As meias-noites

Há coisas que só acontecem uma vez na vida. A meia-noite da passagem de ano não é uma delas.



As primeiras 12 badaladas seguiram com 12 uvas oferecidas pelo dono do restaurante italiano, que ninguém conseguiu engolir a tempo de fazer desejos. Mas depois das consecutivas pratadas de salada, pasta, lasanha, enchidos, pizza e carne assada do menu de 25€, o único desejo possível era que levassem dali os pratinhos com fatias de tiramisú.
A segunda cava foi aberta numa humilde carruagem do metropolitano de Barcelona, entre olhares estarrecidos de espanhóis alternativos (conflito étnico-social para descobrir um termo adequado e não insultuoso) e espanhóis status quo (porque se disser normais vai implicar que os alternativos não são normais). Eram as 00 portuguesas, e só aí, pudemos entrar verdadeiramente em 2009!



Nos dias antecedentes, elas foram à Sagrada Família e à Pedrera, eles foram ao Camp Nou (parece-me digno registar que a visita guiada ao Camp Nou é mais cara que as entradas da Sagrada Família e da Pedrera juntas) e às compras.
As noites não passaram sem sobressaltos, mal de estômago, roncos, acusações mútuas de roubo de almofadas e cobertores, o MAC drive que não serviu os meninos porque eles não tinham carro e o Gui que se mexia muito na cama “Mas tu és o quê? A navegante da lua a transformar-se?” queixava-se o Tiago.
Seria preciso um post para cada incursão nocturna, de modo a descreve-las em toda a sua plenitude: a noite em que o Tiago fez um strip gratuito para uma despedida de solteira marroquina, a noite em que eles se perderam nas ramblas, a noite em que congelaram a gelatina de morango.



Não foi uma passagem de ano pedagógica, nem fizemos um balanço individual do ano, nem desenhámos perspectivas para o futuro. Mas rimos tanto que as vizinhas até vieram reclamar. Então, nas noites sucessivas rimos mais ainda (a Brandão já chorava!), só que com a porta da sala e janela da cozinha fechadas (e pedimos ao Xico para controlar a sua voz tão forte em personalidade).
Vingou o lema “o colectivo pelo individual”, apesar da relutância do Xico, argumentando que rapidamente o colectivo se dispersava pelo feminino e ele ficava individualmente sozinho.
Todas as portas tinham enfeites de Natal, a nossa tinha um sinal de stop e um pino de sinalização (genuínos) – cortesia dos meninos.

Cada momento superou todas as expectativas.
2009 não podia ter começado melhor!

Comentários

carla disse…
Estamos tão felizes... nunca tinhamos passado duas vezes a meia noite.E juntar os "bola negra" com "as do basket" com o lema "colectivo pelo individual" , também foi historia...Nos bebemos whisky e eles cozinharam...
"Vueltas no pago"
Rita disse…
"Puede poner la musica mas alta?"
(aumento de volume)
"Ahora puede cambiar de radio??"
(Rita a desejar ir NOUTRO taxi...)

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