aparece a minha prima que vira esquizofrénica ao ver tonalidades duvidosas de pés mergulhados em águas tão algarvias como ela?

(aposto que a primeira a ter visto o godzila foi a carla).

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