Ficava a caminho...

O mapa surgiu no ecrã minúsculo: Turim, Milão, Siena, Roma, Nápoles.
A risquinha vermelha já tinha deixado para trás a Sardenha e, antes dela, Palma de Mallorca.
O Mediterrâneo estava prestes a dar lugar ao Adriático e lá longe podiam ver-se Moscovo, S.Petersburgo e Bagdad. Mas isso seriam outras 4 horas e meio, no mínimo. E, convenhamos, S. Petersburgo e Bagdad não estão exactamente uma ao lado da outra.
A risquinha vermelha avançava a centímetros largos. Depois do golfo de Nápoles, do lago sem fundo onde a lenda conta estar a entrada para o inferno, dos planaltos rochosos do “mezzogiorno” e do Vesúvio, volta a ser tudo azul outra vez. Com breves apontamentos de branco (nuvens autistas).
Não houve turbulência mas eu sentia-a na mesma. O primeiro tremor foi ao ver Siena, a minha Terra do Nunca, ainda que consideravelmente longe da risquinha vermelha. As réplicas vieram com as recordações do Coliseu e da Fontana di Trevi, da Mole de Turim, dos amigos de Milão e da peculiaridade de Nápoles.
Desejei que o avião fosse como os autocarros da Carris e tivesse um botãozinho vermelho a dizer Stop. “Sr. Piloto abra lá a porta se faz favor que eu fico já aqui”.
Ficava eu e ficávamos todos a 3.700 pés com 57 graus negativos de temperatura.
Não gritei e o Sr. Piloto não me ouviu.
Então, depois de Brindsi e das minhas réplicas de turbulência, e do desejos calados de aterragem de emergência, a risquinha vermelha chegou à Grécia.

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