Em BCN foi assim

Na semana passada, um professor comentava que para acabar com a crise da publicidade (nada a ver com a crise económica) era preciso descobrir por que é que as pessoas são de um clube de fuetbol. Porque é que vivem esse clube tão intensamente?

Na altura achei que a resposta era óbvia. Por questões de tradiçao e geografia. O amor ao clube passa de geração em geração, ou então surge por proximidade territorial.
Em parte, continuo a achar que tenho razão. Por outro lado, não consigo explicar que um grupo de australianos tenha festejado o triplete do Barça de camisa oficial vestida, e risos e abraços, como se soubessem mesmo uma única palava do hino que estavam a cantar. Ao mesmo tempo, havia um “Beckham 7” à beira do pranto. Era um americano.
La se vão a tradição e a proximidade territorial, porque assim de repente nao consigo imaginar dois paises mais distantes da Europa e cuja cultura desportiva seja menos dedicada ao futebol, do que a Austrália e os EUA.
Depois deixei de pensar nisso.
Pela primeira vez na história, os “blau grana” ganharam tudo o que podiam ganhar! Freddy Mercury deu o mote para a canção da noite mas sem a clássica evocação clichet do “we are the champions”. Em vez disso “cooopa liiiga y champions” em compasso de “we will we will rock you”!
As pessoas de Barcelona, que são do mundo inteiro, encheram cada quadradinho de chão desde a Plaza Catalunya até à estátua do Colombo, no final das ramblas.
Os bares ficaram sem cerveja mas a musica não acabou até ao dia seguinte. Insultos cantados ao Madrid e ao Ronaldo e declarações de amor ao clube “el dia que me muera, quiero en mi cajon, la bandera azul y roja, como mi corazon…”.
Exigencias de beatificação do “Santo Andrés Iniesta”, petições para a renovação de Etou e votação fechada sobre a bota de ouro: Messi.
“Es muy fuerte!” diziam-me. E eu sabia. Não era o Benfica a erguer a taça, nem Portugal a vencer o mundial, mas eu sentia. Eu pulava, eu cantava, eu dançava!
Também eu, sem saber explicar porquê, estava embuída nesse espírito que é “mais que um club”!
Lá em cima, o céu deu lugar às bandeiras e aos fogos, às luzes e aos apitos, à cidade que rejubilava, numa noite arrepiante.

Quando voltei a pensar na crise da publicidade, a conclusão nao foi muito animadora:
“ole ole ole
ole ole ola
ole ole ole
cada dia te quiero mas
oooooooh Barcelona
es un sentimiento no puedo parar!”

E os sentimentos quem é que os explica?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Já cá estou outra vez, desculpem a demora...

Um fim de ano especial, com festa no Palácio Real!

Aproveito o 8 de Março para dizer que as mulheres deviam ganhar mais do que os homens