A magia do cinema europeu



Na Segunda à noite dirigi-me aos cinemas do Alvaláxia para a sessão das 21 (e 25). Deixei a minha residência por volta das 20.50. Se na apoteose da hora de ponta matinal 30/45min chegam para alcançar o meu local de trabalho (com vista para o estádio de Alvalade) achei que ia com tempo de sobra. E ia, mas não que chegasse para a fila à entrada do Campo Grande. Estava muito pior do que na tal apoteose da hora de ponta matinal. Mas que raio... Será que justamente hoje toda a gente decidiu ir á sessão das 9 do Alvaláxia? De certeza que foi um acidente... (oh! Mas a certeza é uma coisa tão dúbia)!

O que quer que fosse estava a paralisar o meu veículo no mesmo “spot” (os estrangeirismos dão pinta) há já 10 minutos. Entretanto, pessoa acompanhante à porta do cinema, com os bilhetes comprados e, para seu grande desagarado, kizomba a passar no som ambiente.

Para incutir mais realismo, imaginem que eu estava tão parada que até conseguia fazer telefonemas e enviar mensagens de telemóvel, tarefas fáceis para o comum dos condutores, mas não para mim.

O que não parava nem por nada eram os ponteiros do relógio e rapidamente as 8.10 se transformaram em 8.20, 8.25 e eu havia avançado 10 metros, se tanto.
Restava esperar que a lista de filmes para apresentar fosse larga e que passassem o anúncio contra a pirataria e o da super-bock pelo menos duas vezes cada um.

Devagar, devagarinho, quase parando, a fila lá foi andando. As luzes ao fundo tornaram-se mais nítidas, os polícias adquiriram tamanho real. Não havia acidente nenhum. Havia uma grua enorme no meio da estrada, cuja presença gerava um engarrafamento do Campo Grande até ao Colombo.

Pelo menos lugar para estacionar foi fácil.
Saí do carro a correr, subi as escadas a correr, tropecei nos sapatos, ou os sapatos tropeçaram no tapete, não percebi bem, e caí de joelhos em pleno chão à porta do Alvaláxia. “Pum”. Uma queda seca e directa. Ninguém se riu, ouvi só um “aaah” mas nem dei tempo para me oferecerem ajuda. Levantei-me no mesmo momento e continuei a correr. Pude assim comprovar que os leggings são mesmo de boa qualidade e que o filme “Bem-vindos ano Norte” justifica o apanágio da implacável crítica francesa: os joelhos ardiam-me intensamente e eu ria às gargalhadas, porque mesmo chegando depois do filme já ter começado, é possível rir do princípio ao fim.



O argumento é bastante original, trata diferenças culturais dentro da mesma cultura, os actores são óptimos e tudo se passa em francês, bom, mais ou menos, mas se contasse ia estragar a surpresa.

Só posso garantir que valeu bem cada joelho esfolado.
(Mas o ideal seria vê-lo em plena integridade física)...

Já que estamos numa de filmologia, outro filme comunitário actualmente em cartaz e digno de visionamento, porem num registo de realismo dramático (tipologia acabada de inventar) é a Gomorra, que nos faz uma visita guiada e subtil às entranhas da máfia napolitana.

E com estes filmes uma pessoa sente-se logo muito menos comercial!Quase como se até tivessemos uma identidade própria e independente.
Enfim, só me falta "O meu querido mês de Agosto".

Comentários

Rui Coelho disse…
Não sei se chegaste a ver o queridinho mês de agosto, mas, joelhos esfolados ou não, também é possível rir do princípio ao fim; sendo este um filme português, a coisa não é pouca.

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