Gerard

Quando nos apresentamos a alguém costumamos dizer um nome e ,normalmente, acabamos optando por dizer o nosso, salvo Inocêncios e Hermengildas, casos extremos em que se entende perfeitamente a utilização de uma alcunha ou diminutivo.
Mas, em geral, cada um diz o seu nome porque, ainda que não seja exclusivo, é o que nos identifica e condensa a concretude do nosso ser. Toda a gente sabe que as coisas sem nome não existem. Não podem existir. Podem haver nomes sem coisas mas não podem haver coisas sem nomes.

O curioso são aquelas pessoas cuja identidade é melhor definida pelo nome de outrem do que pelo seu próprio nome.
Por exemplo: o namorado da Madonna, a mulher do Figo, a irmã da Letizia Ortiz, aquela que saiu com o Cristiano Ronaldo (estas são quase mais que as Anas), etc.
Ainda assim, o mais curioso são aquelas pessoas que, elas mesmas, se auto-identificam e apresentam com o nome outrem.
Este Sábado tive o prazer de conhecer um exemplar desta peculiar espécie de pessoas (Credo! Parece que estou a falar de araras ou suricates do deserto do Kalahari).
O RAPAZ (um toque de humanidade fica sempre bem) veio convidar-nos para nos juntarmos à pândega do espaço VIP de uma conhecida discoteca dos arredores de Barcelona. Espaço VIP é, aliás, um representante manifesto de nomes sem coisas, porque VIPs são o que menos se encontra nos espaços VIP.

Continuando, passo a citar a deixa de apresentação do nosso gentil interlocutor “Hola, yo soy amigo de Gerard”.
Gerard, jogador furor do Barcelona, mais conhecido por Piqué, era o único VIP do espaço VIP (eu avisei) e devido à sua ilustre presença se havia montado um sururú de flashes e empurrões em torno da área reservada.
Aceitámos o convite, claro, e fomos inclusivamente apresentadas ao dono do nome, com direito a dois beijinhos e, suponho, inúmeros insultos por parte da assistência feminina.

Mas não consegui parar de pensar como é que alguém pode afirmar a sua existência com o nome de outra pessoa. A única coisa interessante na vida dele será este laço de amizade? Que vida tão triste…
Eu, para me diferenciar, acrescento que sou portuguesa e brasileira. Bem sei que já perdeu o seu quê de unicidade desde que o Deco e os outros se nacionalizaram mas continua a ser considerado exótico!
Ainda por cima, já que se estava a introduzir como amigo de uma super estrela do futebol, pelo menos utilizasse o nome certo! Toda a gente conhece o Piqué, mas o Geraldo? As pessoas sabem lá quem é o Geraldo (Gerard em catalão).
A Matilde, mesmo depois de ter sido apresentada ao amigo do amigo do Gerard (portanto o próprio Gerard), insistia que tinha conhecido o Giuseppe Piqué.
E o melhor de tudo é que Geraldo é quase tão bom como Inocêncio e, inevitavelmente acabámos por descobrir, o amigo dele chamava-se João.

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