Para a Neuza, porque gostamos de ti!

Como é que se dizem coisas delicadas sem partir a boa vontade e nobre ilusão de outra pessoa?
Quem é que nunca viu uma amiga a engordar desalmadamente ou uma pessoa querida com um roupa lastimável? Quem é que nunca recebeu uma prenda horrenda (oferecida com todo o amor e carinho) por parte do namorado, dos pais, etc?
E quando as ideias geniais que nos contam, em busca de apoio e incentivo, são o correspondente a um passo em frente desde o alto do Cabo da Roca?
A sinceridade é primordial mas extremamente difícil de dosear. Está cientificamente provado que o excesso de sinceridade pode resultar em terríveis efeitos colaterais irreversíveis.

E hoje este é o tema pendente cá em casa. Desde que a Neuza, após unânime acordo de que queriamos incenso cá em casa, chegou contente e triunfante com o incenso que comprou na lojinha do chinês. É de morango. A Rita diz que se vê logo que não podia ser bom porque nada que queima pode cheirar a fruta (mas pode cheirar a rosas). O facto é que não cheira nem a fruta nem a flores. Cheira a gelatina estragada (de morango vá, demos-lhe isso). E esta manhã ergueram-se intoxicantes nuvens de fumo pela casa, fazendo pulular o referido odor por todas as assoalhadas. Não, não é que cheire mal. Só não cheira bem.
Duas tácticas distintas e subtis foram utilizadas para tentar passar a mensagem de descontentamento:
1 – a táctica do humor (o riso atenua os efeitos depressivos) – “Oh Neuza não havia um suporte de incenso ainda mais feio que este?”
“Não, o outro que havia era com folhas de Canabis e vinha com incenso de Canabis”.
Argumento incontornável. Mudança de táctica.
2 – a táctica da indução - o vulgo dar a entender - (se a pessoa chegar à conclusão por si mesma qualquer tipo de ressentimento será dirigido a ela própria e não a terceiros) – “Oh Neuza há uma nuvem de fumo a elevar-se pela sala…”
“Sim. E então?”
Conclusão não concluída.

De modo que após duas tentativas frustradas e ponderada meditação, decidimos que vamos ter mesmo de lhe dizer, por exemplo assim “Ai Neuza, afinal lembrei-me agora que eu odeio incenso! È que não suporto mesmo”. Realce para a importância da forma que envolve o conteúdo da mensagem: frontal e sincera. A forma é tudo! Já assim pensavam Wertheimer e Khöler quando inventaram a Psicologia da Gestalt (forma em alemão). Pergunto-me se também se terão debatido com questões profundas como a da presente análise.
Mesmo assim achámos que ainda não era a forma ideal. Trata-se de uma das nossas melhores amigas, com quem vivemos juntas e felizes e partilhamos segredos e intimidades!
Merece pois uma comunicação mais pessoal e amorosa, sobretudo mais íntima!
Então decidi escrever este post.
Porque eventualmente ela vai ler e assim assimilar o quanto gostamos dela e o quanto não gostamos do incenso de morango.
Resta esperar que isso seja antes do pacote de incenso acabar…

Comentários

neuza disse…
O problema é que tão pouco eu sou fã de coisas de morango, mas tendo em conta que os outros eram todos enjoativos e havia o de açafrão e de canabis (que achei não serem os melhores), decidi-me pelo de morango, porque as pessoas sempre gostam do cheirinho e tu tens um baton (praticamente o teu preferido) que é de morango! Agora se os paquis têm coisas de qualidade duvidosa, paciência! Para a próxima vamos as 3 à Natura e compramos um!

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