Pum pum pum à valenciana



Os primeiros dois passos são de êxtase. O sol desperta os olhos meio adormecidos e o alvoroço de pessoas, nas ruas interditadas ao trânsito, dá vontade de saltar para o meio da confusão.


Até que PUM! E então salta-se, literalmente.
“Ah! È melhor habituares-te, aqui é assim a cada 5 minutos”.
Passados menos de 5 minutos PUM PUM….PUM PUM PUM!
São crianças sorridentes, são pessoas de meia-idade e de idade e meia que parecem crianças sorridentes. São adolescentes com um brilhozinho nos olhos e são turistas a incorporar-se aos hábitos da terra… PUM!
É toda a gente.
E depois toda a gente se junta, junta não, toda a gente se espreme, em redor de uma gaiola, para o apogeu pirotécnico das duas da tarde. São uns bons vinte minutos de PUMS que se estendem por toda a cidade e que nos envolvem num manto cinzento, enquanto pedaços de não sei que explosivos desabam sobre as nossas cabeças. Uau! Por favor quero bis!



O que mais me espanta é que o sindicato dos pássaros não diz nada. Por esta altura as aves já devem sofrer todas de epilepsia e complicações cardiovasculares.
Mas para os demais é um grande espectáculo e é tudo normal, tão normal que há carrinhos de bebé a passear tranquilamente pelos passeios minados. De vez em quando lá vem um rastro de petardo que nos atravessa o nariz em razia, mas aqui são inúteis preocupações fúteis como perder um nariz ou uma orelha. Afinal, por muito que possa parecer, não estamos no Kosovo. Estamos nas fallas de Valência 2009!



É o “Palio” sem cavalos, onde os bairros competem entre si com figuras megalómanas que enfeitam toda a cidade. As pessoas multiplicam-se à volta delas para tirar fotografias, é agora ou nunca, porque no último dia vão todas para a fogueira.
A festa é na rua e da rua, desde a virgem gigante coberta de flores, aos sets de djs em cada esquina, mais os desfiles de valencianos orgulhosamente trajados, com a banda que os segue, incansável.
Paella, álcool e churros com uns passos de dança são a combinação mais que perfeita para a noite que fecha com cores e formas abstractas a rasgar o céu sem pedir licença. Isso sim é um espectáculo. Escutam-se uns “que bonito!” “bravo!” e no fim as pessoas aplaudem entusiasticamente. Agora é que eu quero bis!
Mas enganei-me, a noite não fecha depois do fogo de artifício.
Porque a festa das fallas de Valência é como o PUM PUM PUM, não para nunca!



Não poderia concluir sem mencionar o mais impressionante, notável e fascinante do festival das fallas de Valência: os cavalos que vão para a praça de touros são portugueses!

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