Festa do Cabelo



O que é que se faz quando se tem que encher um bar e promover um cabeleireiro ao mesmo tempo?
Uma festa do cabeleireiro no bar! “Elementar meu caro Watson”.
Assim, na última sexta-feira, houve uma “Hair Party” lá no bar, com Djs, vouchers de desconto para o cabeleireiro e tudo mais a que uma festa do cabelo tem direito!
Incluindo modelos com penteados exóticos e maquilhagens exuberantes.
Ok, não eram modelos, eram amigas, frequentadoras do bar, empregadas do bar e eu mesma.
Mas os penteados eram mesmo exóticos e as maquilhagens eram mesmo exuberantes!
Demasiado exotismo e exuberância na minha opinião se querem saber. E ressalte-se que eu fui a que teve mais sorte (ou menos azar). Calhou-me um cruzamento entre uma versão morena dos caracóis da Marlyn Monroe, com uma mancha negra meio assimétrica nas pálpebras, ao estilo da Amy Winehouse.
A ideia era dar a conhecer o trabalho do artista, mas lá está, regra de ouro da organização de eventos: nunca confiar nos artistas!
Os artistas são aquelas pessoas que se tivermos a organizar uma exposição fotográfica documental sobre doenças tropicais, eles vão trazer quadros com abacaxis e mangas em poses sugestivas, repetidos em diferentes cores e saturações, ao jeito da Pop Art.
Pelo que, ficam já avisados, numa festa do cabelo os “artistas” devolvem as nossas modelos por voluntariado forçado com os cabelos esgrouviados ou espetados que nem antenas parabólicas e maquilhagens entre o circense, a Cleópatra e a Amy Winehouse.
As modelos até estavam animadas. Muito entusiasmadas com a ideia de alguém que penteia topd models e maquilha super stars as deixaria lindas para uma festa e ainda por cima de graça.
Claro que na mente perversa do artista a ideia não era nada deixá-las lindas. “A moda incomoda!” diz ele.
“Isto está horrível, parece uma piada e eu odeio. Vou pedir demissão esta noite e vou para as Ramblas assim, de certeza que faço mais dinheiro” disse uma das empregadas do bar, diante do espelho. O cabelo estava ridículo mas com o que eu implicava mesmo era com só lhe terem pintado metade dos lábios. Não me consegui conter e escancarei-me a rir, ela estava, de facto, muito engraçada. E tinha que ir a pé, sozinha, desde o cabeleireiro até ao bar. Felizmente já havia escurecido.
“Alguém chame um táxi por favor! Eu não quero andar na rua assim… Sabes quem é que eu pareço? Eu pareço o Eduardo mãos de Tesoura!”. É verdade! É verdade! Parecia mesmo! (Versão loira).
As restantes modelos foram menos efusivas nos seus comentários “Bonitas? Não, nós não nos sentimos bonitas. Originais... Mas bonitas não!”
Tirando os cabelos das modelos a festa não correu mal de todo. Até houve gente que no dia seguinte foi logo cortar o cabelo ao salão!
E enfim, quem sou eu para interferir se o próprio dono do cabeleireiro quer que as suas modelos pareçam o Eduardo Mãos de Tesoura?
Artistas…

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