Domingo de derby



Odeiam-no até à morte.
E adoram espernear até exaurir o ar para expressar o quanto o odeiam.
Por isso é que quando o CR9 foi substituído no derby de Domingo o jogo perdeu a piada.
Já não podiam gritar “Esse português hijo puta es”.
E agora?

Chamar o Sérgio Ramos de maricón e vaiar o Casillas cada vez que ele respira não é a mesma coisa que o uníssono de 100.000 vozes, entoando aquele versinho fofo, em jeito de quadra de manjerico nos santos populares. Há falta de melhor há sempre o árbitro, que é mesmo para ser insultado que ele lá está, mas são impropérios descoordenados e sem ritmo.
O jingle do Cristiano não! Esse tem melodia, é catchy e pleno de sentimento!
Até eu me entusiasmava toda cada vez que os pés dele se aproximavam da bola só para ouvir aquele coro evangélico. Não admira que às tantas tenha começado a pingar.
Isso sim, sentia-se um frio na curva da porta 90 que me fez lembrar esse saudoso Verão na Noruega.

A propósito do Norte da Europa, ao nosso lado estavam sentados uns suecos. Como é que eu sei que eles eram suecos?
1 – Não tinham frio.
2- Levantaram-se muito pronta e educadamente para nos deixar aceder aos nossos lugares.
3 – Passaram todo o jogo num registo amorfo, exceptuando dois momentos: quando o Ibrahimovic entrou em campo e quando marcou o golo. Excitação máxima! Quase pareciam catalães! Não fosse terem começado a gritar incentivos imperceptíveis em sueco.
Foi o golo da vitória do Barça. Poderiam ter sido dois se o tão suposto MMM (Messi Melhor do Mundo) não tivesse falhado de frente para a baliza aberta. Ainda mais escandaloso que o penalty do Beckham no estádio do Algarve.

Para mim foi um alívio terem ganho que se não iam dizer que a culpa era minha, que secretamente tinha puxado pelo Cristiano e que dou má sorte. Consequentemente, com base nessa panóplia de argumentos racionais, nunca mais me “enchufavam” (o equivalente espanhol a meter cunha/fazer favores) para ir ao campo.



No final da partida claro está, Barça Barça Barça, o lé lé lé o lá lá lá que ser do Barça é do melhor que há! Cai uma chuva de confetis sobre o estádio e há todo uma pirotecnia de luzes intermitentes desgarradas pelas bancadas.
Não foi o melhor jogo do mundo mas foi O JOGO desta época. E eu estava lá, com a minha camiseta do centenário do Barça, encolhida de frio e torcendo contra os meus próprios conterrâneos Cris, Kaká e Pepe. Caso contrário jamais me teriam “enchufado” com um bilhete!



Uma vez no Brasil disseram-me que na vida, além de ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro, tinha de se ver um Fla-Flu no Maracanã.
Na impossibilidade de atravessar o Atlântico assim de repente, considero que ver um Barça – Madrid é o equivalente.
O meu chefe, sempre confiante na minha ignorância futebolistica, tentou fazer uma analogia para eu perceber melhor: è um jogo muito importante, é como um Benfica – Porto!
Ah ah ah, por muito que eu gose do Benfica e por muito que odeie o Porto, o nível e carisma dos jogadores e essa magia rival amor-ódio de um Barça-Madrid suplanta qualquer Benfica-Porto. Mais que não fosse pelos bilhetes vendidos a 1.000€ com 3 meses de antecedência.



Enfim, agora só faltam o filho e o livro.

Comentários

i disse…
já plantaste uma árvore?
Ale disse…
Oh sim! Dia da árvore ano de 1990 e poucos, escola primária. Depois de plantar a árvore fiquei sentada no chão a olhar para ela até que comecei a sentir uma desconfortável comichão a perpetuar-se pelo meu corpo. Quando fui olhar tinha as pernas e a saia cheias de formigas.
Uma experiência inesquecível!

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