“No creas en los príncipes azules, la mayoría destiñe al segundo lavado”



A frase é do designer Jordi Labanda. Encontrei-a enquanto fazia pesquisa para o projecto final de mestrado. É uma frase que, em inglês, podia integrar o guião de um qualquer episódio do Sexo e a Cidade. A colecção inteira com a season 1 de oferta mas sem legendas em português foi a MVG (most valious gift) do meu pinheiro artificial de Natal. Pijamas, cuecas, meias, nada disso! Sexo e a Cidade! E um disco rígido exterior… yeyyyy! É para não perderes as tuas coisas da próxima vez que te esqueceres do pc no meio da rua, ou que o roubarem, ou que lhe aconteça alguma coisa genérica desse tipo. Duplo yeyyy!!!

Imbuída do visionamento contínuo da minha MVG (12 episódios em 2 dias), comecei a ler um livro do Mário Zambujal e vou retomar o el Quijote em castelhano quinhentista. Mas além dos remorsos por passar 2h30/dia em frente ao pc, a ver desfiles de roupas e penteados fora de moda (comecei pela season 1 que veio de oferta), fui assolada de inspiração para comentar frases como esta.

Antes de mais, porque é que o “príncipe encantado” tem de ser azul? Assim sem sobreaviso, azul azul só estou a ver uma amiga minha (cuja identidade preservarei para minha própria protecção) embriagada na festa do meu aniversário e o Gualter, da Rua Sésamo, que é muito fofo mas de príncipe tem muito pouco.
E depois, dando uma de Carrie Bradshaw, vou fazer uma pergunta retórica: será que em pleno séc XXI, era pós-tragédia da princesa Diana (que efectivamente casou com um príncipe), pós traição do Brad Pitt, pós-casamento e consumação do casamento da Bárbara Guimarães com o Carrilho, nós procuramos um príncipe (azul)? Ou, pior ainda, nós acreditamos no príncipe encantado (e azul)?



Depois de ler “Já ninguém morre de amores”, de ver a season 1 do S&C de forma compulsiva, de chegar a meio do “Jão não se escrevem cartas de amor” e ao terceiro Capítulo do D.Quijote (há que ter em conta que, mesmo na edição de bolso, a história insiste em só começar na página 113), senti-me oficialmente documentada para opinar sobre o assunto. Acho pois, que há vários tipos de crenças alternativas ao príncipe azul: amor cego, paixão assolapada, sentido de humor, conta bancária que nunca entra em crise, Cristiano Ronaldo e, obviamente, moinhos de vento. Muitas outras haverá, mas nenhuma delas exprime, necessariamente, um Apolo+Einstein+Camões+Gato Fedorento+Donald Trump (economicamente falando) + (…).
E ainda nos estamos a esquecer do complexo de inferioridade que, a longo prazo, um príncipe encantado poderia causar (se bem que se ele fosse azul talvez desse para equilibrar com as estrias e a celulite).

Pessoalmente, o único príncipe em que eu acredito é o do Saint-Exupéry, aquele que, previdente e atencioso, tem uma plantação de rosas na lua e, sensível e criativo, desenha jibóias a engolirem elefantes.

Who can top that?

Comentários

Enes disse…
Apolo+Einstein+Camões+Gato Fedorento+Donald Trump

gostei :P

(se bem que nunca fantasiei com homens ricos, é-me bastante indiferente)
Tracey disse…
sim sim! óptima equação. mas também não acredito em principes, só quase-principes. a pessoa ganha brilho de principe quando gostamos dela, digo eu
Rui Coelho disse…
talvez uma aventura como a dos moinhos de vento, sobretudo se editada em castelhano quinhentista, possa valer ao bom quixote uma séria candidatura ao título de príncipe azul. Sem desprimor para o fiel pança: manteado e moído, mas fiel.

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