Como é que te chamas?

O nome. Esse substantivo próprio que nos marca toda a vida, que nos indica, nos inclui, mas que, na verdade, é completamente aleatório à nossa pessoa. Se por um lado somos o nosso nome, por outro, não me venham dizer que alguém quer ser Umbelina, Quitéria, Ernani ou Inocêncio por livre e espontânea vontade!

O nome é, pois, uma coisa paradoxal. Já o meu nome, especificamente, é algo que transcende o paradoxal e tende a não ser aceite pelos circuitos informáticos administrativos da Catalunha. Sem falar na infinitude de vezes que o meu sobrenome vem mal escrito, mas isso já é tão natural como nenhum estrangeiro conseguir dizer Neuza. Se fosse Niuza, ou Mouza, eles conseguiam, mas como não é, ela agora decidiu que se chama Laura. Ah! E quando o senhor dos correios não parava de me dizer “Menzarril Menzarril” e afinal queria era deixar uma encomenda para a Neuza Gil? Sendo que Gil não é o sobrenome da “Menza”, é o segundo, como Ana Rita. Falando nela, foi de todas, a que teve de tomar a decisão mais difícil: abdicar completamente da sua identidade nominal. A Rita Teixeira é agora toda uma outra pessoa que dá pelo nome de Ana Correia, ou seja Ana Corea. Ainda tenho de me habituar à ideia, porque se alguém perguntasse, assim de repente, eu diria que não conheço.

E depois há o meu nome, com os seus 5 nomes, ao qual ninguém se consegue habituar. Não cabe em nenhum formulário, não há maneira de o saberem escrever sem eu o soletrar ( e mesmo assim…). Já estou acostumada ao levantar das sobrancelhas depreciativo como quem diz “Mas isso é um nome? Mas não havia nada mais bonito/fácil? Mas estás a gozar comigo?”. Porém, a assistente do Master, optou por outra táctica, a frontalidade, referindo-se ao meu nome como “1 problema”. Eu, com toda a paciência do mundo, expliquei que os dois primeiros eram os nomes e os 3 seguintes os apelidos, sendo que em Portugal o nome do pai vem no fim e portanto é esse que é o sobrenome, e não o nome do meio, como aqui em Espanha, porque o último nome é o da mãe. A coisa parecia estar a correr mais ou menos bem até ela perguntar: “E este?” – apontando para o primeiro apelido. Eu repeti, como se ela fosse uma criança de 5 anos: “este é o nome da mãe e este é o nome do pai” – e esperemos que o outro nome passe despercebido. Mas ela repara! E então vem a pergunta mais temida: “e este”? Bolas! Logo agora que a informação parecia ter sido assimilada! Foi como se uma onda gigante tivesse desfeito o meu castelo de areia. “Este.. este também é do pai...” (porque o pai gostava muito do tio espanhol e então resolveu, em jeito de homenagem e à rebelia da mãe, acrescentar mais um nome seu no nome meu).

E pronto, ela levantou as sobrancelhas (Cá está! No fundo, eu sabia que era inevitável) e tudo voltou à normalidade.

Comentários

Enes disse…
mto bom! eu acho q em espanha era mm o unico pais em que talvez o meu nome nao causasse mtooo problema
(pq de resto...tem causado)

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