Olimpíadas 2016

Quando a Rosa Mota apareceu no noticiário da TVE em representação da delegação de Tóquio, já era um prenúncio de que algo estranho se passaria.
Dizem que foi a primeira derrota do Obama e os espanhóis estavam crentes que iriam vencer. Ficaram com o conhecido “grande melão” porque as Olimpíadas 2016 foram para a Cidade Maravilhosa. Como bem notou um dos jornalistas “Não vamos reclamar porque podia ter sido a Eslováquia…Portanto serem no Brasil não está nada mal!”.

Às 3 da manhã acordei sobressaltada. Tinha explodido uma bomba, partiu-se uma janela. Não foi a minha mas o coração quase parava de tanto que batia. Na sala, a Neuza também tinha ouvido. “Se calhar foi um tiro. Se calhar mataram uma das prostitutas do andar de baixo”.
Aqui há que introduzir um pequeno flashback: Na semana passada, fui abordada por uma das inquilinas do andar de baixo, conhecido como puticlub por todos os moradores do edifício, embora a campainha diga “infantário”.
“O que é que se passa com tantos rapazes a sair e a entrar de tua casa?” perguntou-me ela. Detenhamo-nos um momento. Se alguém aqui tem não moradores a entrar e a sair de casa com certa frequência não sou eu, é a senhora! “São 3 amigos da rapariga que vive comigo, estão a visitar Barcelona” respondi secamente.
Ela sentiu-se na obrigação de dizer que a sua casa agora era de respeito e que ela não incomodava ninguém e portanto também não queria ser incomodada. Ao que eu me senti na obrigação de responder que me incomodava um bocadinho acordar sempre com ela a falar ao telefone sobre os clientes e os quartos e a rapariga nova que vinha experimentar. Nem foi preciso falar no senhor que eu vi perguntar à esteticista qual era o andar do “anúncio no jornal…aquilo..você sabe...”que ela já me estava a dizer que afinal não se sentia nada incomodada e que se alguma vez eu precisasse podia ir lá tocar.

Ao segundo estrondo, seguido por um clarão de luz, entrámos em histeria e acordámos a Rita. Não havia vestígios na varanda. A Rita voltou a dormir despreocupadamente mas eu e a Neuza ficámos despertas, a tentar controlar o ritmo cardíaco. Medo, muito medo. Será que mais ninguém se dava conta que estávamos a ser bombardeados?
Não há duas sem 3 e à terceira eu ia ligar para o 112. Mas desta vez já não tinha parecido uma bomba nem um tiro. Parecia um foguete a subir pelo ar. Desde quando é que 3 de Outubro às 3 da manhã é dia de festa?
Não houve mais bombas, nem explosões, nem tiros. E de manhã verificámos que não havia janelas partidas.
Foi então que a campainha tocou. Era a minha mais recente amiga da vizinhança:
“Então assustaste a idosa?”
“Só lhe fui perguntar se estava tudo bem.” (Ver se vocês estavam vivas)!
“Está tudo bem, está tudo bem. Aquilo ontem foram alguns brasileiros idiotas que deve haver por aqui a lançar foguetes por causa das olimpíadas. Da próxima vez que precisares de alguma coisa basta ires à janela e gritares - Antóóóónia passa algo?”

Aqui deixo então um grande viva ao Brasil, às Olimpíadas 2016, à Rosa Mota e aos brasileiros que mandam foguetes mal e a más horas.
(E já agora, à minha amiga Antónia)!

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