O berço de Zeus era húmido e de pedra



Na gruta onde, alegadamente, nasceu Zeus, há uma Senhora que, como se ela mesma estivesse prestes a parir, grita furiosamente “ Nô flash, nô flash!!!”. É para as pessoas que não viram o aviso à entrada e estão a danificar a pintura das estalactites milenares com os seus flashes indiscretos (como eu).
Conta a lenda que o oráculo disse a Cronos, pai de Zeus, que um dos seus filhos o iria matar. Pelo que Cronus, revelando grande capacidade proactiva, matava logo os seus filhos antecipadamente. À nascença. Por isso Rhea, mãe de Zeus, fugiu para a gruta Dikteon a fim de dar luz ao seu rebento em segurança. A Cronus, entregou um bebé de pedra embrulhado num lençol e parece que ele não achou estranho o excesso de peso e a falta de dinamismo do seu filho recém-nascido. Para assegurar a sobrevivência do pequeno Zeus, ele foi escondido numa outra gruta, onde cresceu forte e saudável, bebendo mel e leite das produções da região demarcada de Creta. Quando atingiu a maioridade foi ao Olimpo, matou o pai e tornou-se o manda-chuva lá da zona. (O oráculo tem sempre razão).
O que a lenda não conta é que para visitar a gruta Dikteon há uma escalada de 30 minutos pela montanha, onde muitos turistas vão ficando para trás.



“Mas se Zeus nem sequer existiu, não percebo porque é que queres ir visitar a gruta onde ele nasceu” (as mães são uma espécie de oráculo e também têm sempre razão).
“ Se em Verona eu fui ver a casa e o túmulo da Julieta, que era uma personagem de uma peça de teatro, na Grécia vou ver onde nasceu Zeus”.
Admito que não foi um bom silogismo mas a visita valeu a pena. É emocionante, divertida e escorregadia.
E estalactites e estalagmites gigantes não é uma coisa que ande por aí ao pontapé!

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