Começar o dia como se fosse o último...

Há coisas piores do que não tomar o pequeno-almoço de manhã. Ontem aconteceu-me uma dessas coisas piores, duas aliás, consecutivamente, dizem que um mal nunca vem só...

Eu e os carros é uma relação íntima de ódio-ódio, provavelmente por falta de compreensão e tolerância da minha parte. Agora também já perdi a confiança. É normal, quando uma pessoa se vê a girar dentro do carro como se fosse uma das chávenas do carrrocel da Alice na eurodisney. Mas foi um peão lento e sem encanto, na curva à entrada da auto-estrada.

Por um lado, senti-me numa cena de filme de acção, estilo “Velocidade Furiosa”, por outro, enfiei, sem qualquer glamour, o carro na vala da berma, pisando a fundo o travão para evitar bater no pau de ferro da única placa que ali estava. Obviamente que com tanto espaço disponível para me despistar eu tinha que ir justo na direcção da supramencionada placa. Travei a tempo (a vala deve ter ajudado). Posso garantir-vos que não chorei, mas fartei-me de desembaciar os olhos.

Chamei o reboque, em 10 minutos o carro tinha andado aos ziguezagues e tinha feito um peão numa curva, fora o rugido anormal quando arrancou, era nítido que havia um problema na direcção! Não consegui explicar ao reboque onde estava (a curva não tinha nenhuma plaquinha a dizer o nome) pelo que ele se dirigiu para a A5, quando eu me encontrava, no que depois descobri chamar-se “a entrada da CRIL para apanhar a 2ª circular”. Até foi mais ou menos o que eu tinha dito à telefonista, só não me lembrei que se chamava CRIL.
Escusado será dizer que o reboque demorou cerca de uma hora e ainda me ligou porque estava perdido no meio de Alfragide – “Não meu senhor, eu não estou em Alfragide”.

Saí do carro (sempre a desembaciar os olhos) com o belo do colete amarelo fluorescente vestido (que não imaginam como me fica a matar!) e lá fui, à chuva, tentar montar o triângulo que não se aguentava em pé.
Pouco tempo depois de, a muito custo, ter conseguido equilibrar o triângulo ouvi um “badum”. Como toda a gente sabe os “baduns” nunca são bons sinais. Um simpático camião acabara de atropelar o meu pequeno triângulo destroçando-o em quantas arestas é possível. Fiquei eu, à chuva, de colete amarelo fluorescente, a fazer de triângulo. E pensando que mais ridícula do que aquilo não existia, dei-me conta de que o meu colete fluorescente ainda tinha a etiqueta pendurada...

Parou um carro para me ajudar (entretanto arranquei a etiqueta). Perguntou-me se estava tudo bem (oh! Estava tudo maravilhoso!) tirou-me o carro da vala, apercebeu-se da inutilidade da sua presença, não obstante a tremenda simpatia, e seguiu viagem.

Foi então que, sem badum nem sinal nenhum, outro carro veio ao meu encontro. Não, não estão a perceber, ele veio ao meu encontro às voltinhas e só parou quando embateu... no pára-choques da minha viatura. (Mas eu também já tinha dado uns pulinhos estratégicos, guiados por esse método científico que consiste em, numa fracção de segundo, adivinhar para que lado um carro se vai despistar).

A minha viatura, até então ilesa, aguarda agora peritagem e substituição do pára-choques. Os problemas da direcção parecem não ter sido diagnosticados por mais ninguém além da minha experiente pessoa. (Estes técnicos e engenheiros que não percebem nada de carros!). Consta que foi do óleo da estrada porque é sempre assim com as primeiras chuvas.

Então, foi ou não foi a melhor maneira de começar o dia?

Comentários

Anónimo disse…
ohh babe espero que pelo menos a tua pesoa tenha ficado intacta! Se bem que acho que podemos esperar que o teu orgulho nao... Tadinha.. Boa Sorte com isso**
Lolly disse…
"pau de ferro" lol: ou é pau ou é ferro menina!...

shit happens, but u can always smile at it and scream: I WILL SURVIVEEEEE!

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