Dedicatórias

Este Domingo fui a um bar perto de casa. Tocava o namorado de uma amiga brasileira do mestrado.
O bar é pequeno e não estava cheio, abriu só porque ia haver música. É assim o Verão em Barcelona: deserto em todo o lado, das ramblas para cima. Lotado à beira-mar.
O namorado da minha amiga é italaino e faz um duo com outro amigo italiano, que chegara a Barcelona no dia anterior. De mota. Porque vir de carro era demasiado confortável. 15 horas de mota e quando chegou, dizem, não conseguia sair daquela mesma posição.

Mas isto são preâmbulos. Sejamos concretos: o duo italiano faz covers de músicas em inglês, com um repertório extenso.
No decorrer da actuação, um rapaz aproximou-se deles para pedir uma canção dedicada à sua namorada. Só nos apercebemos quando eles disseram ao microfone, “esta é para a Judite” do já não me lembro o nome.
Então toda a gente olhou para a Judite e a Judite corou mais vermelho que o equipamento do Benfica e trocou um sorriso cúmplice com o namorado, como quem diz, “está toda a gente a olhar para mim e a culpa é tua, obrigada amor”.
Mas no fundo via-se que tinha apreciado o gesto.
Achei oportuno perguntar à minha amiga brasileira se, o seu namorado, sendo ele músico e tudo, também lhe dedicava muitas canções. Tinha certeza que a resposta ia ser afirmativa.
“Que nada! Ele sobe no palco nem liga mais para mim, esquece tudo!Não, nunca, imagina...!” Esta foi a resposta.
Entretanto a música da Judite começou, um clássico dos Guns and Roses:

“I used to love her, but I had to kill her
I used to love her, but I had to kill her
She bitched so much
She drove me nuts
And now I'm happier this way…”

Quem conhece a canção sabe que não há grande variação de letra a não ser quando ele diz que teve que a pôr a 6 feet debaixo da terra e ainda a ouve a reclamar.
(Todo um indescritível deleite nos olhos da Judite).
Eu e a minha amiga entreolhámo-nos e interveio novamente o meu senso de oportunidade “Mas também para dedicar músicas como esta…”
“É , não… horrível! Puxa vida a música é feia mesmo.. coitada da menina!”
Acabou a música da Judite e a Judite deve ter acabado com o namorado.
“A próxima é para a Alexandra!”
Sorri e comentei entre dentes “se também me matarem vou-me embora”. Sobrevivi!
Roy Orbison no seu melhor…
E eu agora deixo-a aqui, para a Judite!

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