Dinero Magnético

O meu pai sempre me disse que devia andar com dinheiro na carteira. Por isso, eu ando sempre com dinheiro na carteira. Tal como o meu amigo italiano, que também anda sempre com dinheiro na carteira.

Ora dá para acreditar que, depois 8 horas de viagem, ao chegar a Barcelona de carro a meio de uma madrugada de temporal, ficámos presos na portagem porque nenhum dos 3 cartões de crédito eram aceites pelo “circuito” e nenhum dos 2 jovens viajados, cultos e inteligentes, tinha dinheiro na carteira?

A senhora da primeira portagem (sim, houve mais do que uma) preferiu ficar meia hora a dar-nos um imenso sermão por não termos dinheiro connosco, do que dizer que podia emitir uma factura de dívida, possível de pagar pelo correio.

Na segunda portagem, já nem tentámos o cartão de crédito visa italiano, nem o visa português, nem o Bancomat italiano. Mostrámos logo o papel cor de rosa da factura de dívida e pedimos um igual. Mas como Espanha é um país muito mais avançado do que Portugal, é claro que não existe só uma empresa de portagens, sendo pois óbvio que aquela portagem era de outra empresa, a qual por sua vez não podia passar papelinhos cor de rosa a dizer que devíamos dinheiro (5€ no caso) porque o carro tinha matrícula italiana. O meu amigo ainda tentou o argumento de que a Itália fazia parte da União Europeia mas os catalães não são propriamente as pessoas mais abertas a essas ideias de integração e união dos povos. Assim sendo, propusemos deixar os documentos como garantia de que se nos abrissem a cancela iríamos levantar dinheiro no “pueblo” mais próximo e voltaríamos para pagar esse montante astronómico que são 5€. Mas a solução do senhor da portagem da casinha do lado, que entretanto tinha saído da casinha para se vir juntar à festa, era bem mais simples “Vá andando de marcha atrás pela auto-estrada até encontrar um saída porque nós não o podemos deixar passar”. E assim ficámos, neste não vai e não vai, com um a dizer para fazer marcha atrás, o outro a insistir que tínhamos que ter “dinero magnético” e eu com vontade de deixar uma bela de uma impressão digital magnética na cara de ambos.

Italiano vai espanhol vem, com alguns insultos de catalão pelo meio, um deles diz que nos deixa passar mas que então temos de voltar. Sim, sim, só queremos sair daqui. Mas não tão depressa! O da casinha do lado chama-nos para um pequeno téte-a-téte:
“Tu, fumas?” – pergunta ao meu amigo, que entretanto se começa a rir com algum desespero e responde:
- Não, eu devo ser o único rapaz de Nápoles que não fuma.
O nosso interlocutor ri-se e abana a cabeça, enquanto nos deixa passar com um ar superior e condescendente e nos ordena que paremos na próxima saída da auto-estrada para levantar dinheiro. O que de facto fazemos e que nos posteriormente nos permite pagar os 3€ da portagem seguinte.

Só já depois dessa empreitada em busca de um multibanco é que o meu amigo me elucidou sobre o “tu fumas?’”. Não Ale, não era tabaco que ele queria!

Aaaaaaah! Mas então fico muito mais descansada!
Nas portagens de Barcelona o “circuito” aceita “dinero magnético” e substâncias ilegais também, mas Visa Electron é que não!

Comentários

Enes disse…
é mesmo reconfortante saber que estes alegres momentos não acontecem só em portugal!

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!