O âmago das batatas

Afinal não vinham da janela da cozinha, nem do “puticlub” clandestino do rés do chão, nem dos canos. Mas diz a vizinha de cima que há que continuar a deitar-lhes lixívia (aos canos) para não cheirarem mal.
Fiquei conhecida no prédio como “aquela que tem mosquitos na cozinha” mas compensou porque, graças a uma das conversas com os vizinhos, descobri o útero da praga!
“De certeza que não têm, sei lá, às vezes acontece, uma cebola podre?”. Eu, na minha inocência, disse que não. Mas quando cheguei a casa rebaixei-me às prateleiras metálicas onde estão as cebolas e não só tínhamos uma cebola podre como limões, alhos e, principalmente, batas podres. Vou poupar-vos à descrição do buraco negro infestado que havia nas batatas. Digamos que era aí que estava a questão existencial de todas aquelas coisas voadoras que se multiplicavam a cada dia.
As batatas não eram minhas, nem os limões porque eu não compro limões. Eram de alguém que se foi embora e se esqueceu delas ali. Não sei se foi o rapaz gay que cá vivia antes ou se, e isto poderia pôr em risco uma amizade de anos, foi a minha amiga Rita.
O que eu sei é que da próxima vez que me perguntarem como é que vão os meus mosquitos eu vou poder responder que já se foram embora, que já tenho uma cozinha asseada outra vez. Contando que o jovem heterossexual com quem partilhamos a casa desde que o gay se foi embora se digna a limpar a cozinha, tarefa que deveria ter executado há já 3 dias (a sala e o corredor já levam duas semanas de atraso, não obstante os meus persistentes "lembretes").

E já agora não eram mosquitos, eram mini-moscas!

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