"A Loucura é uma questão de maioria"

“E a vida é uma convenção”.

Incompreensível e louco, afinal, são sinónimos. E a loucura é democrática. Quem diria?
Toda a gente que comunga um certo modo universalmente alargado de interpretação.
Não interessa que a mesa se pudesse chamar cinta adelgaçante e que só não se chama cacto pacato em flor porque não. E é loucura insistir em trocar as coisas que são porque são como são.
Como eram loucos aqueles que diziam que a Terra não era redonda e que Deus podia estar em todo o lado mas não no centro do Universo. E os primeiros que abriram restaurantes de fast food e os que acreditavam que o homem podia voar. Bem como os que preconizavam que as pessoas iriam conversar e conhecer-se instantaneamente, à distancia de tantos países e oceanos quanto o mundo tem.
Como são loucos os que morrem de amor. Ou o “L’étranger” de Camus e todos os outros que que não choraram nos funerais das mães. Doidos varridos!
Enfim, qualquer pessoa é perita em identificar loucos e a loucura de conceito abstracto tem muito pouco. Trata-se, simplesmente, de uma questão de maioria.

Só falta saber para que nefasta infecção é que mais de metade dessa condição dissonante e solitária, e irrevogavelmente estipulada pela maioria, serve de
C-U-R-A.

* citações de Mário de Sá-Carneiro em "LOUCURA".

Comentários

Rui Coelho disse…
interessante; já li e reli o elogio da loucura do erasmo, onde ele aborda com espanto uma falha enorme da humanidade: porque raio não há uma estátua dedicada à loucura? se, no fundo, bem escondidinho, não lhe resistimos? não sei se entretanto alguém já se lembrou de corrigir a coisa.

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