Praga não é a cidade perfeita



Mas falta-lhe pouco.

Visita pelas ruas da antiga Praga assombrada, guiada por um fantasma autêntico, à descoberta das lendas e dos fantasmas da cidade.
O letreiro aliciante é legítimo. O facto de eu, futura mestre em comunicação com suposto domínio sobre a retórica da persuasão, ter acreditado no letreiro aliciante, isso sim, é escandaloso.
Nem quando a senhora da bilheteira disse que havia pessoas que faziam a visita em um minuto, se dissuadiram as minhas esperanças de encontrar fantasmas a vaguear por algum beco do palácio de Praga.
Afinal, não era exagero, pulando os extensos relatos de histórias por comprovar no primeiro andar, a parte debaixo do museu, podia, efectivamente, ser percorrida em menos de 60 segundos. Até porque era impossível perceber onde estava o cavaleiro sem cabeça ou quem era o cientista cujos olhos foram arrancados.



Mas excluindo o “ghost museum”, e o facto de termos perdido o discurso do Obama no Domingo de manhã (cuja culpabilidade não se pode de todo atribuir à “cidade dourada” mas inteiramente à preguiça de despertar às 7.30) Praga não é mais que deslumbrante. Até o imperceptível checoinglês tem charme!
Tudo é goticamente pitoresco, tudo se parece com alguma coisa, um boullevard de Paris, uma rua inglesa de há 3 ou 4 séculos atrás, ou algum livro de histórias encantadas envoltas em brumas de mistério.



Há uma casa dançante, e um palácio hipnotizante. Há um castelo que parece o da Bela adormecida e uma sinagoga mais antiga que o tempo. Há um relógio astronómico onde às 6 da tarde os santos giram e um labirinto de espelhos. E há italianos em todos estes sítios. Como em Barcelona, como em São Paulo, como a praga das salamandras nos livros do Gabriel Garcia Marques. (De modo que eu, se fosse o ocidente, não centrava todas as minhas preocupações demográficas na reprodução chinesa).
Bebe-se cerveja, comem-se coisas que não sabemos exactamente o que são, mas que têm nomes como “goulash” e afins, e porcos inteiros.



A primavera de Praga chega aos 21 graus e isso obriga à compra de emergência de indumentária adequada, sem gola alta de lã.
Depois, bebe-se o verdadeiro “hot Apple” no café onde Kafka e Einsten eram assíduose desliza-se pelo Moldova a contra-luz, pedalando uma gaivota.
Então, a aura do pensamento revela-se com evidente claridade: “Podia viver aqui”.

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