Los pasteles de la risa



Experimentar coisas novas é um must para qualquer forasteiro em território internacional. Por isso, abraçámos com grande entusiasmo o conceito de “festa internacional” que a turma da Neuza estava a desenvolver. Fomos propositadamente à Casa Portuguesa comprar pastéis de Belém e vinho alentejano. Do supermercado, trouxemos chouriço e pão. E assim partimos, prontas para representar a nação e fazer de exímias juradas sobre a culinária alheia.

Claro que não sabíamos que a casa anfitriã, além de ser em Cerdanyola (muitos km de Barcelona) era em Cerdanyola profunda (longos minutos de caminhada a pé desde a estação, rompendo a ar gélido das temperaturas a menos de 10 graus). E eu senti-me como aquele jovem suicida do “Into the Wild” que parte para o Alaska de mochila às costas. Vá lá que nós somos mais precavidas e levávamos pastéis de Belém! Proactividade é, aliás, algo que não falta cá em casa, ainda no outro dia a Rita estava a responder a um interessantíssimo quizz intitulado “Eras capaz de comer os teus amigos num nevão?”.

A festa Internacional afinal era uma festa italiana, porque metade da turma da Neuza é italiana, com um colombiano, dois ou 3 espanhóis, quer dizer, 2 ou 3 catalães, e nós e os pastéis de Belém. Ah! E dois polacos, um porque era room-mate da anfitriã (Francesca di Napoli) e outro porque era amigo deste primeiro. Sem saber bem como nem porquê, quando dei por mim estava o polaco a dizer-me de que cidade era, sendo que não era nem de Varsóvia nem de Cracóvia. O que quer dizer que cada lugarejo polaco que ele nomeava para me situar, respondia uma resposta negativa do meu mapa geográfico da Polónia (que contempla apenas duas cidadades). Não, não me sinto mal, ele também não sabe onde fica Faro nem o que é o Algarve, ou “Allgarve”, como agora lhe chamam… Enfim, mal, mal, senti-me quando ele me começou a explicar, no seu excelente polaco inglês, que era engenheiro e que trabalhava com electrões. “DO you kno electrons?”. E eu respondi que sim, que conhecia os electrões e os protões. O que é que eu fui dizer! Em menos de um nanossegundo começou a contar-me todo o processo por que passavam os electrões até produzirem “Energia!” – disse eu orgulhoa – “No no, electromagnetic waves, do you know?”. Oh filho o que eu sei é que há pelo menos 30 pessoas nesta festa, porquê falar sobre electrões comigo, porquê?!

De salientar que a conversa dos electrões só veio depois de cortar o chouriço assado ao lado do colombiano que fazia arepas e me salpicava de farinha sem nem reparar. Ainda por cima não gostei das arepas mas tive que fazer um esforço para comer uma inteira como se fosse muito boa porque ele estava mesmo ali à minha frente, ainda meio enfarinhado, depois de duas horas a preparar a sua iguaria colombiana. De resto, provei várias pizzas – que emoção! - e uma tarte salgada que, quando perguntei a um romano o que era, ele me explicou pormenorizadamente: “Acho que é típico da Toscana mas “insomma è una tarta salata” – uau, a tarte salgada afinal é uma tarte salgada!

Mas a “prova” da noite foi para a Neuza. Chamavam-se “Pasteles de la risa” – risa=riso em português mas riso em italiano é arroz e ela. Ingénua e inocente, achou que eram uma espécie de bolos de arroz. Não eram! Não sabemos o que eram, nem quanto tinham daquilo que não sabemos que era o que tinham. Fui clara? Facto é que, depois de uma fatia inteira, vieram efeitos inesperados e uma súbita necessidade de ir embora. Conta ela, que as imagens das pessoas lhe paravam diante dos olhos e que já não sabia se estava a falar espanhol ou português. Tinha frio, tinha calor, tinha dor de barriga, tinha sono… E ia pedindo desculpa, mas a Rita disse e muito bem “Oh Neuza, sempre que for para nos proporcionar momentos como este não te preocupes! Come os pastéis da risa que quiseres!” – porque os pasteis da risa faziam mesmo rir, só não exactamente a quem os come…

E são assim as experiências, boas ou más, aprendemos sempre alguma coisa!
É ou não é Neuza?

Comentários

neuza disse…
Por dioooooooos! Agora sim é que me dá vontade de rir, na altura só tinha vontade de encontrar a minha caminha e o meu voto de silêncio foi precioso para não dizer disparates!

Mas diz lá que não te faziam falta uns daqueles para aturar os polacos e os seus electrões?!

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